Pão francês pode virar Patrimônio Cultural do Brasil
Pedido ao Iphan quer reconhecer o saber dos padeiros; setor fatura R$ 164 bilhões, mas enfrenta falta de 140 mil profissionais
Por Redação Viva
23/10/2026 | 17h07Pexels
O pão francês está sendo considerado para se tornar Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, uma iniciativa da Fundação Bunge que visa preservar sua importância na cultura alimentar nacional. A proposta foi protocolada junto ao Ministério da Cultura e, se aprovada, o pão se juntará a outros ícones culinários do país.
O reconhecimento como patrimônio cultural terá um efeito mais simbólico do que regulatório, permitindo ao Estado documentar e divulgar o saber associado ao pão francês, além de elaborar um plano de salvaguarda. O setor de panificação, que faturou R$ 164,12 bilhões em 2025, enfrenta desafios como a escassez de mão de obra qualificada, com um déficit de aproximadamente 140 mil vagas.
A Fundação Bunge está atuando para suprir essa demanda através do programa De Grão em Pão, que oferece cursos gratuitos de panificação para jovens em vulnerabilidade social, formando cerca de 360 profissionais anualmente. Essa iniciativa busca não apenas inserir jovens no mercado de trabalho, mas também fortalecer a cultura da panificação no Brasil.
São Paulo - Pão francês, pão de sal, cacetinho, carioquinha, pão careca. Você provavelmente conhece por algum desses nomes a mistura de água, farinha, gordura, açúcar, fermento e sal que está na mesa dos brasileiros todos os dias. O pãozinho de padaria está sendo cotado para se tornar Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
A iniciativa parte da Bunge Profissional em conjunto com a Fundação Bunge e apoio de especialistas, sindicatos, entidades de classe e profissionais da panificação de todas as regiões do País.
O movimento busca fortalecer a preservação da história do pão francês no Brasil como um símbolo da cultura alimentar nacional. “O pão é um alimento sagrado, universal e democrático, porque é água e farinha. É para pobre, é para rico, é para qualquer um”, afirma Cláudia Calais, diretora executiva da Fundação Bunge.
O requerimento foi protocolado junto ao Ministério da Cultura através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A ação surgiu dentro do Centro de Memória da Fundação Bunge. A redação do projeto contou com o auxílio de pesquisadores e historiadores a partir de levantamentos feitos pela fundação.
Caso aprovado, o pão francês poderá figurar ao lado do acarajé, do queijo mineiro e dos doces de Pelotas como um dos fazeres culinários pertencentes ao patrimônio cultural brasileiro.
O que muda com a aprovação
Se aprovado pelo Iphan, o registro do pão francês como Patrimônio Cultural do Brasil terá efeito mais simbólico do que regulatório. O instrumento, criado pelo Decreto 3.551/2000, não impõe regras específicas como a fixação de uma receita única. Com o título, o Estado se compromete a documentar e divulgar o saber reconhecido e a elaborar, com os detentores, um plano de salvaguarda, que pode incluir ações de formação e de transmissão do ofício de panificador. O registro precisa ser revalidado a cada dez anos.
O bem também passa a ser atendido pelo Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI), instituído pelo mesmo decreto e voltado ao inventário, ao referenciamento e à valorização desse patrimônio. Por meio de editais e parcerias, o programa financia projetos de pesquisa, documentação, transmissão de saberes e fortalecimento das comunidades e dos grupos que mantêm a prática.
Para o setor de panificação, os efeitos mais prováveis são a valorização da imagem do produto e o acesso a políticas culturais voltadas aos praticantes do ofício. O reconhecimento não garante incentivos fiscais nem crédito.
Indústria biolionária do pãozinho
Para além do pão nosso de cada dia, a indústria de panificação e confeitaria movimenta bilhões na economia. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), o setor faturou R$ 164,12 bilhões em 2025, com, 2,35 milhões de toneladas de pão francês consumidas. Assim, o Brasil é tido como o maior mercado global de padarias independentes e o terceiro maior em faturamento.
A área de panificação enfrenta desafios crescentes relacionados à mão de obra: faltam padeiros no mercado de trabalho. Apesar de o setor de alimentação preparada fora do lar ter registrado mais de um milhão de admissões em 2024 e representar uma parcela de 4,9 milhões de empregos em território nacional, estima-se que exista um déficit de aproximadamente 140 mil vagas abertas em padarias.
A Fundação Bunge estimula o suprimento dessa demanda por meio do programa De Grão em Pão, que oferece cursos gratuitos de panificação e confeitaria para jovens em situação de vulnerabilidade social. O projeto forma cerca de 360 profissionais por ano.
“Do ponto de vista social, é uma forma de você estar colocando jovens no mercado, e do ponto de vista de negócio para a empresa, é uma forma de você ajudar o seu cliente, que é o padeiro, os donos de padarias, a conseguirem um profissional qualificado. É também uma forma de você perpetuar essa cultura da panificação, do pão, da padaria", destaca Cláudia Calais.
(Por Mateus Rolim, especial para o VIVA)
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