Cortella: 'Se PF adoece, a PJ também adoece', diz filósofo sobre saúde mental
Mario Sérgio Cortella defende a necessidade de ir além da especialização e promover o desenvolvimento das potencialidades humanas nas empresas
Por Claudio Marques
23/10/2026 | 15h17 ● Atualizado | 16h06Reprodução/TV Brasil
O painel 'Empresa, a paideia moderna' discutiu o papel das empresas na formação profissional, defendendo que elas devem ir além da capacitação técnica e promover o desenvolvimento integral dos colaboradores, incluindo saúde física e mental.
Mario Sergio Cortella destacou que a formação deve ser abrangente, preparando profissionais não apenas para tarefas específicas, mas também para desenvolver habilidades interpessoais e valores, em resposta às mudanças exigidas pela sociedade atual.
As empresas são chamadas a cuidar do bem-estar de seus funcionários, criando condições para o autocuidado e evitando o adoecimento, pois a saúde dos trabalhadores impacta diretamente na relevância e no sucesso organizacional.
São Paulo - A discussão sobre a formação dos profissionais esbarra na relação entre desenvolvimento integral e saúde física e mental. É possível ter uma empresa saudável com pessoas adoecidas? Para o filósofo, escritor, educador e palestrante Mario Sergio Cortella, a resposta é não.
Em painel mediado pelo médico, professor e autor Eugênio Mussak, no Fórum Saúde Mental, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos - Brasil (ABRH-Brasil), Cortella destacou que, embora as empresas sejam pessoas jurídicas, são constituídas por pessoas físicas. “Uma empresa que deseja êxito, que deseja perenidade no êxito, ela precisa cuidar de quem dela cuida. E quem cuida da PJ são as PFs”, disse.
Leia também
Segundo ele, quando os profissionais são excluídos dos processos de cuidado, a organização perde relevância e reconhecimento. A preocupação da empresa com o trabalhador também favorece a reciprocidade nas relações de trabalho e aumenta sua dedicação. O filósofo ressaltou que essa responsabilidade não deve assumir caráter paternalista. Cabe à empresa criar condições para o autocuidado, oferecendo facilidades, tempo e formação, sem contribuir para o adoecimento.
O cuidado exige colaboração entre organizações e trabalhadores. Adoecimento da PF adoece a PJ.
Mário Sérgio Cortella, filósofo
A formação é de quem, do profissional ou da empresa?
Qual deve ser o papel das empresas na formação profissional? Ainda é válido o modelo em que a educação corporativa e as universidades empresariais procuram desenvolver competências específicas para melhorar o desempenho profissional e ampliar a competitividade das organizações, em um contexto em que o padrão de organização do trabalho, herança da Revolução Industrial, valoriza a especialização e a eficiência, com foco na execução de tarefas específicas?
A partir do conceito grego de paideia, Cortella defendeu que as empresas precisam ir além da capacitação técnica e criar condições para o desenvolvimento integral dos profissionais, incluindo o cuidado com a saúde física e mental.
De acordo com o filósofo, paideia é um conceito da Grécia antiga para indicar formação integral, aliando a educação ao desenvolvimento das potencialidades e virtudes humanas. O objetivo era preparar as pessoas para viver em sociedade e contribuir para a comunidade, sem limitar sua formação a uma única habilidade ou área de conhecimento.
Preparar a gente para ser gente. Que gente é essa? É uma gente que seja capaz de ser boa para si e para as outras pessoas.
Para ele, a formação integral envolve cuidar daquilo que contribui para o desenvolvimento humano e afastar o que limita as capacidades das pessoas, indo além da mera sobrevivência.
Nesse sentido, Mussak avaliou que, as mudanças na sociedade, hoje exigem profissionais com uma formação mais abrangente, capazes de combinar conhecimento técnico, compreensão da gestão, habilidades de relacionamento, comunicação e entendimento de valores.
A formação profissional não deve ficar restrita a uma única área, concordou Cortella. “Uma empresa inteligente, nos tempos atuais, recusa o bitolamento”, afirmou. Portanto, argumenta, o ideal não é formar profissionais generalistas que possam executar qualquer tarefa, mas pessoas que, além de suas especialidades, tenham condições de ampliar conhecimentos e desenvolver outras competências.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
Agora
