'Prazer não é um privilégio da juventude', diz Cátia Damasceno sobre sexo 60+
A sexologista Cátia Damasceno discute como a maturidade traz liberdade e novas perspectivas sobre o prazer sexual.
Por Bárbara Ferreira
27/09/2026 | 18h00Divulgação / Cátia Damasceno
Cátia Damasceno, sexologista, destaca que a maturidade traz uma nova perspectiva sobre o prazer sexual, permitindo que mulheres se concentrem mais em suas próprias necessidades ao invés de apenas agradar parceiros.
Ela afirma que o desejo sexual é influenciado por diversos fatores, como saúde e autoestima, e que a idade pode transformar a vivência da sexualidade, sem extingui-la.
Damasceno recomenda que as mulheres continuem a se masturbar e a explorar novas sensações, enfatizando que o autoconhecimento é essencial para uma vida sexual satisfatória em qualquer idade.
São Paulo - Cátia Damasceno, sexologista, fala abertamente sobre sexo na internet há anos, para auxiliar seus seguidores com questões e situações próprias da cama. Aos 50 anos, ela defente que "existe uma liberdade que só chega com a maturidade".
A personalidade acredita que, principalmente as mulheres, podem passar mais tempo ao longo da vida buscando agradar seus parceiros. Com a maturidade e as várias transformações da idade, tendem a finalmente se voltar o próprio prazer.
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O orgasmo não fica mais fácil ou mais difícil com o envelhecimento, mas com a idade é possível aproveitar o conhecimento sobre o próprio corpo e conquistar confiança. "Você conhece melhor seus limites, sabe o que gosta, tem mais coragem para falar, escolhe melhor seus parceiros e começa a entender que não precisa performar para agradar ninguém".
A grande virada é quando a mulher entende que prazer não é um privilégio da juventude. É uma possibilidade que pode acompanhar a gente por toda a vida".
Cátia Damasceno, sexologista
Autoconhecimento no sexo e masturbação
O desejo sexual é influenciado por uma série de fatores, como: hormônios, saúde, medicamentos, estresse, autoestima, relacionamento e até pela forma como a pessoa enxerga o próprio corpo, pontua Cátia.
"Em vez de pensar que a idade apaga o desejo, eu prefiro dizer que ela pode transformar a maneira como a gente sente e vive a sexualidade", pontua a especialista.
Mulheres com mais de 60 anos podem continuar se sentindo desejadas e sentindo prazer, preservando o autoconhecimento e a musculatura íntima fortalecida, pontua a especialista.
Cátia alerta que as mudanças do corpo não significam que os mais velhos devem abandonar o sexo, mas "parar de tentar repetir o que funcionava aos 30 e descobrir o que funciona agora".
Para além da ginástica íntima, Cátia também defende que as mulheres continuem se masturbando. "Masturbação é uma forma de conhecer o próprio corpo, entender o que dá prazer, perceber mudanças de sensibilidade e descobrir novas formas de chegar ao orgasmo, sozinha ou acompanhada".
Esse autoconhecimento pode ser valioso com a idade, por conta das mudanças do corpo, que podem reduzir a sensibilidade e lubrificação vaginal. Segundo Cátia, isso também vai afetar a excitação: "é hora de reaprender a despertar novas sensações nesse corpo".
Ninguém deveria terceirizar o próprio prazer. Isso vale para qualquer idade. Conhecer o próprio corpo ajuda inclusive a conversar melhor com o parceiro ou a parceira sobre aquilo que você gosta na hora H".
Cátia Damasceno, sexologista
Liberdade e maturidade no sexo
Cátia aponta que nunca é tarde para descobrir coisas novas e explorar sensações diferentes e prazerosas. Para quem deseja experimentar brinquedos sexuais, fantasias ou posições diferentes, a idade não é uma dificuldade se há consentimento, segurança e vontade dos dois.
O que eu mais quero é que as pessoas entendam que a maturidade pode trazer uma coisa maravilhosa para o sexo: liberdade para escolher o que você quer viver e também liberdade para dizer 'isso não é para mim'."
Cátia Damasceno
Segundo Cátia, o importante é redescobrir posições confortáveis e prazerosas para os envolvidos - inclusive, dá a dica que de que travesseiros podem ajudar como apoio para pernas, quadril ou costas. "Não existe obrigação de fazer acrobacia para ter uma relação sexual prazerosa".
A sexologista afirma que sexo não pode ser trabalhado como uma competição pela posição mais difícil ou performática. "Se uma posição dói, ela não está funcionando. Troque. Se uma forma de tocar é melhor, fique nela. O objetivo não é reproduzir o sexo que vocês tinham 20 anos atrás. É descobrir novas formas de prazer, que fazem sentido para vocês hoje".
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