Procura por bicicletas elétricas cresce entre público 60+, apontam empresas
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São Paulo - As bicicletas elétricas estão reconfigurando as possibilidades de mobilidade das pessoas 60+ e ganhando adeptos no Brasil e no mundo. Segundo um levantamento global divulgado em abril pelo aplicativo de monitoramento de atividades físicas Strava, pessoas nascida entre 1946 e 1964 representaram a maior proporção de ciclistas ativos no ano passado, sendo essa a geração mais propensa a se deslocar com as chamadas e-bikes.
No Brasil, fabricantes desses modelos veem crescer esse público como reflexo da crescente economia prateada, especialmente no modelo de pedal assistido, no qual o motor elétrico só funciona quando o ciclista está pedalando.
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A marca Oggi Bikes, por exemplo, aponta que a procura por bicicletas entre pessoas com mais de 60 anos cresceu 60% entre 2024 e 2025. No caso das elétricas, o salto foi de 50% no mesmo período.
Segundo o CEO da empresa, David Peterle, é cada vez mais comum que idosos busquem a bicicleta como forma de se locomover, manter uma rotina ativa e se integrar a grupos sociais de pedal.
O envelhecimento populacional é uma realidade, mas ele pode ser acompanhado de mais vitalidade, independência e mobilidade. Acreditamos que a bicicleta tem um papel transformador nesse contexto, e ver mais pessoas de 60, 70 ou 80 anos pedalando é prova disso."
Ele explica que o modelo de pedal assistido oferece liberdade aos 60+ para continuar se movimentando com autonomia, segurança e prazer. "Pedalar volta a ser uma possibilidade acessível, seja para se locomover, praticar esporte leve ou simplesmente aproveitar a vida com mais saúde e independência", complementa.
O co-fundador do Grupo Lev, Rodrigo Affonso, também confirma que a tendência cresceu entre seus clientes. "Vemos diariamente clientes que voltaram a utilizar a bicicleta depois de muitos anos graças à assistência elétrica", afirma, e destaca:
A tecnologia ajuda a superar desafios como subidas, percursos mais longos e limitações físicas naturais do envelhecimento, tornando a mobilidade mais acessível para um público que deseja permanecer ativo."
A marca de baterias Moura, que também atua no mercado de bicicletas elétricas, viu crescer a parcela de interessados nessa faixa etária e diz que o público 50+ representa 28% das vendas acumuladas em 2026, com aumento ao longo do ano. Entre janeiro e maio, por exemplo, a participação passou de 22% para 29%.
Andréa Lyra, diretora de marketing e comunicação institucional da Moura, diz que para esse público consumidor "a bike elétrica não surge necessariamente como substituta do carro, mas como uma alternativa complementar":
Atende principalmente a deslocamentos de curta e média distância e também ao uso em momentos de lazer, oferecendo praticidade e mais independência no dia a dia."
Lyra ressalta que, embora o crescimento do público 50+ seja relevante, ele faz parte de um cenário mais amplo de diversificação de perfis, atraindo consumidores de diferentes idades e estilos de vida e refletindo mudanças no comportamento urbano e na relação com o deslocamento nas cidades.
“O nosso público de maneira geral é de quem busca uma transformação mais ampla na forma de lidar com a mobilidade urbana, autonomia e bem-estar", finaliza.
Produção e vendas em alta
O crescimento no interesse pelos modelos elétricos já reverbera na produção. De acordo com dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) coletados junto a fabricantes de bicicletas do Polo Industrial de Manaus (AM), a categoria das elétricas continua em destaque na produção.
No Anuário da Indústria Brasileira de Duas Rodas 2026, a associação mostra que no ano passado foram fabricadas 46.879 e-bikes, representando 14% da produção total de 335.560 bicicletas feitas no polo.
Em 2021, esse modelo representava apenas 1,4% do total fabricado, representando um crescimento de 355,40% no período.
Já no varejo, dados divulgados este ano pela Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike) mostram que a proporção de lojas que vendem bicicletas elétricas teve aumento de 47% para 54% entre 2024 e 2025. Em números gerais, estimativas da associação apontam que o País possui uma frota superior a 300 mil bicicletas elétricas em circulação.
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