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E-bikes beneficiam saúde e bem-estar de pessoas 50+; confira pesquisas e relatos

Reprodução/Acervo pessoal

Célia Maria da Silva Gonçalves, de 62 anos, é um exemplo dessa tendência e diz que sua bicicleta elétrica abriu novos caminhos - Reprodução/Acervo pessoal
Célia Maria da Silva Gonçalves, de 62 anos, é um exemplo dessa tendência e diz que sua bicicleta elétrica abriu novos caminhos
Por Bianca Bibiano

21/06/2026 | 17h30

São Paulo - Uma reportagem publicada no VIVA nesta semana mostra que o número de pessoas na faixa etária de 60 anos ou mais usando bicicletas elétricas, as chamadas e-bikes vem crescendo junto a marcas especializadas. E, segundo pesquisas internacionais recentes, essa tendência pode oferecer benefícios diretos para a saúde dos idosos.

Um estudo conduzido pelas universidades inglesas University of Reading e Oxford Brookes University em 2025, por exemplo, acompanhou um grupo de adultos entre 50 e 83 anos para investigar os efeitos psicofísicos da ciclagem assistida, também conhecido como pedal assistido, no qual o motor elétrico só funciona quando o ciclista está pedalando. Os resultados revelaram que o uso dessas e-bikes atua diretamente na preservação das funções executivas do cérebro. 

Ou seja, ao contrário de exercícios estáticos, como a bicicleta ergométrica, a condução de uma e-bike no ambiente urbano exige que o cérebro execute um complexo processamento de estímulos e sensações em tempo real, que envolve equilíbrio, navegação espacial, estimativa de distância e entendimento do fluxo do trânsito.

O estudo apontou que essa atividade, quando mantida de forma regular, promove uma melhora mensurável na capacidade de planejamento e na tomada de decisão.

Segundo a pesquisa, o motor elétrico elimina a barreira do esforço mais árduo, que causa exaustão ou dores articulares precoces, garantindo que o indivíduo mantenha uma frequência de atividade física semanal até 30% superior à observada em grupos que tentam aderir a modalidades esportivas tradicionais. 

Pedalando longe

Outra pesquisa sobre o tema, publicada no periódico especializado Discover Cities, mostrou que o uso de e-bikes amplia um quesito nomeado de 'área de expansão de vida', ao demonstrar que os modelos elétricos atuam como um "multiplicador direto de autonomia".

Em uma comparação direta com indivíduos que utilizam apenas o transporte público ou a caminhada, os usuários de e-bikes na faixa 60+ registraram uma expansão média de 4 a 8 quilômetros adicionais em seu "raio de vida" diário ao melhorar a independência logística e a redução do isolamento social.

Pedal do bem-estar

Uma das principais formas de socialização e bem-estar das bicicletas elétricas são os grupos de pedal, que vêm recebendo cada vez mais adeptos entre pessoas com mais de 50 anos e oferecem uma rede de apoio, incentivo e lazer para quem busca manter-se ativo na maturidade.

A aposentada Célia Maria da Silva Gonçalves, de 62 anos, de Mauá, na Grande São Paulo, é um dos exemplos dessa tendência. Ela começou a pedalar há cerca de três anos graças à insistência do marido, que entrou no segmento há 10, e acabou se tornando adepta de grupos de pedal.

Eu comecei com uma bicicletinha simples que não tinha marcha. Depois meu marido montou para mim um modelo melhor, mas eu ainda não dava conta de alcançar o pedal deles. Eu tenho 62 anos, acabei de fazer, e a minha resistência não é muito boa, tenho problema nas pernas, nas varizes, mas comecei a tomar gosto pela coisa".

Sem querer deixar de lado a experiência conquistada, Célia fez alguns testes com a e-bike, e se encantou:

"Aluguei uma elétrica para uma viagem de três dias até o Parque Estadual Lagamar de Cananéia [SP] e nesse meio de tempo eu me apaixonei. Na volta, a gente se esforçou e logo compramos uma para mim".

retrato de Célia Maria da Silva Gonçalves e Aparecido Gonçalves acervo pessoal
O casal de aposentados Célia Maria da Silva Gonçalves e Aparecido Gonçalves durante cicloviagem - Acervo pessoal

Ela explica que as barreiras físicas que a impediam de seguir o mesmo ritmo do grupo diminuíram significativamente desde então. Agora, após quase dois anos de experiência, já planeja roteiros mais longos, como uma cicloviagem de São Paulo até a região montanhosa de Urubici (SC).

"Se você vai subir de bicicleta, é outro ar, você vai observando aquela paisagem linda subindo, e fazendo esforço físico. A gente não tem noção de como é lindo e gostoso".

O aposentado Aparecido Gonçalves, marido de Célia, conta que também entrou no mundo das bikes por motivos de saúde, especialmente para tratar obesidade e alcoolismo. Por isso, corrobora a sensação de bem-estar e superação mencionada pela esposa e diz ter notado melhoras não apenas na saúde física mas também emocional do casal:

"Isso influencia muito, até em união de casal; é uma terapia que não tem valor", complementa. 

Mobilidade urbana é desafio

Apesar do ciclismo em trilhas e estradas, Célia e Aparecido dizem não se sentirem seguros para usar bicicletas no ambiente urbano, optando por usar o carro nos trajetos dentro da cidade.

Esse cenário, segundo a arquiteta e vereadora da cidade de São Paulo Renata Falzoni, é bastante comum entre adeptos do ciclismo nessa faixa etária, um cenário que ela atrela especialmente à falta de segurança da capital:

"Muitas pessoas poderiam pedalar como meio de transporte, mas buscam os grupos de pedal por questão de segurança. Nas cidades, especialmente, a violência afasta as mulheres e os mais idosos, eles são vistos como 'presa fácil'".

Nesse sentido, a parlamentar diz que se houvesse investimento público não apenas em ciclovias, mas também garantindo o acesso a bicicletários e medidas de segurança viária para conter a 'beligerância do trânsito', o movimento poderia ser ampliado a ponto de mudar as formas de deslocamento também na área urbana.

Envelhecer pedalando um pouco por dia faz bem para o corpo, é um exercício de longevidade. Além disso, a bicicleta é a melhor opção em termos de retorno de felicidade, mas temos um potencial desperdiçado dos ciclistas 50+."

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