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Senior living precisa se atualizar para atender novo 60+, dizem especialistas

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Moradias requerem ambientes planejados para manter residentes socialmente ativos - Reprodução/Youtube/@emotionTV
Moradias requerem ambientes planejados para manter residentes socialmente ativos
Por Bianca Bibiano

10/09/2026 | 16h52

São Paulo - O envelhecimento acelerado da população brasileira está transformando a dinâmica dos setores imobiliário, de saúde e de consumo. A busca por respostas a esse novo cenário deu o tom do Talk Senior Living Meeting, painel de debate realizado hoje no contexto do evento Geronto Fair Online

Mediado por Martin Henkel, fundador da SeniorLab e colunista do portal VIVA, o paineil reuniu especialistas em senior living e mercado da longevidade para projetar caminhos de gestão, moradia e investimento voltados à economia prateada, com o objetivo de mostrar que o perfil do consumidor 60+ mudou e exige modelos de negócios que abandonem estereótipos assistenciais.

No caso do senior living, por exemplo, trata-se de um perfil de moradia pensando para estimular a autonomia e a convivência entre moradores 60+, garantindo os cuidados de equipes de serviço especializadas no ambiente e, ao mesmo tempo, a privacidade de ter seu próprio espaço e poder ir e vir de acordo com a vontade.

Mercado de moradia ativa

Para Caio Calfat, CEO da Real Estate Consulting e vice-presidente Extraordinário de Assuntos Turísticos Imobiliários do Secovi-SP, a percepção sobre a habitação para a maturidade passou por uma mudança profunda nas últimas décadas.

"Residenciais para idosos eram vistos sob um nome pouco interessante no passado. Hoje, quem tem 70 anos está ativo, e o produto imobiliário precisa se aprimorar para a realidade atual", afirmou.

O especialista relembrou os primeiros estudos de viabilidade realizados no País em parceria com a consultoria Digna Idade, a Universidade de Miami e fundos de pensão, com foco inicial no modelo de flats. Diz que atualmente o senior living consolida-se como um ativo imobiliário presente em médias e grandes cidades, atuando tanto no segmento de primeira habitação quanto no de segunda residência ou moradia de férias.

Calfat destacou que a viabilidade desses empreendimentos depende da combinação entre infraestrutura e prestação de serviços:

  • Operação híbrida: Necessidade de integração entre gestão e suporte assistencial sob demanda.
  • Flexibilidade conceitual: Variedade de projetos verticais ou horizontais, urbanos e rurais, como primeira moradia ou casa de férias.
  • Precificação e dimensionamento: Ajuste rigoroso entre os custos operacionais e o perfil financeiro do público-alvo.

Arquitetura para longevidade e espaços multidisciplinares

A adequação física desses espaços também exige mais do que o cumprimento de normas básicas de acessibilidade, segundo Norton Melo, CEO da Bioeng Projetos. O executivo apontou que o projeto arquitetônico deve atuar de forma terapêutica para promover a autonomia.

O que é diferente no senior living? Não é só pensar em corredor e porta mais largos, barra adaptada ou maca no corredor. Isso é cumprir requisitos de segurança. A questão é: como o ambiente promove um envelhecimento ativo e independente?".

De acordo com Melo, a engenharia e a arquitetura precisam se alinhar à medicina, à fisioterapia e à terapia ocupacional. Em sua análise, o ambiente construído pode intervir diretamente no comportamento e no bem-estar do residente:

  • Manejo do sono e ansiedade: Uso de iluminação e texturas que acalmam idosos em momentos de agitação noturna.
  • Estímulo sensorial: Recursos espaciais pensados para despertar o apetite e a coordenação motora.
  • Convivência: Ambientes planejados para manter os residentes integrados e socialmente ativos.

A projeção de Melo é de que o mercado brasileiro passe por um período de maturação técnica nos próximos cinco a dez anos até consolidar projetos plenamente alinhados a essa demanda.

Operação em prática: independência e socialização

Os dados de operação do Grupo São Pietro Senior demonstram essa mudança comportamental na prática. A instituição, que iniciou suas operações com 18 moradores em 2025, diz já ultrapassa a marca de 100 residentes em Porto Alegre (RS).

Representando a operadora, Caroline Schardong Boligondo revelou que 70% dos moradores são independentes. Eles mantêm rotinas externas, utilizam veículos próprios e optam pelo senior living atraídos pela infraestrutura de convivência e suporte técnico.

Entre as práticas adotadas pela gestão do grupo, destacam-se:

  • Cronograma diário de atividades: Programação multidisciplinar conduzida por educadores físicos, sociólogos, fisioterapeutas e fonoaudiólogos.
  • Onboarding individualizado: Acompanhamento nos primeiros meses do idoso ne residência para estimular o resgate da autonomia.
  • Rede de mobilidade: Permissão para que residentes transitem e se hospedem em diferentes unidades do grupo (como Canela e Balneário Camboriú) mantendo o padrão de atendimento.

"O objetivo é pensar em um ambiente que não estigmatize as pessoas", resume Caroline.

Comportamento do consumidor e a nova visão do envelhecimento

Encerrando as análises, Pip Seger, fundadora d'O Cérebro, trouxe reflexões sobre os hábitos de consumo mapeados no estudo Brands for the Future: Hábitos de Consumo da Nova Geração Prateada, desenvolvido pela agência.

"Estamos descobrindo que existe uma nova maneira de ver o envelhecimento. Ninguém quer ser visto como algo a ser resolvido ou alocado em algum lugar", destacou a executiva.

O estudo apresentado apontou vetores fundamentais para as empresas que buscam dialogar com o público 60+:

  • Superação da lógica de redução: A maturidade deixa de ser associada ao isolamento ou à passividade. Tendo cumprido etapas de criação de filhos e consolidação de carreira, o 60+ busca usufruir de novas experiências e consumo autônomo.
  • Rejeição ao antienvelhecimento: As marcas que prometem o "resgate da juventude" perdem espaço para uma comunicação que valoriza a trajetória do indivíduo, sob o lema de "continuar sendo quem você se tornou".
  • Tecnologia sem atrito: O crescimento da adesão do público senior aos canais digitais e smartphones é o mais acelerado entre as faixas etárias. A prioridade dos desenvolvedores deve ser a usabilidade intuitiva, evitando interfaces complexas que exijam treinamentos ostensivos.
  • Design universal e discreto: Adaptações arquitetônicas e visuais devem ser incorporadas de maneira invisível nos espaços de luxo e moradia (como boa iluminação e tipografia adequada), promovendo o conforto sem criar marcadores de fragilidade.
  • Permanência no mercado de trabalho: A aposentadoria integral cede espaço ao trabalho continuado, à consultoria e ao empreendedorismo. Isso exige que empreendimentos imobiliários incorporem áreas de coworking, reconhecendo a resiliência de profissionais que transitam com facilidade entre a cultura analógica e a digital.

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