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Além das ladeiras: saiba por que Ouro Preto precisa estar no seu roteiro

Divulgação/Skyscanner

Vista aérea da cidade histórica de Ouro Preto, em Minas Gerais - Divulgação/Skyscanner
Vista aérea da cidade histórica de Ouro Preto, em Minas Gerais
Por Alessandra Taraborelli

09/09/2026 | 13h41

São Paulo - Capital de Minas Gerais por mais de 170 anos, a antiga Vila Rica carrega em suas ladeiras de pedra os momentos mais decisivos do Brasil colonial. A apenas 100 quilômetros de Belo Horizonte, Ouro Preto foi o epicentro da Corrida do Ouro, o berço da Inconfidência Mineira e o cenário onde floresceu a genialidade do barroco mineiro.

Desde que conquistou o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, em 1980, a cidade atrai viajantes de todas as partes. Embora muitos passem por ali em visitas rápidas, explorar com calma o acervo histórico, a natureza e os vilarejos vizinhos exige vários dias de caminhada firme. O Skyscanner, aplicativo de viagens pelo mundo, selecionou um roteiro para quem está pensando em conhecer Ouro Preto.

Coração da antiga Vila Rica

Qualquer roteiro pela cidade começa na Praça Tiradentes, onde foi erguido o monumento ao mártir da Inconfidência no centenário de sua morte. No entorno da praça fica o Museu da Inconfidência, abrigo de um vasto acervo sobre o movimento separatista e local do mausoléu dos inconfidentes.

A partir desse ponto central, a caminhada revela marcos fundamentais do patrimônio brasileiro:

  • Igreja de São Francisco de Assis: Marco do barroco nacional com talha e esculturas de Aleijadinho combinadas às pinturas no teto feitas por Mestre Ataíde, ambos artistas nascidos na própria cidade.
  • Feirinha de Pedra Sabão: Espaço onde artesãos locais trabalham esculpindo peças na rocha abundante da região.
  • Casarões e arte sacra: A antiga residência do poeta e inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, que oferece vista privilegiada para a feirinha, além do Museu do Oratório, composto por mais de 160 peças originais produzidas entre os séculos XVIII e XX.
  • Patrimônio arquitetônico: A Igreja Nossa Senhora do Carmo, projetada pelo pai de Aleijadinho e retrabalhada pelo filho, e o Teatro Municipal Casa da Ópera, inaugurado em 1770 e reconhecido como o teatro em funcionamento mais antigo das Américas.

Pelos bairros históricos

Dedicando mais um tempo ao centro histórico, o bairro Antônio Dias — situado à esquerda da Praça Tiradentes — guarda ruas charmosas e a Igreja Nossa Senhora da Conceição. Trata-se de uma das duas matrizes da cidade e local de sepultamento de Aleijadinho.

A outra matriz é a Basílica de Nossa Senhora do Pilar, célebre pelo interior totalmente coberto por folhas de ouro e por abrigar o Museu de Arte Sacra em seu subsolo. A poucos metros, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário se destaca pela arquitetura erguida pela antiga Irmandade dos Homens Pretos.

A experiência no centro histórico fica completa com as visitas às antigas galerias subterrâneas de extração mineral, como a Mina do Chico Rei — associada à história do lendário monarca africano alforriado — e as Minas do Palácio Velho, de proporções ainda maiores.

Entre um passeio e outro, a movimentação comercial se divide entre os restaurantes da Rua Direita e as lojas de artesanato da Rua São José, com uma pausa no Museu Casa dos Contos para conferir a vista do mirante no terceiro andar.

Ecoturismo, vilarejos e cidades vizinhas

Para quem estende a permanência, o entorno de Ouro Preto reserva alternativas de turismo histórico e contato com a natureza. Como o tradicional Trem da Vale está temporariamente fora de operação, o acesso às atrações vizinhas é feito por carro ou ônibus.

  • Mina da Passagem e Mariana: Localizada no caminho para Mariana — a primeira capital mineira, situada a 14 km de distância —, a Mina da Passagem oferece uma descida em vagonete rumo às antigas escavações industriais. Já em Mariana, a visita passa pela Catedral da Sé, a Praça Gomes Freire, a Basílica de São Pedro dos Clérigos e a Praça Minas Gerais, onde se enfrentam as igrejas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo, ao lado da antiga Casa de Câmara e Cadeia.
  • Lavras Novas: A 20 km da sede, este pacato distrito de 1.500 habitantes reúne pousadas aconchegantes e gastronomia local. Entre as serras, sobressaem cachoeiras como a do Pocinho (de fácil acesso), 3 Pingos e a do Castelinho (próxima ao vilarejo da Chapada), além da Represa do Custódio e do Mirante da Pedra.
  • Parques estaduais e municipais: A pouco mais de 5 km do centro, o Parque Municipal da Cachoeira das Andorinhas protege as nascentes do Rio das Velhas, abrigando uma queda d'água escondida dentro de um cânion e a formação rochosa da Pedra do Jacaré. Para trilhas mais longas, o Parque do Itacolomi oferece 5.971 hectares de área preservada e um percurso de 12 km (ida e volta) até o Pico do Itacolomi, a 1.772 metros de altitude.

Quando ir e onde comer

Os meses entre abril e agosto oferecem o clima mais seco e estável, condição ideal para encarar a topografia íngreme sem surpresas no tempo.

Na hora de repor as energias, a cena gastronômica conta com restaurantes tradicionais como o Contos de Réis e O Passo. No mesmo edifício, o Café Geraes e o Escadabaixo oferecem propostas complementares em andares diferentes. Ao cair da noite, o Tenente Pimenta Rock Bar, próximo à Feirinha de Pedra Sabão, surge como opção para hambúrgueres artesanais e cervejas locais.

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