Baleia-jubarte morta aparece na orla e atrai curiosos em Praia Grande
Instituto Biopesca/Divulgação
São Paulo - Uma baleia-jubarte de grande porte foi encontrada morta próximo à faixa de areia, em Praia Grande, no litoral sul de São Paulo, no sábado, 1º de agosto. O tamanho do animal, que media ao menos 10 metros e pesava cerca de 20 toneladas, atraiu dezenas de curiosos.
A prefeitura enviou uma equipe ao local, na Praia do Caiçara, no bairro Real, e acionou o Instituto Biopesca. A carcaça do cetáceo foi analisada, teve amostras recolhidas e foi removida no mesmo dia.
Leia também
Muitas pessoas, inclusive crianças, se aproximaram da baleia morta para fazer imagens que foram postadas em redes sociais. Alguns vídeos já têm perto de 1 milhão de visualizações.
A equipe do instituto isolou a área e realizou a coleta de material para análise. A pesquisa pode indicar se algum agente causou a morte do cetáceo. O animal não tinha ferimentos visíveis, nem marcas de um possível enredamento - ter ficado preso em redes de pesca.
A Secretaria de Serviços Urbanos (Sesurb) da prefeitura de Praia Grande utilizou duas pás-carregadeiras para empurrar a carcaça para fora d'água. Em seguida, os restos foram removidos para um aterro sanitário.
Temporada de migração
De acordo com o biólogo marinho Eric Comin, mestrando em Biodiversidade e Ecologia Marinha e Costeira pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), pelas imagens, é possível identificar que se trata de uma baleia ainda jovem, medindo de 10 a 12 metros e pesando entre 20 e 25 toneladas.
Segundo ele, nesta época do ano, as baleias-jubarte estão em sua longa viagem migratória para reprodução. "Elas saem das águas geladas da Antártica, onde passaram o verão se alimentando e acumulando energia, e viajam para as águas mais quentes da costa brasileira para procriar e amamentar os filhotes", diz.
Muitas estão no auge da maturidade e medem entre 10 e 16 metros, chegando a pesar até 50 toneladas. É quando elas passam pelo litoral de São Paulo em direção à região de Abrolhos, no sul da Bahia.
Segundo Comin, a baleia-jubarte é um animal cosmopolita, podendo ser encontrado em todos os oceanos do planeta. A migração delas é uma das maiores movimentações entre os grandes animais.
No caso do Atlântico sul, assim que o inverno começa na Antártica, elas iniciam uma viagem de 8 a 10 mil quilômetros na jornada de ida e volta. No retorno, as fêmeas geralmente estão acompanhadas de filhotes. Algumas acabam não resistindo à longa viagem.
Levada por ventos e marés
Comin observa que o número desses cetáceos está aumentando:
Este ano, devem passar cerca de 30 mil baleias-jubarte pelo nosso litoral. É um número que vem crescendo rapidamente, o que faz com que aumentem também os casos de encalhes e mortes."
Normalmente, segundo ele, a baleia morta afunda no mar e passa a servir de alimento para a biodiversidade animal marinha. "Em alguns casos, a carcaça fica cheia de gases e o animal flutua. Havendo condições de vento e maré, ela pode ser empurrada para a praia."
Ele acredita que isso aconteceu com a baleia de Praia Grande:
Tivemos ventos fortes na semana passada na região e também a lua cheia, causando a maré de sizígia, com alta amplitude, ou seja, uma rápida variação entre a maré muito alta e a muito baixa. Acredito que a maré alta levou a jubarte até a praia e baixou rapidamente, deixando a carcaça encalhada na areia."
Risco de acidentes
O biólogo alerta que, nesses casos, as pessoas não devem se aproximar da carcaça. "Há muito riscos e um deles, mais evidente é de a maré jogar o corpo do animal de várias toneladas sobre as pessoas. Além disso, a carcaça atrai predadores, como tubarões, que podem representar perigo de acidentes."
Há ainda o problema do fedor e dos gases exalados pelo corpo em putrefação que pode causar indisposição, dor de cabeça, náuseas e vômitos. "Sem contar que o organismo em estado de decomposição também pode ter germes e atrair outros organismos e insetos, que representam riscos para as pessoas."
Lobos-marinhos resgatados
O Instituto Biopesca, que analisou a baleia, integra o programa de monitoramento da Bacia de Santos do Pré-Sal e promove a conservação de espécies marinhas ameaçadas de extinção.
No domingo, 2, a equipe resgatou um lobo-marinho sul-americano que saiu do mar na praia do Satélite, em Itanhaém. Magro e debilitado, ele foi levado para reabilitação no Instituto Gremar no Guarujá.
No dia 31, a equipe monitorou um lobo-marinho-subantártico que saiu do mar na praia do Balneário Maracanã, em Praia Grande. Ele estava em viagem migratória. Após 24 horas em observação, o lobo-marinho voltou para o mar.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.