Conexão social contribui para envelhecimento ativo; entenda os benefícios
Especialistas explicam que a convivência social impacta a saúde e o bem-estar das pessoas idosas, promovendo longevidade com mais qualidade de vida
Por Bianca Bibiano
18/09/2026 | 08h00Divulgação/Sesc
A conexão social é fundamental para a longevidade saudável, sendo a solidão crônica um risco à saúde comparável ao tabagismo, afetando o bem-estar dos idosos. Problemas de saúde e limitações físicas frequentemente reduzem as interações sociais, aumentando o risco de declínio cognitivo.
Especialistas destacam que a convivência social não apenas combate a solidão, mas também estimula a memória e a comunicação, contribuindo para um envelhecimento ativo e saudável. Vínculos sociais são essenciais para dar sentido à vida e fortalecer o sentimento de pertencimento.
Iniciativas como o Trabalho Social com Pessoas Idosas (TSPI) do Sesc têm proporcionado apoio emocional e social a idosos, ajudando-os a superar dificuldades e a manter a saúde mental. Participantes relatam que a interação em grupos tem sido crucial para sua qualidade de vida e recuperação de saúde.
São Paulo - A conexão social é considerada atualmente como um dos pilares da longevidade saudável, junto com alimentação saudável, atividade física, sono e gerenciamento de estresse. Ao longo do envelhecimento, porém, problemas de saúde, solidão, luto e limitações físicas reduzem os momentos de convivência em grupo, prejudicando o bem-estar na vida idosa.
Segundo o médico Pedro Saddi, coordenador médico do Fleury Lifecare, a solidão crônica representa risco à saúde comparável ao tabagismo e afeta negativamente múltiplos sistemas biológicos.
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Nesse sentido, Saddi destaca que cultivar relações sociais significativas é essencial: "Amigos e família protegem a saúde mental, enquanto o isolamento aumenta os riscos de declínio cognitivo".
Na mesma linha, o professor de psicologia Felipe Kenned, do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp), destaca que a convivência social ocupa um lugar central na saúde mental e no envelhecimento ativo.
Quando mantemos vínculos com a comunidade, criamos espaços para conversar, compartilhar experiências, rir, pedir ajuda e também nos sentirmos úteis na vida de outras pessoas."
Felipe Kenned
Isolamento agrava ansiedade e depressão
Kenned diz que a conexão social ajuda a reduzir a solidão e o isolamento, que podem contribuir para o surgimento ou o agravamento de quadros como ansiedade e depressão. Mais do que isso, conviver estimula a memória, a comunicação, o raciocínio e a disposição para seguir participando da vida, ressalta:
"Vale lembrar que envelhecer de forma ativa não se resume a fazer exercícios ou estar livre de doenças. Envelhecer bem é continuar presente na própria vida, construindo relações, tomando decisões e mantendo autonomia. Os vínculos sociais dão sentido à rotina e fortalecem o sentimento de pertencimento."
Para a aposentada de Pelotas (RS), Lucia Ziemann Campos, de 76 anos, que enfrentou uma sequência de eventos envolvendo um câncer de mama, ter a casa atingida pelas enchentes no Rio Grande do Sul e lidar a depressão, estar em um grupo de convivência social foi fundamental para superar as dificuldades. Ela conta que encontrou apoio junto a projetos do Trabalho Social com Pessoas Idosas (TSPI) do Sesc.
“Além da minha família, o grupo foi um grande amparo emocional. Em momentos muito difíceis, recebi carinho, mensagens e apoio constante. Saber que havia pessoas preocupadas comigo e dispostas a me acolher fez toda a diferença para que eu encontrasse forças para seguir em frente", afirma.
A gaúcha Gladis Teresinha Delavald, de 73 anos, também exalta as vantagens da convivência no grupo para sua saúde mental e física. Há cerca de dez anos, ela vive com Parkinson e encontrou no grupo do TSPI a possibilidade de se manter ativa após 11 cirurgias.
Atualmente, ela coordena aproximadamente 25 tricoteiras que confeccionam peças para doação e diz que os vínculos construídos são essenciais para manter sua qualidade de vida. "É um lugar onde me sinto bem e valorizada. Lá construí amizades verdadeiras, encontro apoio nos dias difíceis e tenho motivação para continuar ativa".
A convivência faz muito bem e mostra que sempre podemos encontrar novos motivos para seguir com alegria”.
Gladis Teresinha Delavald
Rede de apoio protege saúde mental
O psicólogo Felipe Kenned explica que esse sentimento de ter com quem contar é essencial ao longo de toda a vida. "Nos constituímos por meio das relações que estabelecemos. Ter com quem contar, e perceber que também contam conosco, faz toda a diferença para a saúde mental e para um envelhecimento com mais qualidade de vida".
Para a professora de bordado Maria Madalena Sales, de Belém (Pará), compartilhar conhecimentos com outras mulheres lhe deu novo propósito após perder amigas próximas durante a pandemia. Participante do Sesc há 18 anos, ela passou a ministrar aulas de bordado para outras pessoas 60+.
Depois de tantas perdas, encontrei aqui a força para recomeçar. As mulheres que participam das aulas se tornaram parte da minha vida. Compartilhamos histórias, aprendizados e muito carinho. Quando algumas delas dizem que sou um exemplo, sinto que toda a minha trajetória valeu a pena”, destaca.
Maria Madalena Sales
Integrante do mesmo grupo, o aposentado Manuel da Silva Medeiros, de 87 anos, afirma ter recuperado a saúde e a disposição entre atividades físicas, palestras e apresentações culturais. “Hoje me sinto mais saudável do que quando tinha 60 anos. As atividades me ajudaram a recuperar a disposição e a melhorar minha saúde. Ganhei uma nova rotina, novos objetivos e a certeza de que ainda há muito a viver e compartilhar", conclui.
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