Brasília, 29/08/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 29, que o Brasil não quer ser tratado como “moleque” nas negociações tarifárias com os Estados Unidos e voltou a defender que o Brasil direcione para outros países a produção que não for vendida para o país governado por Donald Trump.
“O Brasil não quer ser tratado como moleque. O Brasil já tem maturidade suficiente para ser respeitado. Não é porque alguém é mais rico que eu que pode falar mais grosso comigo, não. Não pode”, declarou, durante visita a obras da Avenida Prefeito Newton Cardoso, em Contagem (MG).
Lula reafirmou que o Brasil está disposto a conversar com os Estados Unidos: “Quando quiserem negociar, o ‘Lulinha paz e amor’ estará de volta”.
Sem interlocutor
O presidente afirmou, no entanto, que não há interlocutor dos Estados Unidos e lembrou da reunião que o secretário do Tesouro daquele país, Scott Bessent, cancelou com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. “Não tem ninguém querendo negociar do lado americano. Na semana passada, o secretário de Tesouro americano tinha uma audiência com o ministro Fernando Haddad. Ele suspendeu a reunião com Haddad e foi atender Eduardo Bolsonaro para contar mentiras para ele lá nos Estados Unidos”.
O petista disse, porém, que, “por enquanto”, o governo tem “muita tranquilidade” e tem socorrido os empresários brasileiros afetados pela taxação: “O governo tem tomado todas as medidas para proteger os nossos empresários exportadores e nossos trabalhadores. Por isso, a primeira medida foi fazer uma reunião e colocar R$ 30 bilhões de crédito para um primeiro enfrentamento a possíveis prejuízos”.
Lula voltou a defender que o Brasil expanda os negócios com outros países. “Não é só o dinheiro que vai resolver. Se não quiser vender para alguém, temos que procurar outro alguém. Se alguém não quiser comprar nosso produto, não temos que ficar chorando o leite derramado. Vamos procurar outro comprador para nosso produto”, falou.
Presidente canta
Num aceno para as eleições de 2026, Lula cantou nesta sexta-feira, 29, que “dois mandatos do Lula incomodam” muito mais gente, em uma referência a uma canção infantil.
“Aprendi quando pequeno que ‘um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais'. Então, quero dizer para eles: ‘Um mandato do Lula incomoda muita gente, dois mandatos incomodam muito mais. Três mandatos…’”, cantarolou Lula durante anúncio dos projetos habilitados pelo Novo PAC Seleções 2025.
O presidente afirmou que “todo mundo está tentando se juntar com a extrema direita”: “Podem fazer o que quiserem. Vai ter uma disputa muito forte neste País. Vamos ter que dizer para quem queremos governar, se é para a Faria Lima ou para o povo brasileiro”, falou.
Em falas recentes, ele tem condicionado uma candidatura à reeleição à sua condição de saúde em 2026. No evento desta sexta, Lula disse também que quer criar País humano, solidário e justo e que é difícil encontrar um governante que queira cuidar das pessoas. O petista citou ainda programas como “Luz para Todos” e “Gás para todos” e voltou a defender projetos como o que aumenta a isenção de imposto de renda para salários de até R$ 5 mil.
As declarações foram realizadas durante evento para anunciar novas propostas habilitadas pelo Novo
PAC 2025 para todo o Brasil, nos eixos Mobilidade Grandes e Médias Cidades e Renovação de Frota.
O evento também contou com a presença dos ministros das Cidades, Jader Barbalho; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; e da Casa Civil, Rui Costa; do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG); da prefeita de Contagem, Marília Campos, além de outros. Depois, Lula seguirá para Montes Claros (MG), onde participará da inauguração do Centro de Tecnologia e Inovação Agroindustrial da Acelen Renováveis, na Fazenda Boqueirão.