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Testosterona: o que é, quem precisa repor e como aumentar naturalmente

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Hormônio essencial para homens e mulheres, a testosterona influencia energia, libido, metabolismo e envelhecimento - Pexels
Hormônio essencial para homens e mulheres, a testosterona influencia energia, libido, metabolismo e envelhecimento
Por Bianca Bibiano

02/02/2026 | 18h10

São Paulo, 02/02/2026 - A testosterona é um hormônio produzido por homens e mulheres e exerce funções essenciais em diferentes sistemas do organismo. 

Para esclarecer como ela atua no corpo, quando seus níveis podem cair e quem realmente precisa de reposição, o VIVA ouviu quatro especialistas que explicam em detalhes os impactos no bem-estar e no envelhecimento. Confira os principais pontos a seguir: 

Testosterona na mulher

Segundo a ginecologista Caroline Alonso, expert em saúde feminina 40+, a testosterona tem papel fundamental no organismo feminino. "Embora esteja presente em concentrações menores do que nos homens, ela participa diretamente da libido, da disposição física e mental, da manutenção da massa muscular e óssea, do humor e da cognição."

Mais do que o valor absoluto, o equilíbrio hormonal é o ponto-chave: mesmo em níveis considerados baixos, a testosterona exerce um papel relevante na qualidade de vida da mulher."

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A redução do hormônio pode se manifestar por diferentes sinais clínicos. "Os sinais mais comuns incluem queda do desejo sexual, cansaço persistente, perda de massa muscular, dificuldade para ganhar força, desânimo, alterações de humor e baixa concentração." A médica acrescenta que "a queda da testosterona também pode contribuir para o surgimento de osteoporose, depressão e obesidade", além de impactos emocionais e na percepção de bem-estar.

Durante o climatério e a menopausa, essa queda tende a se intensificar. Segundo a ginecologista, embora o estrogênio receba mais atenção, "a diminuição da testosterona também contribui para sintomas como perda de energia, redução da libido, mudanças corporais e impacto na performance física e mental."

Como aumentar e quando repor

Mudanças no estilo de vida podem ajudar. "Algumas estratégias ajudam a otimizar a produção natural, como praticar exercícios de força, manter uma alimentação equilibrada com proteínas adequadas, dormir bem, controlar o estresse e evitar dietas muito restritivas."

A médica ressalta que "essas medidas não elevam o hormônio de forma milagrosa, mas favorecem um funcionamento hormonal mais eficiente e níveis mais saudáveis ao longo do tempo."

A reposição de testosterona deve ser avaliada com cautela. "A reposição de testosterona pode ser considerada em mulheres com sintomas relevantes, níveis baixos confirmados e impacto real na qualidade de vida, especialmente na função sexual". Caroline Alonso alerta que "reposição não é sinônimo de excesso, nem deve ter como objetivo apenas estética ou performance" e que o tratamento exige acompanhamento médico rigoroso.

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Diagnóstico e sinais de testosterona baixa

A endocrinologista Fernanda Parra reforça que o diagnóstico de testosterona baixa, chamado de hipogonadismo, nunca deve ser feito apenas pelos sintomas ou por um único exame isolado. "Ele exige a combinação de sintomas clínicos (como queda de libido, cansaço, perda de massa muscular, aumento de gordura corporal, desânimo e dificuldade de concentração) com exames laboratoriais confirmatórios."

O principal exame é a testosterona total, que deve ser colhida pela manhã, preferencialmente entre 7 e 10 horas, quando os níveis hormonais são naturalmente mais altos. Em muitos casos, é necessário repetir a dosagem para confirmar o resultado."

Dependendo do quadro, também é importante dosar:

  • Testosterona livre ou índice androgênico livre.
  • SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais).
  • LH e FSH, para investigar se a causa é testicular ou central (hipófise/hipotálamo).

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Além da idade, diversos fatores interferem nos níveis de testosterona. "Embora a testosterona realmente caia com o envelhecimento, muitos outros fatores do dia a dia interferem diretamente nessa produção". Entre eles estão:

  • Excesso de gordura corporal, especialmente gordura abdominal
  • Sedentarismo
  • Dieta pobre em proteínas, vitaminas e minerais
  • Estresse crônico
  • Privação de sono
  • Consumo excessivo de álcool
  • Uso de alguns medicamentos (antidepressivos, corticoides, opioides, anabolizantes, entre outros)
  • Doenças crônicas, como diabetes tipo 2, obesidade, apneia do sono e doenças inflamatórias.

Segundo Parra, "hoje, é cada vez mais comum ver homens jovens com testosterona baixa, muito mais por estilo de vida do que por idade."

Sono, estresse e estilo de vida afetam testosterona

O estresse e o sono exercem impacto direto sobre a produção hormonal. "O estresse crônico eleva o cortisol, que é um hormônio que inibe a produção de testosterona." A endocrinologista explica que existe uma relação direta entre esses hormônios: "É uma relação de ‘gangorra’: quanto mais cortisol, menos testosterona."

Já o sono tem papel central na regulação hormonal. "A maior parte da testosterona é produzida durante o sono profundo." De acordo com a médica, "dormir menos de 5 a 6 horas por noite por apenas uma semana já é suficiente para reduzir significativamente os níveis de testosterona."

Como aumentar naturalmente com alimentação, peso e suplementação

O nutricionista Thyago Nishino explica que a produção adequada de testosterona depende de nutrientes específicos. "A produção adequada de testosterona depende principalmente de micronutrientes como zinco, magnésio e vitamina D, além de gorduras boas." Ele ressalta que "o zinco participa diretamente da síntese hormonal" e que "as gorduras mono e poli-insaturadas são essenciais porque o colesterol é matéria-prima para a produção de hormônios esteroides."

O excesso de peso também interfere negativamente. "Existe uma relação direta entre excesso de peso, especialmente gordura abdominal, e testosterona baixa." Segundo o nutricionista, "homens obesos podem apresentar até 30% menos testosterona total", além de prejuízos ao eixo hormonal.

Sobre álcool e ultraprocessados, o alerta é direto. "Alimentos ultraprocessados e o consumo frequente de álcool interferem negativamente na produção hormonal". Nishino destaca que "o consumo crônico de álcool pode reduzir a testosterona em até 25%". Em relação à suplementação, o especialista pondera:

Suplementos alimentares podem ajudar apenas quando há deficiência comprovada de nutrientes, mas têm efeito limitado na elevação da testosterona em indivíduos saudáveis."

Testosterona masculina: sintomas, envelhecimento e riscos do uso inadequado

O urologista Alexandre Iscaife, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, explica que a testosterona começa a cair principalmente a partir dos 50 anos, embora aos 40 anos pode começar a reduzir, mas a queda só ganha relevância quando há sintomas.

Os principais sintomas de queda da testosterona estão relacionados ao desempenho físico e ao desempenho sexual e cognitivo. O desempenho físico é uma queda na força, na energia, na dificuldade de fazer atividade física, cansaço. E na parte sexual é a queda da libido, embora a ereção também pode ter uma queda. Mas aí é com com quedas mais preeminentes."

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Mudanças no estilo de vida podem ajudar a elevar os níveis hormonais. "A atividade física e, principalmente, os exercícios de força, como musculação, contribuem para o aumento dos níveis de testosterona." Ele afirma que "o que realmente seria mais significativo para aumentar os níveis de testosterona seria a atividade física moderada, os exercícios com pesos."

Sobre o uso sem indicação médica, Alexandre Iscaife alerta: "Os riscos são mais relacionados aos problemas cardíacos, porque a testosterona aumenta a quantidade de hemácias, aumenta os riscos de trombose e infarto." No entanto, alerta, o paciente que tem níveis baixos e sintomas vai precisar usar e, neste caso, os riscos são muito baixos perante os benefícios.

Os erros mais comuns apontados pelos especialistas são:

  • Comprar hormônios pela internet ou mercado paralelo;
  • Usar testosterona ou “chips hormonais” sem indicação médica, e com outros profissionais não habilitados;
  • Usar doses suprafisiológicas achando que isso é “modulação”;
  • Ignorar os riscos cardiovasculares, hematológicos e reprodutivos;
  • Não monitorar exames durante o uso;
  • Achar que testosterona é solução para cansaço, estresse ou má qualidade de vida.

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