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São Paulo, 29/08/2025 - A certidão de óbito da estilista Zuzu Angel e de outros 62 desaparecidos políticos durante a ditadura militar foi retificada (corrigida). A cerimônia de entrega ocorreu na quinta-feira, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte. A ação representa um marco no reconhecimento oficial dos crimes cometidos pelo Estado brasileiro entre 1964 e 1985.
A correção nas certidões de óbito segue a resolução de dezembro de 2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determinou que o documento de pessoas mortas ou desaparecidas durante a perseguição política tenham como causa de morte a frase: "morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964".
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A entrega foi organizada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, por meio da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. As primeiras certidões de óbito de vítimas da ditadura foram emitidas em 1995, mas sem ainda reconhecer a causa da morte. A mudança solicitada pelo CNJ está de acordo com a recomendação do relatório da a Comissão Nacional da Verdade, publicado em 2014.
Uma das certidões retificadas é de Zuzu Angel, mãe de Stuart Edgar Angel Jones, jovem preso, torturado e assasinado por militares em 1971. Depois da morte do filho, Zuzu se tornou uma ativista a favor das vítimas da repressão no País, utilizando do seu trabalho com a moda para dar visibilidade à situação política do Brasil no cenário internacional.
A estilista mineira foi morta em um acidente de trânsito suspeito na saída de um túnel no Rio de Janeiro (RJ), cinco anos após a morte do filho. A certidão de Stuart ainda não foi corrigida.
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