Cessar-fogo entre EUA e Irã alivia tensão, mas fim do conflito é incerto
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São Paulo - O cessar-fogo de duas semanas acordado entre Estados Unidos e Irã na terça-feira, 7, trouxe alívio imediato às tensões no Oriente Médio, incluindo a previsão de reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto da produção global de petróleo. No entanto, o acordo deixa questões centrais em aberto e levanta dúvidas sobre a sustentabilidade de uma paz duradoura.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que o país ajudará o Irã a desafogar o tráfego acumulado na rota desde o início da guerra, no fim de fevereiro. “Haverá muita ação positiva! Muito dinheiro será feito. O Irã pode começar o processo de reconstrução”, disse, em publicação na rede Truth Social.
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Na mesma mensagem, Trump celebrou o entendimento. “Um grande dia para a Paz Mundial!”, afirmou. “Assim como estamos experimentando nos EUA, esta poderia ser a Idade de Ouro do Oriente Médio!!!”. O tom contrasta com declarações anteriores, quando o presidente chegou a ameaçar aniquilar a “civilização inteira” do Irã.
Apesar do avanço, não está claro o que acontecerá ao término da trégua. Há poucos sinais públicos de progresso em temas considerados centrais para o conflito, como o programa nuclear iraniano, os mísseis balísticos e o apoio a grupos aliados na região — pontos que motivaram a guerra por parte dos Estados Unidos e de Israel.
Além da questão do controle sobre o Estreito de Ormuz, o Irã exige a retirada das forças americanas da região, o levantamento de sanções e a liberação de ativos congelados. Essas condições, no entanto, parecem inaceitáveis para Washington e outras potências ocidentais.
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O governo de Israel demonstrou preocupação com o acordo e pretende exigir compromissos adicionais do Irã, segundo uma pessoa familiarizada com o tema.
Enquanto isso, nas ruas de Teerã, manifestantes queimaram bandeiras dos Estados Unidos e de Israel e entoavam cânticos contra “conciliadores”, indicando um ambiente doméstico hostil a um acordo de paz mais amplo.
Ainda assim, líderes internacionais reagiram positivamente ao cessar-fogo. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que a trégua “trará um momento de alívio para a região e o mundo”, mas ressaltou que ela deve evoluir para um “acordo duradouro”.
O governo de Omã elogiou a mediação do Paquistão e destacou a importância de buscar “soluções que acabem com a crise em suas raízes e alcancem uma cessação permanente das hostilidades na região”.
Já o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, disse que o cessar-fogo contribui para a paz e a estabilidade não apenas regional, “mas também para o resto do mundo”.
(Por Jean Mendes, com informações da Associated Press)
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