China cria novas regras para evitar incêndios em carros elétricos
José Cruz/Agência Brasil
São Paulo - A China está implementando regras mais rigorosas para as baterias de carros elétricos. O objetivo é reduzir praticamente a zero os riscos de incêndio e explosão causados por falhas nas baterias.
Na última quarta-feira (10), o país asiático divulgou duas normas que prometem aumentar significativamente a segurança dos veículos de nova energia (NEV).
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Os Requisitos de Segurança para Veículos Elétricos (GB18384-2025) e Requisitos de Segurança para Baterias de Energia para Veículos Elétricos (GB38031-2025) passarão a ser obrigatórias a partir de 1º de julho de 2026 e trazem duas principais mudanças para a indústria automotiva.
A primeira delas é a exigência de um botão físico para interromper a ligação entre os circuitos de alta tensão do sistema de armazenamento de energia.
Atualmente, os carros elétricos e híbridos já possuem recursos semelhantes, mas que operam por meio de software. Esse mecanismo atua de forma física, garantindo maior segurança e confiabilidade em situações de emergência.
Outra mudança relevante está nos requisitos de segurança térmica. Antes, os veículos eram obrigados a emitir um alerta cinco minutos antes de um incêndio ou explosão. Com as novas normas, os alertas continuam obrigatórios, mas a bateria também deverá garantir o mesmo nível de segurança, inclusive após 300 ciclos de recarga rápida.
Testes de impacto
Foram incluídos também testes de impacto na parte inferior do veículo e de durabilidade para as baterias.
Segundo especialistas ouvidos pela agência estatal chinesa Economic Information Daily, as mudanças são positivas para toda a indústria, ajudando as empresas mais consolidadas e retirando de circulação produtos mais baratos e de baixa qualidade.
Algumas das maiores fabricantes do país já começaram a se adaptar à nova legislação. A CATL, maior produtora de baterias do mundo, afirmou que toda a sua linha de baterias para veículos está de acordo com os novos padrões. Segundo a empresa, os produtos passaram em todos os testes realizados em maio.
Já a BYD afirma que as baterias Blade de segunda geração superaram as exigências dos novos testes.
O desafio da fuga térmica
Ao contrário do que muitos pensam, os dados oficiais mostram que incêndios em carros elétricos são menos frequentes do que em veículos a combustão. Porém, quando acontecem, o combate às chamas costuma ser mais complexo.
O principal vilão é a chamada fuga térmica, uma reação em cadeia que provoca o superaquecimento sucessivo das células da bateria, gerando cada vez mais calor e reações químicas difíceis de controlar.
O objetivo das novas normas é evitar que a bateria chegue a esse ponto, desligando fisicamente as conexões elétricas e aumentando a resistência do conjunto para que danos estruturais não resultem em incêndios.
(Por João Vitor Ferreira)
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