Comércio eletrônico prejudicou mais as lojas de rua, dizem CEOs de shoppings
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São Paulo - O avanço do comércio eletrônico ao longo dos últimos anos não "matou" os shopping centers - como alguns imaginavam - mas afetou o comércio de rua. Agora, novas tecnologias devem contribuir para reforçar o varejo nos shoppings e aumentar a capacidade de conexão com os clientes.
A avaliação é dos líderes de Ancar, Allos e Iguatemi, algumas das maiores redes do País (as chamadas 'shoppeiras'), que participaram do Congresso da Associação Brasileira de Shopping, o Abrasce 2026, nesta semana.
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"Quem realmente sofreu com o e-commerce foram as lojas da rua", afirmou o copresidente da Ancar, Marcos Carvalho. Ele apontou que os shoppings representavam cerca de 20% das vendas totais do varejo no Brasil quando o comércio eletrônico surgiu, na última década. Apesar das vendas online terem crescido de lá para cá, a fatia de 20% dos shoppings nas vendas totais permaneceu a mesma.
Resiliência
Na sua avaliação, o e-commerce abocanhou a participação nas vendas que pertenciam às lojas de rua. Os shoppings, por sua vez, mostraram resiliência porque funcionam como pontos não só de compras, mas também de serviços, gastronomia e lazer. "Antes, parecia que o e-commerce ia crescer e o shopping ia morrer. Mas isso não aconteceu", disse Carvalho.
A mesma visão é compartilhada pela Allos - maior rede do país, com 46 empreendimentos. "No caso de shoppings em que a finalidade é a compra, aí é natural que o e-commerce afete de fato o movimento", disse o presidente da Allos, Rafael Sales. "Já os shoppings bons sobreviveram, porque continuaram investindo e entendendo que sua função vai além de ser um centro de compras", apontou, reforçando o papel dos shoppings como pontos de encontro da comunidade local.
O e-commerce será usado porque é conveniente, e o shopping, porque é conveniente e também prazeroso", argumentou.
Se, anos atrás, a tecnologia por trás das vendas online pressionaram o setor, o novo ciclo de novidades tecnológicas será um fator favorável, estimou o presidente da Allos. A companhia vem atraindo mais consumidores para uso dos aplicativos de cada um dos seus shoppings, que servem tanto para divulgação de promoções e benefícios, quanto para análise de dados de consumo via emprego de inteligência artificial.
Hoje são 2,5 milhões de usuários ativos nos apps do grupo, que já são capazes de identificar 33% das vendas totais. Os dados são usados para entender o que o consumidor está comprando, quanto tempo passa lá dentro e os caminhos que percorre, por exemplo. "Antes, a gente preparava tudo e torcia para o lojista vender. Agora, o shopping conhece a jornada do consumidor. Podemos oferecer isso aos nossos lojistas e parceiros", contou Sales, apontando ganho de eficiência na atração dos consumidores e na definição do mix de lojas.
Luxo fortalece lojas físicas
Também presente no evento, o ex-presidente e hoje conselheiro da Iguatemi, Carlos Jereissati, destacou a resiliência do setor de shoppings brasileiro - ao contrário de países em que esses empreendimentos foram mais afetados pelo comércio eletrônico devido à falta de diversificação das atividades. "Os shoppings no Brasil estão entre os mais sofisticados do mundo", ressaltou.
Jereissati citou também o crescimento das vendas de artigos de luxo nas lojas físicas locais. "Antes, as pessoas iam para Estados Unidos e Europa para comprar o que há de mais sofisticado. Hoje, há uma preferência para se comprar no próprio país. E as marcas estão expondo seus produtos em vários lugares do mundo, como Brasil, China e Oriente Médio".
Ele observou ainda que o atendimento local é mais atencioso e oferece mais facilidade no pagamento. Além disso, as grifes internacionais enxergam valor na economia brasileira e querem expor suas marcas por aqui, comentou. Esse movimento também favoreceu o comércio das lojas físicas de grifes, que tradicionalmente ficam dentro dos shoppings no Brasil.
(Por Circe Bonatelli)
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