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IBGE: renda per capita bate recorde em 2025, mas desigualdade sobe;

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Desigualdade teve ligeira alta após atingir o piso histórico no ano anterior - Adobe Stock
Desigualdade teve ligeira alta após atingir o piso histórico no ano anterior
Por Broadcast

08/05/2026 | 11h27

Rio - O rendimento mensal real domiciliar per capita no Brasil subiu a um recorde de R$ 2.264 em 2025, alta de 6,9% em relação a 2024, impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido e pelo aumento do número de brasileiros com algum tipo de renda. Ao mesmo tempo, a desigualdade teve ligeira alta após atingir o piso histórico no ano anterior, refletindo ganhos mais intensos entre os estratos de maior renda.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) - Rendimento de todas as fontes, divulgada nesta sexta-feira, 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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O País registrou um recorde de 143 milhões de pessoas com algum tipo de rendimento em 2025, o equivalente a 67,2% da população. A população com rendimento habitual do trabalho subiu a 101,6 milhões, enquanto a que recebia aposentadoria e pensão somou 29,3 milhões. Já os beneficiários de programas sociais do governo totalizaram 19,4 milhões.

Considerando as pessoas com alguma renda, o rendimento médio de todas as fontes alcançou um auge de R$ 3.367 em 2025, 5,4% acima do registrado em 2024. O rendimento médio mensal real habitualmente recebido de todos os trabalhos também foi recorde, em R$ 3.560, alta de 5,7%.

Segundo Gustavo Geaquinto Fontes, analista da pesquisa do IBGE, houve melhora em todas as faixas de renda, mas o topo da distribuição avançou acima da média. “A população de maior renda teve crescimento acima da média populacional, apesar de a renda ter crescido para todos os estratos. Não houve piora da renda. O topo da pirâmide teve um crescimento acima da média populacional”, afirmou.

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A renda per capita dos 10% mais pobres do País subiu 3,1% em 2025 ante 2024, já descontada a inflação. Apesar da melhora, esse grupo viveu com apenas R$ 268 mensais, o equivalente a R$ 8,93 por dia no ano passado.

No outro extremo, os 10% mais ricos tiveram ganho de 8,7%, alcançando R$ 9.117 mensais por pessoa da família. Entre o 1% mais rico da população brasileira, a renda per capita chegou a R$ 24.973 em 2025, 9,9% acima da registrada em 2024.

Aposentadoria e aluguel

Fontes atribuiu o desempenho mais forte entre os mais ricos ao mercado de trabalho aquecido, à remuneração maior de trabalhadores mais qualificados e ao avanço de rendimentos provenientes de aplicações financeiras e aluguel de imóveis.

“Teve a questão do mercado de trabalho, pode ter rendimento de outras fontes, como as aplicações financeiras e o rendimento de aluguel, que teve aumento importante em relação a 2024. Parte dessa alta renda tem rendimento de aluguel, investe em imóveis”, disse o pesquisador.

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“Esse período de juros mais elevados e maior rentabilidade de algumas aplicações pode sim contribuir para a renda desses domicílios de rendimento alto. Essa parte da população pode ter sido beneficiada por essas aplicações.”

Entre as demais fontes de renda, aposentadoria e pensão mantiveram o maior valor médio em 2025, de R$ 2.697. O rendimento médio de programas sociais do governo foi de R$ 870; o de aluguel e arrendamento, R$ 2.526, com aumento de 11,8% ante 2024; pensão alimentícia e mesada, R$ 863; e demais rendimentos, como seguro-desemprego, aplicações financeiras e bolsas de estudo, R$ 2.302.

Concentração de renda

O índice de Gini do rendimento médio domiciliar per capita de todas as fontes - indicador que mede a desigualdade de renda numa escala de 0 a 1, em que quanto mais perto de 1 maior é a concentração de riqueza - subiu de 0,504 em 2024, mínima histórica, para 0,511 em 2025. Ainda assim, o resultado permanece abaixo do registrado em 2019, de 0,543.

“A gente não nota uma tendência clara de elevação. Em 2025, teve essa leve oscilação para cima, mas, mais uma vez, se mantendo abaixo dos níveis anteriores a 2024, se mantendo próximo da mínima histórica”, avaliou Fontes.

A renda segue concentrada no País. Os 10% da população com maiores rendimentos receberam, em média, 13,8 vezes mais do que os 40% com menores rendimentos em 2025. Os 10% mais ricos concentravam 40,3% de toda a massa de rendimentos domiciliares, parcela superior aos 32,8% recebidos pelos 70% mais pobres juntos.

A massa de rendimento médio mensal real domiciliar per capita atingiu um recorde de R$ 481,389 bilhões em 2025, crescimento de 7,3% em relação a 2024.

Bolsa Família

O IBGE também apontou redução no número de domicílios com beneficiários do Bolsa Família. A proporção caiu de 18,6% em 2024 para 17,2% em 2025. Em contrapartida, a fatia de lares com beneficiário do BPC-LOAS subiu de 5,0% para 5,3%, maior porcentual da série histórica iniciada em 2012. Já os domicílios que recebiam rendimentos de outros programas sociais passaram de 2,1% para 2,4%.

A participação dos programas sociais no rendimento domiciliar per capita recuou de 3,8% em 2024 para 3,5% em 2025.

“Tal variação está relacionada ao fato de que no último ano houve estabilidade tanto do valor médio pago como benefício pelo conjunto dos programas sociais do governo quanto do total de pessoas que recebiam tais benefícios, enquanto algumas outras categorias de rendimento tiveram aumento nesses componentes”, justificou o IBGE.

O instituto ressaltou ainda que o rendimento médio domiciliar per capita dos lares que recebiam Bolsa Família era de R$ 774 em 2025, menos de 30% do rendimento médio de R$ 2.682 registrado nos domicílios não beneficiados.

Apesar da alta da desigualdade em 2025, o pesquisador do IBGE ponderou que, em uma comparação mais longa, os ganhos foram proporcionalmente maiores entre os mais pobres. Em relação ao período pré-pandemia, o rendimento médio dos 10% mais vulneráveis cresceu 78,7% entre 2019 e 2025, enquanto os 10% mais ricos tiveram aumento de 11,9%. Na média da população, a renda avançou 18,9%.

“Em relação a 2019, as classes mais baixas cresceram bem mais a renda, e a de maior renda foi a que menos cresceu. A situação muda de acordo com o período de referência que a gente está olhando. Se a gente olhar o mercado de trabalho, a gente vê que essas classes mais baixas tiveram ganho de renda importante. Teve também reajuste do salário mínimo e os programas sociais do governo”, afirmou.

(Por Daniela Amorim)

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