Israel diz que Irã lançou mísseis contra o país durante cessar-fogo
RS/Fotos Públicas
Jerusalém - Israel afirmou, neste domingo (7), que o Irã lançou mísseis contra o país, no primeiro ataque desse tipo desde a entrada em vigor de um cessar-fogo no início de abril. O episódio complica os esforços de mediação para um acordo que encerre a guerra. As informações são da Associated Press.
A emissora estatal iraniana confirmou o lançamento dos mísseis, e várias explosões foram ouvidas no norte de Israel. Os militares israelenses disseram que trabalhavam para interceptar os projéteis, mas alertaram que "a defesa não é hermética". Sirenes soaram em diversas áreas do país.
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Teerã havia alertado para uma possível retaliação depois que Israel atacou, neste domingo, os subúrbios do sul de Beirute sem aviso prévio. O ataque contrariou pedido feito por Washington dias antes para que as tropas israelenses se retirassem. Israel disse que a ação foi uma resposta a disparos do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, contra o norte israelense no início do dia.
O ataque israelense a Beirute ocorreu poucos dias depois de os governos do Líbano e de Israel terem concordado com um cessar-fogo em negociações mediadas pelos Estados Unidos. O Hezbollah rejeitou o acordo. Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, o ataque a um prédio residencial matou duas pessoas e feriu 20.
O Irã havia advertido que um ataque a Beirute poderia reacender uma guerra em larga escala no Oriente Médio, enquanto o Paquistão tenta retomar as negociações entre Teerã e Washington. O governo iraniano quer que um eventual acordo inclua o fim da guerra no Líbano.
"Ataque mais cirúrgico"
Os ataques de Israel no Líbano, a ofensiva terrestre contra o Hezbollah e a resistência do grupo ao desarmamento dificultam um acordo mais amplo para encerrar a guerra no Oriente Médio. O Irã afirma que qualquer entendimento deve incluir o fim dos combates no Líbano.
A Casa Branca não comentou o ataque israelense em Beirute. Na segunda-feira (1º), Israel havia anunciado que atacaria os subúrbios do sul da capital libanesa, mas negociações urgentes mediadas por Washington suspenderam a ação, sob a condição de que o Hezbollah parasse de atacar cidades israelenses na fronteira.
O Hezbollah não reivindicou imediatamente a responsabilidade pelos disparos contra Israel neste domingo. O grupo defende o fim das negociações diretas entre Líbano e Israel, e apoia a posição do Irã de que um cessar-fogo mais amplo entre Teerã e Washington inclua a situação libanesa.
Os esforços de mediação continuaram no domingo. O ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, visitou o Irã para conversar com autoridades. O Egito informou que seu ministro das Relações Exteriores, Bader Abdelatty, e o primeiro-ministro e chanceler do Catar, Xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, discutiram "elementos propostos" de um possível acordo, sem dar detalhes.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não comentou a guerra neste domingo. Em entrevista ao programa "Meet the Press", da NBC, gravado na sexta-feira e exibido neste domingo, Trump disse que gostaria de ver um "ataque mais cirúrgico contra o Hezbollah".
Ele também afirmou que "não estava exigindo" que o Líbano fizesse parte de um acordo geral de cessar-fogo na guerra com o Irã.
Enquanto isso, o Irã continuou a consolidar o controle sobre o Estreito de Ormuz, e os Estados Unidos mantiveram o bloqueio aos portos iranianos, afetando cargas de petróleo, gás natural e fertilizantes e causando prejuízos à economia global.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que enfrenta eleições ainda neste ano, quer prosseguir com a ofensiva até avaliar que o Hezbollah deixou de representar uma ameaça.
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