Julgamento de caso Henry Borel é adiado; Justiça mantém prisão de Jairinho
Tomaz Silva/Agência Brasil
São Paulo - O julgamento do caso Henry Borel, que começou nesta segunda-feira, 23, no Tribunal do Júri do Rio, foi adiado para o dia 22 de junho. A sessão foi remarcada após a defesa de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, abandonar o plenário para forçar a suspensão do julgamento sobre os culpados.
Jairinho, que era vereador do Rio de Janeiro à época do crime, e a mãe de Henry, Monique Medeiros, são apontados como culpados pela morte do menino de 4 anos, em 2021.
Leia também: Caso Henry Borel: julgamento começa nesta segunda-feira e terá júri popular
A defesa de Jairinho adotou a estratégia de abandonar o julgamento após a juíza Elizabeth Machado Louro negar os pedidos de suspensão da sessão dos advogados sob a alegação de que não tiveram acesso a todas as provas do processo.
De acordo com os advogados do ex-vereador do Rio, a defesa não teve acesso ao conteúdo completo extraído de um notebook de Leniel Borel, pai de Henry.
A juíza Elizabeth Machado Louro também determinou a soltura de Monique Medeiros. A magistrada concedeu liberdade provisória da ré sob a alegação de que a prisão "manifesta-se ilegal diante do despropositado prazo da prisão".
"Entendo que diante de tal quadro processual, a custódia da ré de agora figura-se manifestamente ilegal por excesso claramente despropositado de prazo na prisão, razão pela qual relaxo a prisão de Monique Medeiros", afirmou a juíza. A prisão de Jairinho foi mantida.
Suspensão
Diante da conduta dos advogados, a magistrada determinou a suspensão da sessão e remarcou o julgamento para o dia 22 de junho.
"É conduta que fere os princípios que norteiam as sessões de julgamento, além dos direitos dos acusados e da família da vítima (...) Declaro como ato atentatório contra a dignidade da Justiça a conduta dos referidos patronos. Condeno os cinco advogados presentes a esta sessão ao ressarcimento dos prejuízos causados pelo adiamento", declarou a magistrada.
A juíza determinou que os advogados de Jairo paguem todos os gastos com deslocamento de membros do Ministério Público, serventuários, jurados, testemunhas, policiais militares, terceirizados, além de gastos com escoltas e alimentação.
Jairinho é acusado de homicídio triplamente qualificado e tortura, enquanto Monique responde por homicídio qualificado por omissão. Ambos também são acusados de coação no curso do processo e fraude processual.
'Monstros'
Antes da suspensão do julgamento, Leniel Borel, pai do menino Henry, chegou ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) com uma camiseta com o rosto do filho e com a expectativa de Justiça após cinco anos de espera pelo julgamento de Monique Medeiros e Jairinho.
São 5 anos que eu sei que cada minutinho aqueles dois nunca imaginaram que seriam presos. Lutamos muito. A condenação é o mínimo para aqueles dois monstros, para que esses perversos que estão por aí, que são como Monique e Jairo."
Henry morreu na madrugada de 8 de março de 2021, aos 4 anos, no apartamento onde morava com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca, na zona sudoeste do Rio de Janeiro. Ele chegou a ser levado a um hospital, mas já estava sem vida.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
