Lula cobra ligação de Trump sobre tarifas e rejeita interferência no Pix
Ricardo Stuckert / PR
Catalão e São Paulo — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira, 2, que espera um telefonema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que ele explique a proposta do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) de aplicar uma tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, segundo o governo americano, se baseia em práticas que oneram ou restringem o comércio dos EUA.
A decisão detalha uma investigação sobre temas como Pix, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. As medidas devem entrar em vigor até 15 de julho, após audiência marcada para 6 de julho.
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"Eu estou esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência, porque esse acordo não pode ter a sua anuência."
O presidente disse ainda, durante cerimônia de inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão (HU-UFCAT), em Goiás, que ambos combinaram 30 dias, até 15 de julho, para uma resposta sobre o que foi proposto, daí a surpresa com a medida "intempestiva".
No evento, afirmou que o Brasil aprendeu a agir de “cabeça erguida”, sem se considerar melhor nem pior do que outros países, e afirmou que não quer guerra com os Estados Unidos, mas busca paz e respeito.
“Eu fiquei preocupado porque acho que o Pix assusta eles”, disse o presidente brasileiro, que chegou ao evento em Catalão segurando um cartaz com a frase “O Pix é do Brasil". Ele afirmou que a preocupação dos norte-americanos é que o Pix possa afetar empresas de cartão de crédito dos EUA que atuam aqui.
Ao longo do dia, o presidente fez duras críticas à família Bolsonaro e alegou que o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, em visita à Casa Branca na semana passada, teria pedido a Trump para intervir no Pix brasileiro. Mas que isso ele não permitirá. “Você acha que a gente vai deixar? Não vai deixar", disse Lula.
Flávio e Marco Rubio
Em meio às repercussões da decisão dos EUA, Flávio Bolsonaro afirmou na tarde desta terça-feira, 2, ter enviado uma carta ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, com quem também se encontrou na semana passada, pedindo que o país desista de impor novas tarifas ao Brasil.
"A imposição de novas tarifas causaria sérios prejuízos ao povo brasileiro - os mesmos cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Portanto, escrevo para reiterar, formalmente, o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil", diz o senador no documento.
Flávio expressou “preocupação” e argumentou que a economia brasileira enfrenta “grave deterioração fiscal e econômica”, com parte da população endividada. Ele também agradeceu a decisão dos EUA de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.
(Por Gabriel Hirabahasi, enviado especial, Geovani Bucci e Naomi Matsui)
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