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Diabético há 52 anos transforma 1.150 frascos de insulina em obra de arte

Reprodução Instagram / @underoneroof_ronsartprize e @phordprefect

Para a construção do projeto, ele contou com a ajuda de sua esposa e de sua irmã - Reprodução Instagram / @underoneroof_ronsartprize e @phordprefect
Para a construção do projeto, ele contou com a ajuda de sua esposa e de sua irmã
Por Emanuele Almeida

29/05/2026 | 15h17

São Paulo - O americano Ron Koole, que convive com a diabetes tipo 1 há 52 anos, encontrou na arte uma forma poderosa de documentar e expressar sua jornada de mais de meio século convivendo com a doença. Ele passou décadas guardando as embalagens de sua dose diária de insulina e transformou o que seria lixo hospitalar em uma impactante instalação artística.

A obra, intitulada "No Days Off" ("Sem Folga", em tradução livre), consiste em uma seringa gigante e um "troféu de sobrevivência". Para dar vida ao projeto, que concorre na competição internacional ArtPrize 2026, no Michigan (EUA), o artista utilizou mais de 1.150 frascos de insulina, colecionados meticulosamente ao longo das cinco décadas de convivência com o diabetes.

Para a construção do projeto, ele contou com a ajuda de sua esposa e de sua irmã, que o apoiam e acompanham de perto sua rotina de vigilância constante.

Em depoimento publicado em seu Instagram, Koole explicou a profundidade e a mensagem por trás de sua obra. Segundo o artista, individualmente, os frascos são apenas objetos médicos descartáveis, usados e esvaziados sem cerimônia, mas unidos ganham um significado muito maior.

Juntos, eles representam não apenas a sobrevivência, mas décadas de gestão cuidadosa, disciplina e resiliência", diz.

A escultura

O nome da escultura foi inspirado no livro de memórias do jogador profissional de hóquei Max Domi, que também convive com o diabetes tipo 1.

Em sua postagem, Koole descreve que a frase "No Days Off" reflete a dura realidade de quem tem a doença, exigindo uma rotina implacável e ininterrupta, 24 horas por dia.

O controle diário exige um equilíbrio milimétrico entre insulina, alimentação, atividade física, estresse e hormônios para manter os níveis saudáveis de glicose no sangue. "Não há dias de folga e nem atalhos. A carga emocional e mental é muitas vezes pesada e requer uma equipe forte e solidária", desabafou na rede social.

Apesar do peso do diagnóstico que recebeu em 1974, o depoimento de Ron Koole no Instagram deixa uma mensagem inspiradora e otimista para o público, afirmando que os avanços na tecnologia aliviaram o fardo da doença, mas a disciplina exigida continua a mesma.

"Este trabalho não é sobre doença. É sobre persistência e esperança - o trabalho silencioso e repetitivo não apenas para permanecer vivo, mas para ter uma vida plena, ativa e saudável", concluiu o artista.

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