Idosa símbolo da luta contra despejos na Espanha morre aos 87 anos
Após Maricarmen Abascal ser despejada, protestos tomaram a Espanha, que vive uma crise habitacional; revolta levou à convocação de eleições no país
Por Bárbara Ferreira
07/10/2026 | 18h03Reprodução / Sindicato de Inquilinos de Madrid
Maricarmen Abascal, símbolo da luta contra despejos na Espanha, faleceu aos 87 anos após ser expulsa de seu lar de 70 anos, o que gerou revolta popular e convocação de novas eleições no país.
O despejo ocorreu devido à recusa de Maricarmen em aceitar um aumento de aluguel de 275%, que superava sua aposentadoria, e desde 2020, ela enfrentou quatro tentativas de despejo, mobilizando vizinhos e sindicatos em sua defesa.
Após intensos protestos e tentativas de implementar normas para proteger inquilinos foram rejeitadas pelo Congresso, o primeiro-ministro Pedro Sánchez convocou eleições antecipadas para 29 de novembro.
São Paulo - Maricarmen Abascal morreu aos 87 anos, nesta quarta-feira, 7 de outubro, conforme divulgou o Sindicato de Inquilinos de Madri. Ela se tornou um símbolo da luta contra despejos na Espanha, depois que foi expulsa do imóvel onde morou por 70 anos. O país vive uma crise habitacional. A revolta popular pelo desepejo da idosa levou à convocação de novas eleições.
Ela precisou deixar seu imóvel no bairro de Reitno, em Madri, em 23 de setembro. Desde então, estava internada no Hospital Gregorio Marañón, na capital espanhola, mas acabou falecendo. A causa da morte não foi divulgada.
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O desepejo levou a uma grande pressão dos manifestantes, o que fez a empresa proprietária do imóvel aceitar fazer um novo contrato de aluguel para que Maricarmen pudesse voltar ao apartamento. O acordo foi fechado durante a internação, mas ela morreu antes de voltar para casa.
O Sindicato relembra uma fala importa de Maricarmen:
Lutem, continuem lutando pelo que é de vocês”.
Maricarmen Abascal, símbolo da luta contra despejos na Espanha
Despejo de Maricarmen Abascal
Segundo o Sindicato de Inquilinos de Madri, ela chegou à casa ainda criança, quando os pais assinaram um contrato de aluguel, em 1956. O despejo teria ocorrido porque ela se recusou a aceitar um reajuste de aluguel de 275%, feito porque o proprietária queria vender o imóvel.
O valor pedido superava a aposentadoria dela, de 1.400 euros. O aluguel no contrato era antigo, somado às contas, ficava em cerca de 500 euros. Desde 2020, a idosa enfrentou quatro tentativas de despejo.
Com a mobilização de vizinhos e sindicatos, conseguiram postegar o despejo e apresentar propostas ao Ministério da Habitação para resolver a situação de Maricarmen. No entanto, ela precisou deixar o local há duas semanas.
Protestos e nova eleição
"Não estamos diante de um caso isolado. O que aconteceu com Maricarmen é o reflexo de um modelo habitacional que protege o negócio imobiliário e abandona aqueles que construíram nossos bairros ao longo de décadas", afirma o Sindicato de Inquilinos de Madri.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchéz, chegou a propor um pacote de normas para impedir os despejos no país e barrar aumentos dos aluguéis, o que foi rejeitado pelo Parlamento.
Diante da intensificação dos protestos, na segunda-feira, 5 de outubro, Sanchéz optou por convocar eleições antecipadas para o país. Seu mandato duraria até o fim de 2027, mas o novo pleito será realizado em 29 de novembro.
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