Operação da PF investiga Banco Digimais e bloqueia bens de Edir Macedo
Reprodução/Presidência da República
São Paulo - A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira, 23, Operação Miragem, que investiga crimes contra o Sistema Financeiro Nacional na gestão do Banco Digimais. A Justiça Federal em São Paulo determinou o sequestro e o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e valores dos investigados, incluindo o proprietário do banco e líder da Igreja Universal, Edir Macedo.
Mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão na capital paulista. A decisão judicial também autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos.
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As investigações começaram a partir de relatórios enviados pelo Banco Central do Brasil (BC) à PF. O órgão identificou indícios de que o banco utilizava fundos de investimentos para ocultar um rombo bilionário.
"Os investigados teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, para aparentar solvência perante os órgãos de controle e para viabilizar operações supostamente irregulares", informou a PF.
Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, entre os alvos dos mandados de busca estão dirigentes do Digimais, como o bispo João Urbaneja e seu filho, Thiago Urbaneja, além de proprietários do grupo ID, responsável pela gestão dos fundos do banco. O bispo Edir Macedo não foi alvo das buscas domiciliares, pois reside fora do Brasil.
Esquema apontado pela PF
De acordo com a apuração da PF, após Edir Macedo assumir o controle do Banco Digimais, a instituição focou a atuação em crédito consignado e financiamento de veículos. A estratégia trouxe um crescimento rápido no início, mas logo depois a empresa entrou em forte deterioração financeira, acumulando prejuízos altos.
Para tentar recompor o caixa entre os anos de 2023 e 2024, o banco emitiu Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas superiores a 110% do CDI.
A Polícia Federal detalhou que a emissão de títulos, somada à decretação de liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, acabou expondo o Banco Digimais a carteiras de crédito ligadas a essa instituição.
Segundo os investigadores, havia uma prática de superavaliação recorrente de ativos colocados em fundos administrados pela corretora ID. Dessa forma, ao atribuir valores mais altos a esses ativos, o Digimais aparentava ter um patrimônio maior e uma situação financeira mais sólida do que a real.
Com isso, o banco ganhava margem para emitir mais títulos de captação e levantar mais recursos em volumes que, com uma avaliação correta, provavelmente não seriam considerados adequados.
De acordo com a PF, os suspeitos são investigados pelas condutas criminosas no âmbito de suas responsabilidades institucionais. As tipificações penais incluem gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas por lei.
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