CONFIRA

Moacir Santos, 100 anos: conheça a história do gênio da música brasileira

O grande expoente da música instrumental é comparado a nomes como Duke Ellington, por sua contribuição à música; 2026 é o ano de seu centenário

Adriana Del Ré

Por Adriana Del Ré

25/09/2026 | 17h58

Reprodução/Site Instituto Moreira Salles

O compositor, arranjador e maestro Moacir Santos ocupa o mesmo panteão de nomes como Villa-Lobos e Jobim - Reprodução/Site Instituto Moreira Salles
O compositor, arranjador e maestro Moacir Santos ocupa o mesmo panteão de nomes como Villa-Lobos e Jobim
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Moacir Santos, um dos principais nomes da música instrumental brasileira, completaria 100 anos em 2026, sendo reconhecido como o 'Duke Ellington brasileiro' por sua contribuição à fusão de ritmos afro-brasileiros e jazz, o que inspirou homenagens como um concerto gratuito em São Paulo.

Nascido em Pernambuco e enfrentando dificuldades desde a infância, Santos se destacou como um prodígio musical, integrando importantes bandas e se tornando um influente professor para artistas que moldariam a bossa nova e o samba-jazz.

Após um período de esquecimento, sua obra foi redescoberta por músicos e produtores a partir de 2001, resultando em relançamentos e novos projetos, reafirmando seu legado e importância na música brasileira, especialmente em seu centenário.

Resumo gerado por IA

São Paulo – Um dos grandes expoentes da música instrumental brasileira, Moacir Santos celebraria 100 anos (1926-2006) neste ano. Quando sua história é relembrada, o maestro, compositor, arranjador e multi-instrumentista pernambucano, não raro é associado a seu apelido, "Duke Ellington brasileiro", em referência ao célebre compositor de jazz e pianista norte-americano.

A comparação partiu carinhosamente de outro gênio da música, o trompetista norte-americano Wynton Marsalis, fã do brasileiro. Mas, olhando em retrospecto, o próprio nome de Moacir Santos deveria adjetivar instrumentistas com talento fora da curva.

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Sua música é tão linda, cheia de amor e vida. Ele merece muito ser reconhecido porque sua obra é inacreditável."
Marsalis

Estreitando as fronteiras entre a música popular e erudita, Moacir deixou sua marca na música, unindo ritmos afro-brasileiros, sofisticação harmônica, jazz e arranjos orquestrais. Por conta desse legado, seu centenário tem inspirado homenangens, como o concerto que o Grupo Danzaghi apresenta gratuitamente neste sábado, 26, na Arena da Marquise, Parque Ibirapuera, em São Paulo. 

Comandado por um coletivo formado por estudantes da Escola de Música do Parque, a proposta do espetáculo é justamente reforçar essa escrita do compositor que ajudou a moldar a conexão entre o jazz e a MPB.

O órfão que foi acolhido pela música

Nascido em 26 de julho de 2026, na Serra Talhada, no sertão pernambucano, Moacir José dos Santos enfrentou desde cedo o racismo e a extrema pobreza. Foi órfão de mãe aos 3 anos e criado por uma família adotiva na cidade de Flores (PE).

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Desde novo, mostrou-se um talento prodígio ao aprender sozinho a tocar praticamente todos os instrumentos da banda marcial local. Aos 14 anos, fugiu de casa e iniciou uma peregrinação de oito anos pelo Nordeste, atuando em bandas militares e orquestras itinerantes de circo.

A virada profissional aconteceu em João Pessoa, na Paraíba, onde passou a integrar a jazz band da Rádio Tabajara, assumindo sua regência em 1947. No ano seguinte, mudou-se para o Rio, para atuar como saxofonista e, depois, arranjador na Rádio Nacional, grande símbolo da chamada "Era de Ouro do Rádio".

Determinado a dominar a alta teoria musical, ele estudou com grandes mestres da música erudita, como Hans-Joachim Koellreuter (de quem foi assistente), Claudio Santoro e Guerra-Peixe.

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Essa bagagem fez de Moacir o professor de uma geração que inventaria a bossa nova e o samba-jazz. Nomes como Baden Powell, João Donato, Nara Leão, Roberto Menescal e Sérgio Mendes foram alguns de seus ilustres alunos. Sua capacidade de transitar por diferentes universos deu origem à famosa bênção poética de Vinicius de Moraes, em parceria com Baden Powell, em "Samba da Bênção":

A bênção, Moacir Santos, tu que não és um só, és tantos.”

Consagração internacional

Capa do disco "Coisas" traz Moacir Santos de perfil
O clássico "Coisas", de Moacir Santos, está à venda em LP - Reprodução

Entre o final dos anos 1950 e meados dos anos 1960 – período de grande destaque em sua carreira –, a presença de Moacir Santos marcou álbuns históricos de artistas como Elizeth Cardoso, Vinicius de Moraes e Baden Powell. 

Em 1965, veio um divisor de águas: seu álbum solo de estreia, "Coisas". Em vez de usar termos eruditos como Opus, ele nomeou as faixas simplesmente como "Coisa nº 1", "Coisa nº 2" e assim por diante. Considerado um dos maiores discos da história da música brasileira, “Coisas” foi lançado em formato LP em 2013, dentro da coleção “Clássicos em Vinil”, pela Polysom, e permanece em seu catálogo até hoje. 

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Em 1967, Moacir decidiu se mudar para os EUA, fixando residência em Los Angeles. Na meca do cinema, trabalhou na criação de trilhas para Hollywood. Sua carreira como solista no exterior ganhou impulso definitivo em 1971, quando o pianista Gil Evans gravou seu clássico "Nanã" (parceria com Mário Telles).

Ainda nos anos 1970, Moacir lançou os álbuns "Maestro" (1972), indicado ao Grammy, "Saudade" (1974) e "Carnival of the Spirits" (1975), sob a chancela da Blue Note Records.

Resgate e legado 

Durante as décadas de 1980 e 1990, ele ficou fora do radar no Brasil, até um resgate importante de sua obra para as novas gerações ter sido liderado pelos músicos e produtores Mario Adnet e Zé Nogueira, a partir de 2001.

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Juntos, idealizaram o aclamado CD duplo "Ouro Negro" (2001), recheado de arranjos originais e participações de nomes como Milton Nascimento e Gilberto Gil. A dupla também promoveu o relançamento de "Coisas" em CD (2004), a edição de três songbooks e a gravação de "Choros e Alegrias" (2005), revelando composições inéditas do maestro.

Mestre na arte de costurar o popular e o erudito, o frevo e o jazz, o choro e a atonalidade, Moacir Santos criou harmonias complexas que o colocam no mesmo panteão de compositores como Heitor Villa-Lobos e Tom Jobim.

O maestro morreu aos 80 anos, no dia 6 de agosto de 2006, em decorrência de complicações de um AVC, na Califórnia. Apesar de sua relevância para a cultura brasileira, ele muitas vezes não recebeu em vida o devido reconhecimento. Que no ano de seu centenário, sua obra seja, mais uma vez, redescoberta – e, agora, em definitivo.

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Serviço

  • Concerto com Grupo Danzaghi - Homenagem a Moacir Santos
  • Data: 26 de setembro (sábado), das 11h30 às 12h30 
  • Local: Arena da Marquise, Parque Ibirapuera 
  • Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n, entrada pelos portões 2 ou 3, São Paulo
  • Entrada: Gratuita

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