Polícia do DF investiga mortes por injeção de substância letal em hospital
Divulgação: Polícia Civil DF
São Paulo, 20/01/2026 - A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a morte de ao menos três pacientes na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga, após a aplicação de substâncias letais. Até o momento, três ex-técnicos de enfermagem da instituição foram presos por envolvimento nos crimes.
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A ação, batizada de Operação Anúbis, efetuou as primeiras prisões no dia 11 de janeiro, de um homem e uma mulher, ambos técnicos de enfermagem do hospital. No dia 15, uma mulher também foi detida, e dispositivos eletrônicos foram apreendidos para perícia. Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (19), o delegado Wisllei Salomão confirmou que um dos técnicos confessou o crime, contudo, não foi confirmado qual substância foi injetada nas vítimas.
As vítimas são João Clemente Pereira, 63 anos; Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos; e Miranilde Pereira da Silva, 75 anos.
João Clemente Pereira era supervisor de manutenção na Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb). Por meio dos advogados, Elias Manoel e José Francisco Alves, a família lamentou o ocorrido. "Até então, a família acreditava que o falecimento havia ocorrido por causas naturais, em razão do quadro clínico apresentado. Contudo, no dia 16 de janeiro, tomou conhecimento de informações que indicam circunstâncias graves e incompatíveis com uma morte natural", diz a nota.
A família afirmou que não irá se manifestar sobre detalhes do caso no momento por ainda não ter acesso aos autos do inquérito policial.
Marcos Raymundo Fernandes Moreira trabalhava como carteiro dos Correios, lotado no CDD de Brazlândia. O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Distrito Federal (Sintect-DF) confirmou o óbito e expressou pesar. "Nossa solidariedade vai para os familiares, amigos e colegas de trabalho neste momento de despedida e dor", disse a entidade.
Professora aposentada, Miranilde Pereira da Silva atuava na Regional de Ensino de Ceilândia. O Sinpro-DF (Sindicato dos Professores do Distrito Federal) também se manifestou. "O Sinpro-DF se solidariza com familiares, amigos, colegas de trabalho e toda a comunidade escolar neste momento de dor", disse.
Como o crime aconteceu
Segundo a investigação, o suspeito acessava o sistema do hospital passando-se por médico para prescrever medicações que, em dosagens específicas, eram fatais.
"Ele escondia o medicamento no jaleco, aplicava na veia dos pacientes e aguardava a reação. Quando o medicamento acabava, ele chegava a aplicar desinfetante no paciente por mais de dez vezes", relatou o delegado.
A operação baseou-se na análise de prontuários e imagens das câmeras de segurança, que registraram as ações dos suspeitos. No total, foram confirmadas três mortes: duas em novembro e uma em dezembro de 2025.
A ação das técnicas de enfermagem visavam auxiliar o autor principal dos crimes. Segundo o delegado, elas estavam no mesmo ambiente enquanto ele aplicava o medicamento nos pacientes, ajudando-o ou vigiando a porta.
A diretora do Instituto Médico Legal (IML-DF), Márcia Reis, reforçou que a conduta não poderia ser considerada um erro técnico. Devido à formação e experiência, os profissionais tinham pleno conhecimento dos efeitos fatais das substâncias utilizadas.
As técnicas de enfermagem que auxiliaram nas ações serão indiciadas como cúmplices de homicídio qualificado. Se condenados, os envolvidos podem pegar penas de 12 a 30 anos de prisão. A polícia agora investiga se mortes anteriores podem ter ocorrido nas mesmas circunstâncias.
Posição do Conselho de Enfermagem
O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) informou, em nota, que apura a conduta ética dos profissionais de forma autônoma às esferas criminal e cível. A entidade esclareceu que, após a conclusão de um eventual Processo Ético-Profissional, as sanções podem variar de advertência até a cassação definitiva do registro profissional.
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