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Primeira morte por dengue em 2026 coloca especialistas em alerta

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O governo do Estado de São Paulo anuncia a primeira morte do ano por dengue, e especialistas reconhecem a dificuldade mundial no combate - Envato
O governo do Estado de São Paulo anuncia a primeira morte do ano por dengue, e especialistas reconhecem a dificuldade mundial no combate
Por Marcel Naves

17/01/2026 | 09h44

São Paulo, 17/01/2026 - A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo confirmou ontem, a primeira morte do ano por dengue. Tratasse de um homem de 53 anos, morador da cidade de Nova Guataporanga, próxima de Presidente Prudente, na região Oeste do estado, a 680 quilômetros da capital pauslista.
O Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) divulgou, em nota, que a vítima apresentou os primeiros sintomas da doença no dia 3 de janeiro. A data pertence à Semana Epidemiológica 53 do ano de 2025, que se refere ao período de 28 de dezembro de 2025 a 3 de janeiro deste ano. Os casos são informados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), cuja notificação é compulsória e realizada a partir do primeiro dia do início dos sintomas.

Território Nacional

Segundo o Ministério da Saúde, os casos de dengue no País em 2026 somam 9.667, com três óbitos em investigação. Em 2025, foram 1.665.793 casos prováveis e 1780 óbitos. O período de maior incidência da dengue no Brasil nos últimos dois anos foi entre o começo de março (oitava semana) e o final de maio (vigésima semana). Neste ano, o Estado já registra 971 casos confirmados e 3.389 em investigação, dentre os quais dois óbitos.
Há até o momento três casos de dengue graves confirmados em território paulista. Os municípios com maior incidência da doença são Araçatuba, Presidente Prudente e Taubaté, com 13,58 e 6,68 casos a cada 100 mil habitantes, respectivamente. 

Difícil combate

Para o  infectologista, consultor científico do Richet/Rede D'Or e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, José Cerbino Neto, o enfrentamento dadengue no Brasil tem basicamente três frentes de atuação bem caracterizadas, são elas:
  • A  questão do controle vetorial, que são as estratégias para controlar o mosquito Aedes aegypti.
  • As campanhas de vacinação, para prevenir os casos.
  • As estratégias de atendimento assistenciais para evitar os óbitos e a evolução para as formas graves. 
Apesar disso, o infecotologista destaca que existe um desafio mundial no controle do vetor do Aedes,  que é o fato dele estar expandindo em áreas onde antes não era identificado. Isso torna cada vez mais dificil o seu combate. 
“Até o momento, a gente realmente não tem uma estratégia que seja bem sucedida em nenhum local do mundo, algo que a gente possa aplicar e fazer esse controle. Na verdade, talvez esse seja o maior desafio para o controle da dengue”, ressalta o infectologista. 
O médico José Cerbino lembra que Brasil foi o primeiro País a incorporar a vacina no programa de vacinação. Mas o médico ressalta que a vacinação inicial acabou sendo incorporada em uma faixa etária restrita para crianças e adolescentes, considerada pequena perto do percentual de população que pode ser vacinado.

Vacinação 

O patologista e diretor médico do Richet Medicina & Diagnóstico, Helio Magarinos Torres Filho, esclarece que a vacina contra a dengue está disponível no Brasil tanto na rede pública quanto na rede privada. A Qdenga é produzida pela farmacêutica japonesa Takeda, sendo composta por vírus atenuados, oferecendo assim uma proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue.
Estudos clínicos indicam que a Qdenga apresenta 84% de eficácia na prevenção de hospitalizações por dengue, com proteção sustentada por pelo menos 4,5 anos. A vacina é indicada para pessoas de 4 a 60 anos, independentemente de infecção prévia pela doença. O esquema vacinal prevê duas doses, com intervalo de três meses entre elas.
No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacinação segue critérios definidos pelo Ministério da Saúde. De forma geral, a elegibilidade é restrita a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, mas essa faixa etária pode variar conforme a região, de acordo com a disponibilidade de doses e situação epidemiológica local. No Rio de Janeiro, por exemplo, a vacinação foi ampliada para a faixa etária de 10 a 16 anos.
Por se tratar de uma vacina de vírus atenuado, a Qdenga não é indicada para gestantes, lactantes, idosos, pessoas imunossuprimidas ou em uso de medicamentos imunossupressores, seguindo as mesmas precauções aplicadas a outros imunizantes dessa categoria.
“Em relação ao esquema vacinal, não há recomendação de dose de reforço para quem já completou as duas doses. Já as pessoas que receberam apenas uma dose devem completar o esquema com a segunda aplicação, sem necessidade de reiniciar o ciclo vacinal”, alerta o especialista Helio Magarinos Torres Filho.
O médico patologista destaca que, além da Qdenga, uma nova vacina contra a dengue passou a integrar o cenário nacional. No final de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a vacina Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante é indicado para pessoas de 12 a 59 anos e tem como principal diferencial a aplicação em dose única.
A vacinação com a Butantan-DV teve início em cidades-pilotoMaranguape (CE), Nova Lima (MG) e Botucatu (SP) — e a expectativa do Ministério da Saúde é ampliar gradualmente a distribuição ao longo de 2026. Os estudos clínicos demonstraram eficácia semelhante à da Qdenga, mas com a vantagem logística de exigir apenas uma dose.

Cuidados essenciais 

A melhor e mais eficaz forma de prevenção contra a dengue ainda é o combate ao seu vetor, o mosquito Aedes aegypti. Ações simples e constantes no dia a dia podem evitar a proliferação do mosquito e, consequentemente, a transmissão da doença.
A principal medida é evitar que a água se acumule em recipientes, pois é nela que o mosquito deposita seus ovos. As ações mais importantes incluem:
  • Evite deixar água parada em potes, garrafas, vasos de plantas, galões, pneus e quaisquer outros recipientes ao ar livre.
  • Cubra adequadamente caixas d'água, tanques e quaisquer reservatórios para manter os mosquitos afastados.
  • Recolha lixos e detritos ao redor das casas, mantenha as lixeiras tampadas, e não jogue lixo em terrenos baldios.
  • Retire sempre a água acumulada dos pratinhos dos vasos ou preencha-os com areia.
  • Guarde garrafas vazias de cabeça para baixo.
  • Entregue pneus velhos ao serviço de limpeza urbana ou guarde-os em local coberto. Se possível, faça furos no pneu para evitar o acúmulo de água.
  • Retire a água acumulada da bandeja externa da geladeira e lave-a com água e sabão.
  • Mantenha calhas, lajes e ralos desobstruídos.
  • Mantenha a água da piscina sempre tratada com cloro e realize a limpeza semanalmente.

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