Prefeita de Juiz de Fora pede redução de atividades para evitar circulação
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São Paulo, 24/02/2026 - A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), orientou que a população adote, nesta terça-feira, 24, atividades reduzidas para evitar deslocamentos pela cidade, que enfrenta um estado de calamidade pública em razão das chuvas intensas. Segundo a gestora, fevereiro acumulou até agora 584 mm de precipitação, tornando-se o mês mais chuvoso da história do município.
"Não estou dizendo que devemos fechar o comércio, mas, considerando a dificuldade das pessoas para se deslocarem aos seus locais de trabalho, devemos ter um dia de recuperação e restauração, até que a normalidade seja restabelecida", disse ela em um vídeo publicado ainda durante a madrugada.
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Juiz de Fora amanheceu com áreas alagadas e bairros isolados, além de pontos onde o Rio Paraibuna e córregos transbordaram. Diversas regiões registraram deslizamentos e quedas de árvores, além do desabamento de dois prédios. A prefeita suspendeu as aulas das escolas municipais e recomendou que os servidores da prefeitura trabalhem remotamente nesta terça-feira.
Margarida destacou que o decreto de calamidade, assinado também durante a madrugada, permite à administração receber recursos federais e estaduais, além de mobilizar voluntários e coordenar campanhas de arrecadação de bens essenciais para atender as pessoas afetadas.
A prefeitura informou que ao menos 16 pessoas morreram e cerca de 440 moradores permanecem desabrigados. As buscas por desaparecidos continuam. Ao todo, foram registradas 251 ocorrências relacionadas às chuvas.
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É uma situação extrema que exige medidas extremas. Nossa maior preocupação é a segurança da população e a preservação de vidas."
A gestora acrescentou que todas as ações estão sendo coordenadas pela subsecretaria de Defesa Civil.
No bairro Nossa Senhora de Lourdes, foram registrados 186,1 milímetros de chuva apenas na segunda-feira. No mesmo período, o bairro Santa Rita acumulou 172,7 milímetros, e o Distrito Industrial, 161,2 milímetros.
O Rio Paraibuna subiu 65 centímetros em apenas 30 minutos e transbordou em diferentes pontos. Por causa disso, a Ponte Vermelha, no bairro Santa Terezinha, e o mergulhão da Avenida Barão do Rio Branco, no centro, foram bloqueados.
Também foram registradas dezenas de deslizamentos e quedas de árvores, que bloquearam vias em diferentes regiões, além do transbordamento de três córregos.
Em publicação no X, o presidente Lula disse que determinou "pronta mobilização" do governo federal. Anunciou que uma equipe de coordenação da Força Nacional do SUS está a caminho da região e que a defesa civil nacional também trabalha em "regime de alerta máximo".
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Ubá também enfrenta situação crítica
O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais informou que outras quatro pessoas morreram em decorrência das fortes chuvas na cidade de Ubá, também na Zona da Mata, a cerca de 110 quilômetros de Juiz de Fora.
Foram registrados deslizamentos e quedas de árvores, que bloquearam vias em diferentes regiões, além do transbordamento de três córregos e do desabamento de duas edificações. Pessoas foram resgatadas pela equipe do Corpo de Bombeiros na cidade mineira.
Por meio das redes sociais, a prefeitura informou que, devido à inundação que comprometeu a estrutura de imóveis públicos, os atendimentos na Farmácia Municipal, Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), Policlínica Regional e EAP Central estão temporariamente suspensos. O Serviço de Transportes Assistenciais também está suspenso.
"Os atendimentos de hemodiálise serão mantidos, dentro das condições possíveis. As equipes já atuam para restabelecer os serviços o mais breve possível. Novas informações serão divulgadas pelos canais oficiais", disse o município.
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Sudeste
As fortes chuvas que atingiram os Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro na última semana mataram ao menos 23 pessoas.
O Estado de São Paulo registrou mais duas mortes provocadas pelas chuvas nas últimas semanas, elevando para 19 o total de vítimas durante o verão.
Na última semana de fevereiro, as instabilidades devem aumentar na capital e em outras regiões do Estado. As chuvas ocorrem em pancadas irregulares e podem ser fortes, especialmente entre terça-feira e sexta-feira.
A Defesa Civil emitiu um alerta para chuvas intensas neste período em todo o Estado. Segundo o órgão, há maior risco de alagamentos, deslizamentos e outros transtornos, especialmente em áreas vulneráveis.
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A partir de quinta-feira, o avanço de uma frente fria pelo oceano e a formação de uma área de baixa pressão ao largo da costa do Sudeste devem reforçar as instabilidades na capital, de acordo com informações da Climatempo.
As pancadas podem se estender pela manhã, tarde e noite, com temperaturas ligeiramente mais amenas.
No fim de semana, o céu deve ficar mais encoberto, com chuvas menos intensas, mas ainda com condições para pancadas isoladas.
No litoral, cidades que já enfrentaram um final de semana chuvoso mantêm o risco de novos transtornos. No interior, pancadas isoladas podem ocorrer à tarde e à noite, com possibilidade de temporais, rajadas de vento e trovoadas.
Desde 1º de dezembro, a Defesa Civil mantém ativa a Operação Chuvas 2025/2026, que segue até 31 de março com ações de monitoramento relacionadas ao período.
Na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, uma mulher morreu afogada dentro de sua própria casa.
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(com Gabriel Hirabahasi)
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