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Primeira encíclica do papa Leão XIV terá foco na inteligência artificial

Salvatore Esposito/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

Para Leão XIV, a IA deve servir à dignidade e à voz humanas - Salvatore Esposito/Agência O Dia/Estadão Conteúdo
Para Leão XIV, a IA deve servir à dignidade e à voz humanas
Por Estadão Conteúdo

18/05/2026 | 18h54

São Paulo - O Vaticano anunciou nesta segunda-feira, 18, que Magnifica humanitas será o título da primeira encíclica de Leão XIV, "sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial". O documento será publicado em 25 de maio e leva a assinatura do papa com a data de 15 de maio, no 135.º aniversário da promulgação da encíclica Rerum Novarum, do papa Leão XIII.

A data historicamente é usada pelos pontífices católicos para documentos envolvendo a chamada Doutrina Social da Igreja. Além disso, os assuntos sociais são caros a Robert Prevost, que por isso escolheu o nome de Leão.

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Não foram divulgados detalhes sobre o texto, mas não deve ficar distante de mensagens e ações recentes do americano. No dia 16 - justamente na data seguinte à assinatura da encíclica - foi lançada a Comissão Interdicasterial sobre a IA, com o objetivo de promover o intercâmbio de informações e projetos sobre o tema "incluindo as políticas de seu uso dentro da Santa Sé".

No domingo, ainda foi comemorado em vários países o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2026. Para a data, Leão XIV escreveu um texto sob o lema "Preservar vozes e rostos humanos" em que convida a não perder de vista a centralidade da pessoa diante de uma tecnologia cada vez mais poderosa e onipresente

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Nesta época da inteligência artificial, encorajo todos a se empenharem em promover formas de comunicação que respeitem sempre a verdade do homem, para a qual orientar toda inovação tecnológica."

Algoritmos e talento humano

O desafio, detalha o pontífice no texto, não é impedir a inovação digital, mas melhor orientá-la, além de compreender os algoritmos. Na mensagem, Leão XIV também alerta para não renunciarmos ao talento humano, entregando-o às máquinas, porque assim não será possível crescer como pessoas em relação a Deus e aos outros. "Isso significa esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz." Ele vai além, ao citar as big techs.

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Por trás desta enorme força invisível que a todos envolve está apenas um pequeno grupo de empresas, cujos fundadores foram recentemente apresentados como os criadores da ‘pessoa do ano de 2025’, ou seja, os arquitetos da inteligência artificial."

Para o pontífice, isto suscita uma preocupação importante em relação ao controle oligopolístico dos sistemas algorítmicos e de inteligência artificial capazes de orientar sutilmente os comportamentos e até mesmo de reescrever a história da humanidade. Isto inclui, segundo ele, a história da Igreja, muitas vezes sem que possamos ter real consciência disso.

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