Primeira usina de dessalinização de São Paulo será instalada em Ilhabela
Foto: Divulgação/Governo de SP
São Paulo - Transformar água do mar em água potável. Esta é a meta de um projeto que teve início em Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo. As obras que começaram neste ano estão na fase inicial, com os trabalhos de preparação do terreno. A primeira etapa da estrutura deve ser concluída até o fim de 2027, enquanto a entrega completa está prevista para 2029.
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A estrutura que irá contar com investimentos da Sabesp de aproximadamente R$ 56,4 milhões irá beneficiar principalmente os moradores das regiões central e norte da ilha, desde Piuva/Barra Velha até Ponta das Canas, passando por Green Park, Reino, Itaguaçu, Itaquanduba, Engenho D’Água, Saco da Capela, Centro, Praia Feia, Barreiros, Siriuba, Pedra do Sino e Armação. Outro problema que deve ser resolvido diz respeito a falta de água que atinge turistas, sobretudo em dias de maior movimento.
Como será a captação
Atualmente, a Sabesp faz a captação num trecho do Ribeirão Água Branca onde a água ainda é doce. Com o novo sistema, a Companhia ampliará a captação, realizando essa etapa também em um trecho mais próximo ao encontro com a água do mar, o que torna necessário o processo de dessalinização.
O projeto prevê a captação de 40 litros de água por segundo do Ribeirão Água Branca. Esse ponto do rio sofre influência do mar, deixando a água salobra ou salgada. Desse volume captado do córrego, cerca de 30 litros por segundo serão transformados em água própria para consumo humano e abastecimento público.
A estimativa é que a produção aumente em 20% a oferta de água no município, beneficiando aproximadamente 60 mil moradores e visitantes das regiões Central e Norte da cidade.
Segundo Roberval Tavares, diretor de Engenharia e Inovação da Sabesp, entre as vantagens da dessalinização está o fato de ela ser uma fonte constante de abastecimento.
Não depende das chuvas, garante previsibilidade na produção de água e pode ser implantada próxima a áreas urbanas, o que reforça a segurança hídrica.”
Como irá funcionar a usina
A obra compreende a implantação de sistemas de bombeamento, tubulações e reservatórios para todo o processo envolvendo a captação no Ribeirão Água Branca. Entre as ações constam a elevação, adução, reservação da água bruta, tratamento e reservação da água tratada, doce e potável.
Para remover o sal e outras impurezas da água salgada ou salobra (com menos concentração de sal) e torná-la apropriada ao consumo humano será utilizada uma tecnologia baseada na chamada “osmose reversa”, que consiste na aplicação de alta pressão sobre a água salgada, forçando-a a atravessar membranas semipermeáveis que retém os sais dissolvidos.
Uma tecnologia já empregada
No Brasil, há iniciativas de transformar água salobra em água potável no Nordeste, como o Programa Água Doce, implantado no semiárido com a usina Dessal Ceará, em Fortaleza, que garante o abastecimento na região metropolitana da capital cearense. No Sudeste, o processo é adotado somente em âmbito industrial, para garantir autossuficiência no Porto de Tubarão, localizado no Espírito Santo.
No cenário internacional, países como Israel, Arábia Saudita, Austrália e Espanha estão entre os líderes em projetos de dessalinização em larga escala.
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