Brasil reduz pela metade número de escolas públicas sem água em um ano, diz UNICEF
Marcelo Camargo/Agência Brasil
São Paulo - O Brasil reduziu pela metade o número de escolas públicas sem acesso à água entre 2024 e 2025, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Dados do Censo Escolar mostram que o total caiu de 2.512 para 1.203 escolas, beneficiando cerca de 100 mil estudantes, que passaram a ter acesso ao recurso nas instituições de ensino.
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O avanço foi divulgado pela entidade em celebração ao Dia Mundial da Água, comemorado neste domingo, 22 de março.
Apesar da redução, o problema permanece concentrado na zona rural. Em 2025, 96% das escolas sem água estavam fora dos centros urbanos, o que representa 1.149 escolas. Apenas 54 escolas nessa condição estavam em áreas urbanas.
Escolas localizadas em áreas rurais apresentam, historicamente, um déficit em relação à cobertura do acesso a água. Este cenário reflete os desafios para a implementação de políticas públicas nos municípios, em especial, na Amazônia e Semiárido brasileiro”, explica Rodrigo Resende, especialista da UNICEF no Brasil.
O levantamento também aponta desigualdades no perfil dos estudantes impactados: cerca de 63% dos alunos atendidos por escolas sem água são negros, enquanto estudantes indígenas representam 13% desse total.
Para Rodrigo Resende, resolver o problema exige a atuação conjunta de diferentes níveis de governo e instituições, com apoio direto aos territórios mais afetados, aumento de investimentos, capacitação contínua dos profissionais envolvidos e participação ativa das comunidades na construção das soluções.
Além disso, o especialista destaca a necessidade de soluções adaptadas a cada realidade local, como a instalação de cisternas em áreas rurais ou o uso de sistemas de captação de água da chuva em escolas, priorizando tecnologias sociais e o uso de energia solar, por exemplo, para garantir o funcionamento mesmo em situações de eventos climáticos extremos.
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De acordo com o UNICEF, a falta de água nas escolas afeta diretamente a rotina dos alunos, pois, sem acesso ao recurso, os estudantes precisam sair do ambiente escolar para buscar água em outros locais.
Embora o problema afete todos os estudantes, estar em uma escola sem água deixa meninas ainda mais vulneráveis. Em escolas com água inexistente elas enfrentam desafios adicionais, especialmente durante o período menstrual, não tendo o mínimo para sua higiene íntima e dignidade”, pontua o UNICEF.
Segundo a organização, garantir água em quantidade e qualidade suficientes é essencial para o consumo, preparo de alimentos e práticas de higiene, fatores diretamente ligados à saúde e permanência escolar. A entidade atua no Brasil por meio de programas voltados ao fortalecimento de políticas públicas e apoio a regiões mais vulneráveis.
“Entre as principais ações desenvolvidas em nível local, destaca-se o Selo UNICEF, iniciativa em que engaja mais de 2.270 municípios para implementar ações integradas de água, saneamento e higiene, redução de riscos de desastres e resiliência climática centradas na infância”, destacou a organização.
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