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SP registra um feminicídio a cada 25 horas no 1º bimestre, alta

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Das 55 ocorrências, 11 aconteceram na capital paulista
Por Estadão Conteúdo

31/03/2026 | 08h00

São Paulo - O Estado de São Paulo registrou 55 feminicídios nos dois primeiros meses do ano, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP). A quantidade corresponde a um caso a cada 25 horas - praticamente um por dia. A informação foi noticiada pelo portal G1 e confirmada pelo Estadão.

Trata-se do maior índice desse tipo de crime no primeiro bimestre desde 2018, quando a pasta passou a divulgar os dados nas suas estatísticas criminais. Do total de 55 ocorrências, 11 aconteceram na capital paulista - foram 13 no mesmo período do ano passado.

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Procurada, a Secretaria da Segurança Pública informou que o enfrentamento à violência contra a mulher “é prioridade do Governo de São Paulo” e que a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) busca ampliar a rede de proteção às vítimas.

Segundo a SSP-SP, o governo inaugurou três novas Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) no Estado durante a atual gestão e implantou 111 salas “DDM” nos últimos três anos - um aumento de 179%.

Nesta segunda-feira, 30, o governo de São Paulo anunciou um pacote de medidas voltado à ampliação das políticas públicas de combate à violência contra a mulher.

Entre as iniciativas está a criação de um Plano de Metas Decenal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, além da expansão da rede de proteção, que passará a contar com atendimento itinerante.

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O conjunto de ações também prevê a inclusão prioritária de órfãos de feminicídio no programa SuperAção SP, com oferta de acolhimento, apoio financeiro e suporte às famílias.

Aumento da violência

Os dados de 2026 superam as 52 ocorrências registradas no mesmo período de 2024, até então o maior número da série, e representam um aumento de 31% em relação ao primeiro bimestre de 2025, quando foram contabilizadas 42 mortes de mulheres por feminicídio no Estado.

Os números de fevereiro indicam a continuidade da alta da violência contra as mulheres em território paulista. Em janeiro deste ano, São Paulo já havia registrado 27 feminicídios, número recorde para o mês, pouco depois de o Estado atingir, em 2025, o maior patamar de casos em um único ano: 266.

Entre as vítimas está Priscila Versão, de 22 anos. Moradora da Brasilândia, na zona norte de São Paulo, ela foi assassinada em fevereiro. O principal suspeito do crime é o marido, preso pela Polícia Militar.

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Priscila era amiga e vizinha de Tainara Souza Santos, também morta em dezembro do ano passado em um caso de feminicídio. Ela foi arrastada por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê por Douglas Alves da Silva, com quem havia se relacionado. Ele também foi preso; a defesa não foi localizada.

No dia 25 de fevereiro, Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, foi morta a facadas pelo ex-namorado. O crime ocorreu dentro da joalheria onde a jovem trabalhava, em um shopping de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. O suspeito foi preso.

Outro caso de grande repercussão, também registrado em fevereiro foi a morte da policial militar Gisele Alves Santana. Ela morreu com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde vivia com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto. O episódio ocorreu no dia 18, no Brás, região central da capital.

Neto alega que Gisele tirou a própria vida após não aceitar o pedido de divórcio. As investigações, no entanto, apontam que o tenente-coronel efetuou o disparo durante uma discussão e que era ele quem não aceitava o fim do relacionamento. O militar foi preso e responde pelos crimes de feminicídio e fraude processual.

Como forma de combate à violência contra as mulheres, a SSP-SP cita como medidas o aplicativo SP Mulher Segura Conecta e o programa da Cabine Lilás, que consiste no atendimento às vítimas via telefone, por policiais treinadas.

Ainda de acordo com a pasta, mais de 2 mil homens foram presos nos últimos três meses em flagrante ou por cumprimento de mandados judiciais relacionados a crimes contra mulheres; e 1.198 homens acusados de agressão contra mulheres já tiveram, desde setembro de 2023, de usar tornozeleira eletrônica, sendo 123 presos por descumprimento de medidas protetivas.

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