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Por Equipe Broadcast
[email protected]As tarifas globais de 10% do presidente Donald Trump sobre produtos importados pelos Estados Unidos de diversas origens entraram em vigor neste sábado. A medida atinge o Brasil. A tarifa geral mínima de 10% passa a valer hoje, enquanto as tarifas individualizadas entrarão em vigor na próxima quarta-feira.
O tarifaço de Trump atinge mais de 180 países. Para o Brasil, a tarifa adicional será de 10% em relação à atual alíquota de importação vigente sobre os produtos brasileiros que entram no mercado americano.
A tarifa de 10% será aplicada também às nações que o presidente Trump selecionou para sobretaxas mais elevadas por meio da sua medida tarifária recíproca, caso da União Europeia e da China. As tarifas recíprocas entrarão em vigor em 9 de abril. Até lá, esses países enfrentarão a tarifa de 10%, confirmou a Casa Branca ontem.
Alguns bens não estão sujeitos a tarifas recíprocas e o aço e o alumínio, que já foram tarifados, não sofrerão uma nova tarifação, segundo a Casa Branca.
De Wall Street a Faria Lima, bancos e consultorias receberam com alívio as tarifas recíprocas de 10% que serão impostas pelo governo americano a produtos brasileiros. A leitura, praticamente generalizada, é a de que "poderia ser pior", considerando que outras economias - em especial, China, União Europeia e Japão - vão ter de pagar bem mais para colocar seus produtos nos Estados Unidos.
Assim, é possível que o Brasil até ganhe competitividade e consiga movimentar algumas peças a seu favor no novo xadrez do comércio internacional, que ganhou mais um capítulo com o "tarifaço" anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no que foi batizado de 'Liberation Day', o Dia da Libertação.
Essa percepção positiva dos analistas não foi abraçada, porém, nem pelo governo nem por parte do setor produtivo. Os posicionamentos divulgados após o anúncio em Washington expressaram preocupação e lamentação. Em nota conjunta do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Brasil julgou que Trump violou os compromissos assumidos pelos Estados Unidos perante a Organização Mundial do Comércio (OMC), a quem o governo brasileiro não descarta recorrer.
Além de defender que o Brasil insista no diálogo com o governo americano, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que uma missão de empresários do setor visitará os Estados Unidos na primeira quinzena de maio, com o objetivo de estreitar laços e buscar soluções de interesse comum. "Claro que nos preocupamos com qualquer medida que dificulte a entrada dos nossos produtos em um mercado tão importante quanto os EUA, o principal para as exportações da indústria brasileira", afirma o presidente da entidade, Ricardo Alban.
Para o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, funcionou a aproximação do vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, ao secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick. "Saiu menos ruim para o Brasil do que se esperava. E acho que aí teve o mérito do governo, principalmente do Alckmin, que teve duas reuniões com o Howard Lutnick. Eles, os americanos, falavam muito sobre taxar o etanol. Então, acho que para o Brasil acabou saindo menos ruim do que podia ser", diz Barral.
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