Trump posta vídeos de bombardeios e renova ameaça contra o Irã
Reprodução/Instagram @whitehouse
São Paulo - Em uma escalada drástica das tensões, os Estados Unidos lançaram uma nova onda de ataques contra o sul do Irã no final da tarde de quarta-feira, 8, com o presidente Donald Trump publicando vídeos dos bombardeios em sua rede social, a Truth Social.
Ele afirmou que a ação era uma “retaliação pelo bombardeio de navios realizado ontem pelo Irã” e advertiu que, se os ataques persistissem, a resposta “será muito pior”. O Comando Central dos EUA (Centcom) confirmou os bombardeios, afirmando que o objetivo era degradar a capacidade iraniana de ameaçar a navegação no Estreito de Ormuz.
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Um alto militar de Teerã, ouvido pela agência Nour News, prometeu retaliação, afirmando que todas as bases de países vizinhos utilizadas para a ofensiva americana seriam alvos de mísseis e drones. Ebrahim Azizi, presidente da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, foi mais longe: “Iremos privá-los de segurança onde quer que estejam no mundo”.
Relatos da mídia iraniana apontaram explosões e danos em diversas áreas costeiras, como Bandar Abbas, Chabahar e Sirik. Em Chabahar, houve queda de energia e estilhaços de projéteis atingiram um hospital. A agência Nour News também informou que a usina nuclear de Bushehr não sofreu danos.
Ameaças e justificativas de Washington
Horas antes, em um evento em Milwaukee, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, já havia endurecido o tom. "Se atirarem, vamos acabar com eles", declarou, frisando que os americanos não permitiriam novos ataques a embarcações no Estreito de Ormuz.
Vance classificou a manutenção da via marítima aberta como condição essencial para a continuidade das negociações de paz, acusando o Irã de descumprir o acordo. "Nosso acordo exigia que parassem de atirar em navios, ou voltaríamos a atacar com muito mais força. Eles disseram que parariam de atirar, não aconteceu", pontuou.
Durante uma coletiva de imprensa após a cúpula da OTAN, Trump ameaçou diretamente a liderança iraniana. "Agora, eles arranjaram novos líderes, que também podem desaparecer", disse, em uma referência velada aos ataques que mataram o ex-líder supremo Ali Khamenei. Ele ainda afirmou, sem apresentar provas, que o regime persa teria assassinado mais de 52 mil manifestantes nos últimos três meses. "Essa é a única razão pela qual comecei a guerra", justificou, acrescentando que os iranianos "não poderão ter uma arma nuclear".
Resposta diplomática e origem da crise
Em paralelo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que o memorando de entendimento com os EUA nunca se baseou na confiança, mas em um mecanismo de "compromisso por compromisso". Segundo Baghaei, ao realizar "ataques agressivos", Washington violou a cláusula que reconhecia a responsabilidade de Teerã pela segurança no Estreito de Ormuz. "A República Islâmica do Irã perseguirá com determinação a salvaguarda de seus interesses nacionais e o exercício de sua soberania", concluiu.
A escalada começou na madrugada de quarta-feira, quando ataques aéreos americanos no sul do Irã resultaram na morte de oito militares iranianos em Bandar Abbas e Bushehr, segundo a agência estatal IRIB. A notícia classificou a ação como uma "agressão criminosa" e um "ato terrorista", elevando os soldados ao status de mártires. Em resposta à crescente hostilidade, o Irã ameaçou fechar o Estreito de Ormuz e sinalizou, através de seu parlamento, que poderia reconsiderar sua doutrina nuclear.
(Por Patricia Lara, Laís Adriana, Thais Porsch, Darlan de Azevedo)
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