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Eleições 2026
Cidadania e Direitos / Política

Eleitorado 50+ cresce mais de 30% em 10 anos; interesses variam com a idade

Paulo Pinto/Agencia Brasil

Crescimento do eleitorado 50+ foi três vezes superior ao crescimento médio do eleitorado nacional - Paulo Pinto/Agencia Brasil
Crescimento do eleitorado 50+ foi três vezes superior ao crescimento médio do eleitorado nacional
Por Pedro Marques

21/07/2026 | 12h48

São Paulo - O envelhecimento da população brasileira na última década vai ficar ainda mais evidente nas eleições deste ano. Isso porque o ritmo de expansão do eleitorado acima dos 50 anos foi, aproximadamente, três vezes superior ao crescimento médio do eleitorado nacional, indicam dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados nesta segunda-feira, 20.

Entre 2016 e 2026, o número total de eleitores cresceu 10,1%, de aproximadamente 144 milhões para 158,7 milhões. No mesmo período, porém, o contingente de votantes com 50 anos ou mais passou de 47,6 milhões para 62,8 milhões, aumento de 31,9%.

A mudança fica ainda mais visível quando o eleitorado é dividido em dois grandes grupos. Enquanto o grupo 50+ ganhou 15,1 milhões de eleitores em dez anos, a parcela abaixo dos 50 anos foi de 96,4 milhões para 95,9 milhões, redução de cerca de 535 mil pessoas. O saldo líquido foi de aproximadamente 14,6 milhões de novos eleitores no País.

Qual o perfil do eleitor 50+

O grupo 50+ também está longe de ser homogêneo. Dentro dele, as diferenças de idade, gênero e escolaridade são significativas.

50 a 59 anos

A faixa de 50 a 59 anos, por exemplo, é formada por 25.366.794 eleitores, equivalentes a 40,38% do grupo 50+. As mulheres representam 52,85%, enquanto os homens correspondem a 47,14%. Em escolaridade, o ensino fundamental incompleto aparece com 30,68%; o ensino médio completo, com 24,30%; e o superior completo, com 14,19%.

Entre as três faixas, é esse grupo que apresenta a maior presença relativa de eleitores com ensino médio e superior completos. A diferença reforça a heterogeneidade do eleitorado 50+: a composição educacional não é uniforme e varia conforme a idade.

60 a 69 anos

Na faixa de 60 a 69 anos, há 20.205.622 eleitores, ou 32,16% do total 50+. As mulheres são 53,88%, e os homens, 46,08%. O ensino fundamental incompleto corresponde a 30,71%; o ensino médio completo, a 20,31%; e o superior completo, a 12,89%.

O grupo ocupa uma posição intermediária tanto em tamanho quanto na distribuição de gênero e escolaridade. A predominância feminina se torna um pouco mais acentuada em relação à faixa de 50 a 59 anos, enquanto a participação relativa de eleitores com ensino superior completo diminui.

70 anos ou mais

Já a faixa de 70 anos ou mais reúne 17.251.915 eleitores, 27,46% do eleitorado 50+. Nessa idade, o voto é facultativo. As mulheres representam 56,51%, a maior proporção feminina entre os três grupos, enquanto os homens correspondem a 43,40%.

Na escolaridade, 30,08% têm ensino fundamental incompleto; 20,63% estão na categoria “lê e escreve”; e 12,76% têm ensino médio completo. Entre os mais velhos, a categoria “lê e escreve” aparece, portanto, entre as três mais frequentes, enquanto o ensino superior completo, presente entre as três principais categorias nas faixas de 50 a 59 e de 60 a 69 anos, não aparece entre as três primeiras nessa faixa.

Em resumo, a diversidade do segmento representa um desafio para a comunicação política e eleitoral, que não pode tratar esse conjunto como um público uniforme. 

Distribuição regional

A concentração do eleitorado 50+ varia conforme o critério utilizado. Em números absolutos, os estados mais populosos concentram os maiores contingentes. Em participação proporcional, porém, o ranking é diferente.

São Paulo reúne o maior volume, com mais de 14,2 milhões de eleitores 50+, cerca de 22,6% de todo o eleitorado dessa faixa no país. Na sequência aparecem Minas Gerais, com quase 6,98 milhões; Rio de Janeiro, com cerca de 5,71 milhões; Bahia, com aproximadamente 4,25 milhões; e Rio Grande do Sul, com cerca de 3,9 milhões.

Somados, esses cinco estados concentram mais de 35 milhões de eleitores com 50 anos ou mais, mais da metade do contingente nacional.

A proporção dentro do eleitorado de cada estado produz outra fotografia. O Rio Grande do Sul lidera, com 45,8% dos eleitores tendo 50 anos ou mais. O Rio de Janeiro aparece com 44,4%; Minas Gerais, com 42,6%; Paraná, com 41,8%; e São Paulo, com 41,7%.

Como resultado do envelhecimento do eleitorado, a expectativa é que esta eleição seja marcada pelo crescimento de propostas voltadas para a população 50+, com destaque para saúde pública, previdência e a economia do cuidado. Além da mudança nas pautas, fazer os eleitores com mais de 70 sair de casa será fundamental na disputa deste ano.

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