População 50+ mostra força e chega a cerca de 40% do eleitorado brasileiro
Fernando Frazão/Agência Brasil
São Paulo - O Brasil vive um envelhecimento acelerado, em que a importância do eleitorado com 50 anos ou mais se torna cada vez mais decisiva. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados nesta segunda-feira (20) mostram que nas eleições de outubro de 2026, mais de 158,7 milhões de brasileiros estarão aptos a votar.
O total de eleitores no País teve um crescimento de 1,46% na comparação com 2022, quando eram 156,4 milhões eleitores . Esse resultado foi puxado quase exclusivamente pelos mais velhos. No intervalo de apenas dois anos (entre 2024 e 2026), o Brasil ganhou cerca de 2,8 milhões de eleitores no geral, enquanto no grupo "50+" a expansão foi de 4,14 milhões de pessoas. Isso significa que o eleitorado mais jovem (abaixo de 50 anos) encolheu, enquanto os mais velhos sustentaram a expansão.
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Ainda de acordo com o TSE, de quase quatro em cada dez votos no País (cerca de 39,6% do eleitorado nacional) pertencem a cidadãos com 50 anos ou mais. A faixa a partir dos 60 anos apresentou um crescimento de cerca de 14% em relação a 2022, somando mais de 37 milhões de votantes (23,6% do eleitorado total).
Na contramão, a faixa entre 21 e 34 anos encolheu: passou de 43,8 milhões para 41 milhões, recuando de 28,01% para 25,85% do total. Entre os jovens de 18 anos ou menos, a queda foi de 606.468 registros (-14,52%), somando 3,57 milhões (2,25% do eleitorado), concentrados majoritariamente na região Nordeste. .
Um perfil do eleitor 50+
As mulheres continuam sendo a maioria no eleitorado nacional (quase 53%), mas essa predominância se torna esmagadora à medida que a idade avança, acompanhando a maior expectativa de vida feminina. Aos 50 anos, elas representam 52,7%; aos 70, chegam a 55,3%; e a partir dos 85 anos quase 60% dos votos disponíveis pertencem a mulheres.
Enquanto a geração dos 50 aos 59 anos reflete um Brasil com maior acesso ao estudo formal (24,3% têm Ensino Médio completo e 14,2% possuem diploma superior), na geração acima dos 70 anos o cenário se inverte: mais de 33% são analfabetos ou apenas "leem e escrevem".
O Sudeste concentra o maior volume absoluto desses eleitores maduros: São Paulo reúne 14,2 milhões de pessoas acima dos 50 anos. No entanto, em termos proporcionais, o Rio Grande do Sul possui o eleitorado mais envelhecido: 45,8% de todos os eleitores já passaram dos cinquenta anos, seguido de perto por Rio de Janeiro (44,4%) e Minas Gerais (42,6%).
As estatísticas de 2026 apontam para o cadastro eleitoral mais diverso, resultado da exigência do preenchimento de raça e cor imposta após 2022. Na comparação com as eleições municipais de 2024, o número de registros sem essa informação caiu em mais de 14 milhões.
Assim, os dados do TSE também revelam que eleitorado que se declara pardo quase dobrou, chegando a 16,9 milhões. O mesmo ocorreu com pretos (3,5 milhões), brancos (11,6 milhões) e amarelos (229 mil). Os indígenas somam 287.157, uma alta de 84,47%.
Das obrigações
O voto permanece obrigatório para cidadãos entre 18 e 69 anos, mas passa a ser totalmente facultativo a partir dos 70 anos. Para os eleitores de até 69 anos que ainda têm o voto como obrigação e eventualmente não puderem comparecer às urnas, a Justiça Eleitoral permite a justificativa simples pelo aplicativo e-Título no próprio dia da votação ou diretamente no cartório eleitoral no prazo de até 60 dias.
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