Globo cancela debate presidencial e cita interferência indevida na imprensa
Emissora afirma que decisões de última hora do TSE e do STF alteraram regras sobre ausências e participação, e por isso cancelou o debate
Por Broadcast
01/10/2026 | 21h16Divulgação/ TV Globo
A TV Globo cancelou o debate presidencial agendado para esta quinta-feira, citando interferências judiciais que alteram as regras previamente acordadas, o que a emissora considera uma violação da liberdade de imprensa.
O cancelamento foi motivado por uma decisão do TSE que impediu a filmagem do púlpito vazio destinado ao presidente Lula, que não participaria, e outra do STF que exigiu a inclusão do candidato Renan Santos no debate.
A Globo afirmou que a insegurança jurídica gerada por essas decisões prejudica a organização de debates eleitorais e, em vez disso, exibirá um capítulo inédito da novela 'Quem Ama Cuida' no horário previsto para o debate.
São Paulo - A TV Globo anunciou que cancelou a realização do debate presidencial marcado inicialmente para às 21h20 desta quinta-feira, 1º. Em nota, a emissora disse que recebeu "duas notificações" relacionadas à realização do debate "que interferem nas regras previamente acordadas". Segundo a Globo, as decisões judiciais representam uma "interferência indevida" na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates.
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A primeira das notificações, segundo a Globo, foi a decisão da ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha que impediu que fosse filmado o púlpito vazio, inicialmente destinado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que decidiu não participar do debate.
"A decisão torna inválido o item das regras do debate que trata de candidatos ausentes. A ata com as regras, assinada por todos os partidos, inclusive o PT, determina que, em caso de ausência do candidato, o púlpito reservado a ele seja mantido vazio no cenário, com uma placa que o identifique. E que, numa das rodadas de tema livre do debate, os candidatos presentes que assim desejarem formulem, em trinta segundos, o que fariam ao candidato que não compareceu", descreve a Globo.
A emissora também atribuiu o cancelamento do debate à notificação recebida após decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou que o candidato do Missão, Renan Santos, deveria participar.
"As regras que estabelecem que candidatos devem ser obrigatoriamente convidados para debates em rádio e TV são determinadas por lei e reguladas por portaria do Tribunal Superior Eleitoral: devem ser convidados obrigatoriamente os candidatos de partidos com representação de pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional. Em atendimento a essa regra, a Globo convidou para o debate os candidatos: Augusto Cury, do Avante; Flavio Bolsonaro, do PL; Ronaldo Caiado, do PSD; e Lula, do PT", argumenta a emissora.
A Globo encerra a nota dizendo que "tem grande tradição" na organização de debates eleitorais e que tem a missão de oferecer aos eleitores "oportunidades de comparar projetos". "Nosso dever é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais".
Ainda conforme a emissora, no horário do debate será exibido capítulo inédito da novela 'Quem Ama Cuida'.
(Por Daniel Tozzi)
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