Lula pede voto de eleitores 70+ e ataca Flávio Bolsonaro em podcast
Em entrevista ao Flow, o petista também falou sobre a decisão de acabar com as bets e comentou as investigações envolvendo o Banco Master
Por Broadcast
02/10/2026 | 08h00Reprodução/Flow Podcast/YouTube
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo para que eleitores com mais de 70 anos compareçam às urnas, destacando a importância do voto mesmo com a opção de não votar nessa faixa etária, enquanto criticou o governo anterior e a atuação do senador Flávio Bolsonaro.
Durante a entrevista, Lula abordou investigações envolvendo o Banco Master e defendeu que todos os envolvidos, incluindo ministros do STF, devem ser responsabilizados, além de reafirmar sua posição contra as apostas, citando os danos sociais causados por elas.
Lula anunciou a decisão de acabar com as apostas, apesar de pressões políticas, e reconheceu que a implementação da medida enfrentará resistência, prometendo que a luta contra o setor será intensa.
Brasília e Salvador – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, fez nesta quinta-feira, 1º, um apelo para que eleitores com mais de 70 anos compareçam às urnas no primeiro turno das eleições, apesar de o voto ser facultativo nessa faixa etária. Em entrevista ao Flow Podcast, o petista também atacou o senador Flávio Bolsonaro (PL), falou sobre a decisão de acabar com as bets e comentou as investigações envolvendo o Banco Master e integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Não acredite que, pelo fato de você ter 70 anos, você não deve votar porque a lei permite que você não vote. O Brasil não parou porque você fez 70 anos”, afirmou.
Leia também
“Suas necessidades não pararam porque você tem filhos, netos e bisnetos. Então vá votar pelo Brasil que você quer para eles. Compareça, levante, vá votar. Não permita que a velhice deixe você acomodado”, disse Lula.
A entrevista ocorreu na reta final do primeiro turno, marcado para domingo, 4. O presidente também voltou a criticar o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. “O governo Bolsonaro era ridículo e era incompetente. Ele não sabia fazer política e então deixou o Congresso fazer. Ele não sabia fazer economia e deixou o (Paulo) Guedes fazer”, afirmou.
Lula também criticou a atuação do antecessor durante a pandemia de covid-19 e disse que um presidente não precisa dominar todas as áreas, mas deve “saber montar uma equipe”.
Ataques a Flávio Bolsonaro
Durante a entrevista, Lula intensificou os ataques a Flávio Bolsonaro e citou as relações do adversário com o ex-policial militar Adriano da Nóbrega e com o ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro.
“Esse menino não tem história política. Esse menino é ligado aos milicianos”, afirmou Lula.
Na sequência, o presidente citou Adriano da Nóbrega, ex-capitão da Polícia Militar do Rio, apontado pelas autoridades como chefe da milícia Escritório do Crime, e disse que Flávio mantinha ligação com o ex-PM.
Quando era deputado estadual, Flávio homenageou Adriano na Assembleia Legislativa do Rio e concedeu a ele a Medalha Tiradentes. A mãe e a mulher do ex-PM também trabalharam no gabinete do hoje senador. Flávio já afirmou que as contratações ocorreram por indicação de seu então assessor Fabrício Queiroz e rejeitou acusações de envolvimento com milícias.
Lula também atacou a relação de Flávio com Daniel Vorcaro. “Um cidadão ligado aos milicianos e que tinha essa relação amorosa com o Vorcaro. É coisa assim: ‘amorosa’. ‘Ô, irmão, eu te amo’, ‘ô, irmão’”, disse, em referência ao teor de mensagens trocadas entre o senador e o ex-banqueiro.
“É um negócio que não tem sentido. Então, o cara ainda está querendo ser presidente da República. Ele não tem passado, não tem presente e não tem futuro. O rapaz foi vereador com 21 anos e seguiu a carreira dele ganhando dinheiro público e passa a ideia de que não é político”, acrescentou Lula.
Caso Master e Moraes
Lula afirmou ainda que disse ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que ele “deve uma explicação” à sociedade sobre as revelações envolvendo o Banco Master. O presidente defendeu que eventuais suspeitas relacionadas a outros integrantes da Corte também sejam apuradas.
“Eu acho que a gente tem que apurar todo mundo. Eu disse ao Alexandre de Moraes: ‘Você deve uma explicação à sociedade brasileira. Você poderia ter dito: minha mulher é dona do escritório, ela fez o contrato, eu não advogo mais. Mas você não diz nada’”, afirmou.
Ao comentar os desdobramentos do caso no Supremo, o petista disse que a investigação não deveria ficar restrita a Moraes. “Quando começa a tirar a cortina de cima, percebe que não é só o contrato do Alexandre de Moraes, percebe que tem mais gente. Por que julgar um? Vamos julgar todo mundo”, declarou.
Lula afirmou que não pede favores a ministros do Supremo e disse que nunca telefonou a integrantes da Corte para interferir em decisões. “Nunca liguei para ninguém para pedir nenhum favor e não ligo. O meu papel é não cometer erro”, declarou.
O presidente também afirmou que a insatisfação de aliados de Jair Bolsonaro com Moraes não teria origem no caso Master. “A bronca que os bolsonaristas têm do Alexandre de Moraes não é pelo Banco Master. É por conta da prisão do pai deles”, afirmou.
Defesa de Jaques Wagner
Lula saiu novamente em defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) ao comentar as investigações envolvendo o Banco Master. Segundo o presidente, o aliado “não tem nada a ver” com irregularidades e quer prestar depoimento para apresentar sua versão.
“Não tem nada, não tem nada a ver com isso. Tudo que o Jaques Wagner quer é ser chamado para prestar depoimento. Se tem uma coisa que o Jaques quer é falar”, disse.
Wagner aparece em documentos da investigação após a Polícia Federal identificar mensagens envolvendo a negociação de um apartamento destinado à filha do senador e pessoas ligadas ao Banco Master. Relatório da PF também menciona o envio de vinhos de luxo ao petista. O candidato à reeleição confirmou a negociação do imóvel, mas nega ter cometido irregularidades.
Durante a entrevista, Lula relatou ainda uma conversa que teve com Daniel Vorcaro antes da liquidação do Banco Master e afirmou que advertiu o ex-banqueiro de que eventuais irregularidades seriam apuradas.
“Eu disse ao Vorcaro que, se ele tivesse coisa errada, ele iria sofrer as consequências. Ele tinha coisa errada e nós fechamos o Master”, afirmou Lula.
O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master em novembro de 2025. Vorcaro é investigado em diferentes frentes pela Polícia Federal e nega irregularidades nas operações da instituição.
Fim das bets
Lula afirmou que decidiu acabar com as bets “doa a quem doer” depois de tomar conhecimento de casos de endividamento e perdas financeiras provocadas pelas apostas.
“Eu tomei minha decisão: eu vou acabar com as bets, doa a quem doer”, afirmou.
Segundo o presidente, a mudança de posição ocorreu depois de ouvir relatos de pessoas endividadas e discutir o tema com integrantes do governo. Lula disse que havia preocupação com a reação de clubes de futebol, parlamentares e empresas que recebem recursos publicitários das bets.
“Tinha muita gente na reunião que eu fiz que não queria que acabasse por conta da política”, declarou.
Ao falar do peso econômico da publicidade das casas de apostas, Lula afirmou: “A Globo vai ficar chateada”, ao citar empresas e setores que poderão perder receitas com o fim das propagandas do segmento.
O presidente admitiu que não tomou a decisão antes porque não conhecia a dimensão dos impactos negativos. “Por que eu não fiz antes? Porque eu não sabia”, afirmou.
Lula disse ainda que chegou à conclusão de que a tentativa de regular o setor não havia sido suficiente. “Não conseguiram controlar. Não conseguiram regular. Cada vez que você regula, aparece mais uma. Tem que acabar mesmo”, declarou.
O petista reconheceu, no entanto, que a implementação da medida ainda enfrentará resistência. “Ainda não acabou, não, porque vai ser uma guerra. Vai ter gente que vai tentar fazer de fora. Nós sabemos que é uma guerra”, disse.
(Por Gabriel de Sousa e Rayllanna Cardoso, especial para a Broadcast)
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

