Mulheres engrossam as estatísticas de abstenção entre eleitores 70+
Marcelo Camargo / Agência Brasil
São Paulo - O eleitorado feminino vota menos que o masculino quando nos referimos ao voto 70+. È o que aponta um levantamento da Data8, consultoria de pesquisa, tendências e inovação com foco na economia da longevidade. A conclusão foi obtida a partir do cruzamento de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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De acordo com o órgão máximo da Justiça eleitoral brasileira, nas eleições de 2022, a abstenção de mulheres com 70 anos ou mais , no primeiro turno chegou a 5.266.338, cerca de 62,9%de um total de 8.372.982 eleitoras. Ente os homens da mesma faixa etária a taxa de abstenção foi 3.481.904 de 6.499.086 eleitores, ou seja 53,5% deste total.
No segundo turno a abstenção entre mulheres ficou em 4.894.663 (58,5%), de um total de 8.359.237 votos. Entre os homens foram 3.224.500 (49,6%) abstenções, de um universo de 6.490.785 eleitores.
As diversas causas da abstenção feminina
A cofundadora da Data8, Cléa Klouri afirma que existem fatores a serem considerados para explicar à ausência feminina nas urnas. Entre eles, ela destaca o envelhecimento, que para a mulher tem um impacto muito importante.
Então, eu sou velha, não tenho mais importância para ninguém, ninguém mais me considera, então, eu não faço parte, não vou votar. Este pensamento é um pouco desse movimento que a gente observa."
Cléa Klouri lembra que a sobrecarga da jornada dupla de cuidar da casa e trabalhar fora também precisa ser levada em conta, mas detasca que é no cuidar que requer maior atenção. Segundo ela é neste cuidado exagerado por parte de filhos, por exemplo, que a mulher se anula.
Se minha filha não vier me buscar, eu não vou votar, porque ela diz que é longe, que eu não posso pegar o metrô, que é perigoso”, exemplifica.
Cléa Klouri destaca que em um País que envelhece de forma acelerada, a participação na política dos 70+ passa a ser determinante nos processos eleitorais. Para Klouri ,o contraste entre os milhões de idosos que se abstêm, muitas vezes por limitações estruturais ou pelo etarismo sofrido principalemnte pelas mulheres, revela a necessidade urgente de se repensar o acolhimento desse eleitorado.
A conscientização do voto 70+
Mas se por um lado a abstenção do eleitorado 70+ chega a cerca de 8.748.242 eleitores em 2022, o que levaria outros 6.123.826 eleitores nesta faixa etária a votar?
A psicóloga e especialista em diversidade etária, longevidade e etarismo Fran Winandy afirma que isso acontece principalmente pelo desejo de exercer a cidadania, preservar autonomia e reafirmar a importância de continuar tendo lugar nas decisões que vão definir o futuro do País.
Quando alguém com mais de 70 anos decide votar mesmo estando desabrigado, está dizendo, de alguma forma que continua fazendo parte disso, que sua opinião importa e que ela deseja participar.”
Os votos 70+
A reportagem do VIVA conferiu com alguns eleitores 70+, todos aposentados, quais seriam os motivos que os levam a comparacer as urnas, mesmo que constitucionalmente não estejam desobrigados .
Em São Paulo, o empreendedor Marcelo Thalenberg, 74, diz que, por uma questao de cidadania, nunca deixa de comparecer às urnas.
Quero um Brasil melhor para todos que aqui vivem. Cada eleito com boas atitudes é um gotra a melhorar este País."
Ainda na capital paulista, a professora Maria Elena F. da Silva, de 72 anos, afirma que vota para poder expressar sua posição política.
Enquanto eu tiver possibilidades de locomoção, pretendo continuar votando porque acho um dever cívico, um exercício da democracia."
A porfessora Magnólia Medeiros de Aguiar, 72, mora em Guarapari, no Espirito Santo vota por acreditar que sua experiência ajuda a escolher um bom candidato.
Nós temos uma observação mais atenta sobre o discurso e comportamneto dos que se apresentam como candidatos."
Fran Winandy diz que a participação dos eleitores 70+ representa o anseio desta parcela da população pela construção de um País melhor, um dever cívico que não caduca com o passar dos anos.
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