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Eleições 2026
Cidadania e Direitos / Política

Voto sênior, SP e centro orientam eleições deste ano, dizem especialistas

Marcel Naves/Viva

Encontro do Grupo de Líderes Empresariais  em São Paulo reúne analistas politicos - Marcel Naves/Viva
Encontro do Grupo de Líderes Empresariais em São Paulo reúne analistas politicos
Por Marcel Naves

27/07/2026 | 19h54

São Paulo, 27 de julho de 2026 – Os principais especialistas em pesquisas e cientistas políticos do País estiveram reunidos hoje para mapear o cenário das eleições presidenciais deste ano. O encontro trouxe diagnósticos relevantes sobre o comportamento dos eleitores, a influência das alianças internacionais e os novos fatores regionais que devem definir a corrida ao Planalto.

O peso do eleitorado maduro

Um dos pontos mais expressivos apresentados no encontro foi a importância da participação da população madura. Segundo Luciana Chong, CEO do Datafolha, os  eleitores com mais de 60 anos  e que faz questão de votar teve um crescimento considerável em relação a 2010.

O eleitorado com 60 anos ou mais cresceu 74% em relação a 2010. Enquanto os mais jovens deixam de votar, os idosos fazem questão de ir às urnas, mesmo após os 70 anos, quando o voto não é mais obrigatório."

Para Chong, os eleitores sêniores têm exercido ativamente o direito ao voto, mantendo presença constante e decisiva nas urnas, inclusive nos casos em que a obrigatoriedade do voto deixa de existir.

Além da população sênior, o eleitorado feminino desponta como um dos fatores mais decisivos e abertos da corrida presidencial de 2026. Segundo dados do Datafolha, 45% das mulheres ainda não indicam espontaneamente o nome de um candidato, revelando um nível de cautela e desmobilização maior do que o observado em pleitos anteriores.

Um eleitorado diferenciado

Para o cientista politico  e  presidente de honra da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais, Antônio Lavareda, o eleitorado  de mais de 60 anos e que está em torno dos 23% , representa um eleitorado que tem importância especial e que vai crescer.

Lavareda explica que esse eleitor não ira decidir o pleito, cuja definição envolve outras fatores, mas que certamente fará a diferença por uma importante particularidade.

O mais importante é que este eleitor traz não só a lembrança, a memória que passou, mas a lembrança, a vivência pessoal do que viveu em governos passados, e isto faz toda a diferença”.

O impacto das alianças internacionais

Em outra frente de análise, o cientista político e CEO da Atlas Intel, Andrei Roman, avaliou os reflexos da recente participação do presidente argentino, Javier Milei, na convenção que oficializou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Durante o evento, Milei proferiu ofensas ao presidente Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Na visão de Roman, essa intervenção estrangeira inédita tende a trazer mais prejuízos do que benefícios à candidatura do senador brasileiro.

A tentativa de explorar uma suposta "onda azul" na América Latina esbarra na alta desaprovação de Milei em seu próprio país, próxima de 60%, além de um contexto adverso para o governo de Donald Trump nos Estados Unidos”.

São Paulo será o centro das decisões

No que tange respeito à geografia do voto, o presidente da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, destacou que desta vez, o estado mais decisivo para o resultado final deverá ser São Paulo, e não Minas Gerais, como ocorria tradicionalmente.

Diante de uma disputa acirrada, o desempenho na capital e no interior paulista será fundamental, apresentando um desafio adicional para a busca da reeleição do atual governo."

Além disso, Hidalgo alertou para a dinâmica no Nordeste, sinalizando que a resolução de disputas estaduais no primeiro turno em diversos estados da região pode gerar um esvaziamento da militância e elevar a abstenção no segundo turno presidencial para patamares entre 70% e 75%.

Lula segue impulsionado pelo centro

Segundo  destacou Felipe Nunes, CEO do instituto Quaest, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia a disputa eleitoral em vantagem, com sua probabilidade de reeleição subindo de 38% para quase 60% desde o início do ano.

De acordo com Nunes, esse avanço reflete a recuperação da aprovação do governo e a reaproximação com os eleitores de centro, impulsionada por medidas de impacto direto no bolso das famílias, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda.

Apesar da liderança do atual presidente ,que segundo dados da Quaest soma 39% das intenções de voto no primeiro turno e 45% no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), o cenário continua projetando uma disputa acirrada, em que a decisão final permanecerá nas mãos do eleitorado independente.

As declarações foram feitas durante evento promovido pelo grupo de líderes empresariais (Lide), nesta segunda-feira (27), na capital paulista. 

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