Representação LGBT+ no Legislativo cresce e soma 10,7 milhões de votos
Relatório do Instituto Plena Cidadania mostra aumento da representação LGBT+ no Congresso e Assembleias Legislativas, com 35 pessoas eleitas
Por Marcel Naves
06/10/2026 | 18h46Antônio Cruz/Agência Brasil
A participação de pessoas LGBT+ na política brasileira aumentou, com 519 candidaturas recebendo mais de 10 milhões de votos.
O número de representantes LGBT+ eleitos quase dobrou, passando de 18 para 35, com destaque para a Câmara dos Deputados, onde a representação triplicou.
Apesar de enfrentar altos índices de violência política, com 94% das candidaturas relatando episódios de agressão, a comunidade LGBT+ conseguiu avançar na representação política.
São Paulo - A participação de pessoas LGBT+ no cenário político nacional cresceu substancialmente. É o que revela o relatório “A esperança que insiste: um retrato LGBT+ nas Eleições de 2026”, do Instituto Plena Cidadania (IPC), ONG ligada aos direitos humanos. De acordo com o documento, neste ano foram 519 candidaturas, contra 322 em 2022, um crescimento de 58,7%.
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Estes candidatos LGBT+ receberam 10.746.125 votos e o número de eleitos quase dobrou, passando de 18 para 35 cadeiras ocupadas no Senado, Câmara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas.
A representação LGBT+ na Câmara dos Deputados mais que triplicou, saindo de quatro para 13 pessoas eleitas. No Senado foi mantido um representante LGBT+. Nos legislativos estaduais e distrital, foram eleitas 21 pessoas.
O avanço da diversidade
O estudo revela ainda que, das 35 pessoas LGBT+ eleitas, 27 são mulheres (77,1%) sendo 22 negras (62,9%) e sete mulheres trans. Para o diretor executivo do IPC, Gui Mohallem, os resultados fortalecem a presença LGBT+ na política bem como a presença de grupos historicamente sub-representados nos espaços de decisão.
Temos mais pessoas LGBT+ eleitas, mais diversidade nos espaços de poder e milhões de brasileiros e brasileiras dizendo, pelo voto, que querem essa presença na democracia. Isso é uma conquista que precisa ser celebrada”
Gui Mohallem, diretor executivo do IPC
Uma presença distribuída
Todas as 35 pessoas LGBT+ eleitas concorreram por partidos de esquerda (PT e PSOL reúnem 31 das cadeiras, com 17 e 14 eleitas, respectivamente, seguidos pelo PCdoB, com três, e pelo PV, tendo uma).
As candidaturas passaram de oito Estados, em 2022, para 14, sendo que, destes, sete elegeram pessoas LGBT+ pela primeira vez , são eles:
- Bahia
- Espírito Santo
- Goiás
- Mato Grosso do Sul
- Paraíba
- Santa Catarina
Violência política
Em paralelo, o IPC fez um levantamento sobre a violência sofrida por este público nestas eleições. Dos 197 respondentes, 94% disseram ter enfrentado algum episódio de ataque durante a disputa e 81,8% relataram episódios considerados graves.
As agressões, campanhas de ódio e assédio nas redes sociais foram relatados por 68% das candidaturas e aparecem entre as formas mais frequentes de violência. Em média, cada pessoa relatou aproximadamente seis situações de violência política, enquanto 48% disseram ter passado por sete ou mais episódios.
Das 35 pessoas LGBT+ eleitas, 11 responderam ao questionário, e todas relataram ter sofrido ao menos um episódio de violência política grave. Ataques nas redes sociais e silenciamento foram relatados por todas as respondentes, enquanto 90,9% citaram ataques verbais, ofensas ou discursos LGBTfóbicos. "Os resultados dessas eleições mostram que a violência não foi capaz de impedir o avanço da representação LGBT+ na política brasileira. Pelo contrário”, diz Mohallem.
Sobre o relatório
O levantamento, realizado pelo Instituto Plena Cidadania, combina o mapeamento realizado pelo VoteLGBT (organização criada em 2014 para promover os direitos da comunidade LGBT+) com dados oficiais da Justiça Eleitoral. Foram consideradas candidaturas LGBT+ identificadas a partir de autodeclaração e registros eleitorais com informações sobre perfil, distribuição territorial, pautas, resultados eleitorais e violência política.
Ao todo, 197 candidatos responderam ao questionário utilizado para analisar a Violência Política de Gênero, Raça e LGBTfóbica. Confira o relatório completo com detalhes da metodologia. Clique aqui para acessar.
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