Tarcísio defende privatização da Sabesp e Haddad diz que tarifa subiu
Estadão Conteúdo
São Paulo e Brasília - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, defendeu a privatização da Sabesp após críticas do candidato do PT ao governo do Estado, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, no debate desta noite, realizado pela TV Bandeirantes.
Haddad questionou Tarcísio sobre o que ele corrigiria na “onda voraz” de privatizações que o Estado vive e afirmou que a tarifa de água subiu depois da venda da empresa.
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Em resposta, o governador afirmou que os reajustes após privatização são naturais. Disse que houve uma redução das tarifas nos primeiros meses, mas argumentou que não seria possível mantê-la, sob o risco de tornar a empresa insolvente. Afirmou que a Sabesp é um grande instrumento para conquistar a universalização do saneamento.
O governador também defendeu que privatizações são necessárias. “A gente não faz privatização, Haddad, por fazer. A gente faz a privatização às vezes por necessidade”, disse Tarcísio, que mencionou a aplicação de PPPs na administração de escolas, que chamou de “escolas do futuro”.
O tema gerou troca de farpas entre os candidatos. Haddad acusou Tarcísio de focar em decorar nomes e números, sem responder a questionamentos. Também criticou concessões feitas pelo governador na época em que foi ministro da Infraestrutura.
Já Tarcísio citou que o governo federal também implementou o sistema de pedágio free flow em concessões de rodovias e, ao mencionar a possibilidade de insolvência da Sabesp, disse que estatais insolventes são a “especialidade da casa” dos governos do PT. Foi então que os Correios entraram em discussão.
O governador afirmou que o PT “é igual cupim, onde passa destrói tudo” ao criticar o déficit da estatal. Já Haddad defendeu que, mesmo com os Correios, o conjunto das estatais é superavitário.
Boné e tarifaço
As tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil foram mencionadas no debate. Fernando Haddad aproveitou o tema para provocar o atual governador. “O que um governador tem que fazer é colocar o boné certo na cabeça, o boné do Brasil”, disse Haddad, que enfatizou que as tarifas foram uma agressão inédita e injustificável.
Tarcísio não caiu na provocação. O governador afirmou que as tarifas prejudicaram o Estado e citou ações feitas para mitigá-las, como a antecipação de créditos de ICMS e de linhas de crédito com mais prazo de carência e taxas de juros mais competitivas.
Falando sobre economia nacional, segundo Tarcísio, o arcabouço fiscal da gestão Haddad se mostrou muito frouxo e fez os gastos do governo crescerem demais. Para o governador, as contas públicas estão frágeis e o País caminha para uma recessão, o que pode prejudicar investimentos em São Paulo.
Como resposta, Haddad destacou que, no último ano, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de São Paulo deve ficar muito abaixo do crescimento do PIB nacional, o que, segundo ele, é uma prova de que a situação dos paulistas poderia ser melhor.
Minutos antes, Tarcísio havia questionado Haddad se ele teria "algum conselho" para o presidente da República na área da economia. Haddad respondeu que o conselho seria "jamais indicar" o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para ocupar um cargo na autarquia.
Campos Neto comandou o Banco Central indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro, mas permaneceu por mais dois anos na presidência da autarquia, nos primeiros anos da presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, por conta de uma mudança nas regras de gestão do BC. Nesse período, Campos Neto foi várias vezes criticado por Lula.
Segundo Haddad, a administração Campos Neto "subiu demais" a taxa Selic e, mesmo assim, não conseguiu controlar a inflação. Haddad também citou que, sob a gestão Campos Neto, houve o escândalo do Banco Master e falta de fiscalização no funcionamento de fintechs e bancos.
(Por Marianna Gualter e Daniel Tozzi Mendes)
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