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Anvisa alerta sobre IA em vídeos falsos de celebridades que vendem remédios

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Anvisa identifica uso de IA para criar deepfakes de famosos e médicos para enganar consumidores nas redes sociais - Adobe Stock
Anvisa identifica uso de IA para criar deepfakes de famosos e médicos para enganar consumidores nas redes sociais
Por Alexandre Barreto

22/07/2026 | 14h13

São Paulo - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou que criminosos estão usando deepfakes, com imagens e vozes manipuladas por inteligência artificial (IA), para aplicar golpes e vender produtos clandestinos ou falsificados. Segundo a agência, vídeos e áudios falsos de celebridades e médicos recomendando medicamentos e suplementos alimentares têm circulado nas redes sociais.

Neste mês, a atriz Fernanda Montenegro publicou um alerta em áudio nas redes sociais após descobrir que criminosos estavam usando sua voz e sua imagem, manipuladas por inteligência artificial, para aplicar golpes. Além dela, o médico Drauzio Varella também já teve sua imagem usada em vídeos falsos que divulgam remédios e produtos sem autorização. A área da saúde tem sido um dos principais alvos desse tipo de fraude. 

Como funciona o golpe

Golpistas estão clonando o rosto e a voz de atrizes, atores e outras figuras públicas para simular indicações de tratamentos de saúde. A técnica também é usada para criar médicos inteiramente gerados por IA, que aparecem em anúncios prometendo curas milagrosas para diversas doenças.

O objetivo é "conquistar a confiança do público" e impulsionar as vendas de produtos que, na maioria dos casos, não têm registro nem autorização para comercialização no Brasil.

Vídeos reais também exigem cautela

A Anvisa reforça que o risco não se limita a conteúdos manipulados. Mesmo quando a recomendação é genuína, feita por um influenciador ou profissional de saúde de verdade, o consumidor deve desconfiar.

Os históricos clínicos variam de pessoa para pessoa, assim como as doenças preexistentes e a interação com outros medicamentos que cada uma usa em sua rotina", informou.

Por isso, qualquer tratamento deve ser avaliado por um profissional de saúde habilitado antes do início do uso. Para checar se um médico existe e está regularizado, o consumidor pode consultar nome e número de registro no site do Conselho Federal de Medicina (CFM), clicando aqui.

A Resolução 2.336/2023 do CFM exige que médicos que divulgam conteúdo em redes sociais se identifiquem com número do CRM, Estado e, quando aplicável, o registro de especialista (RQE).

Onde é permitido comprar medicamentos

De acordo com a Anvisa, medicamentos só podem ser vendidos em farmácias regularizadas pela vigilância sanitária ou em seus sites oficiais. Compras feitas em redes sociais, marketplaces, com vendedores ambulantes ou por meio de carros de som são consideradas irregulares.

A agência lista situações que devem acender o sinal de alerta do consumidor:

  • Suplemento anunciado como tratamento ou cura de doenças: suplementos alimentares são destinados a pessoas saudáveis e não podem prometer cura ou prevenção de problemas de saúde.
  • Produtos descritos como "100% naturais e sem riscos": mesmo fitoterápicos, feitos a partir de plantas medicinais, podem causar danos à saúde se usados de forma incorreta e precisam de registro na Anvisa.
  • Itens vendidos como "químicos experimentais" ou "para fins de pesquisa": essa nomenclatura costuma ser usada para driblar a fiscalização e enganar o comprador.

A Anvisa disponibiliza uma consulta pública que permite verificar se um medicamento tem registro válido. A ferramenta está disponível aqui. Para suplementos alimentares, as informações sobre regularização podem ser conferidas no site oficial da agência, na seção destinada a alimentos e suplementos.

O uso de substâncias que não passaram por avaliação da Anvisa pode provocar riscos graves à saúde. Sem essa avaliação, não há garantias sobre a segurança para uso humano ou sobre a eficácia (no caso de medicamentos)", destaca.

A Anvisa recomenda que, antes de comprar qualquer medicamento ou suplemento visto nas redes sociais, confirme a fonte, verifique o registro do produto e consulte um profissional de saúde.

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