Apenas 44% dos brasileiros conseguem realizar exercícios, revela estudo
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São Paulo - Uma pesquisa realizada pela Decathlon, revela um retrato intrigante sobre a relação do brasileiro com o exercício: embora o Brasil seja o segundo maior mercado de academias do mundo, apenas 44% da população consegue manter uma rotina ativa de exercícios físicos.
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A maioria (56%) ainda vive no sedentarismo, apontando para um abismo entre o desejo de se exercitar e a prática real, mesmo com mais de 50 mil academias espalhadas pelo País.
Motivos
Para entender o que paralisa a maioria, o estudo mergulhou nos fatores e barreiras que impedem a prática esportiva, revelando que a falta de atividade física está profundamente atravessada por questões de renda, gênero e geração:
Renda
A classe social é um dos recortes mais determinantes. Quanto maior a renda, mais ativos os indivíduos são e mais tempo dedicam aos exercícios. Nas classes A e B, o principal problema relatado para não treinar é a falta de motivação; já na classe C, o grande obstáculo é a falta de tempo.
Apesar dessas dificuldades, a classe C ainda representa o maior volume absoluto de praticantes, compondo 40% do total de ativos no País.
Gênero
Embora não haja uma diferença percentual significativa no sedentarismo entre homens e mulheres, as barreiras que os impedem são drasticamente diferentes. Enquanto os homens esbarram mais em fatores internos, como falta de motivação e má gestão de tempo, as mulheres lidam com obstáculos estruturais e externos, como o custo, a falta de companhia, o cuidado com os filhos e a insegurança motivada pelo assédio e discriminação nesses ambientes.
Gerações
O sedentarismo avança com a idade. A geração Z, de 18 a 27 anos, é a mais ativa, com 57% de praticantes, enquanto os boomers, com 61 anos ou mais, formam o grupo mais sedentário, com apenas 34% de ativos.
Curiosamente, a geração Z é a que mais sofre com "barreiras de entrada", como o medo de julgamento e a percepção de assédio (23%), enquanto os mais velhos justificam a inatividade por problemas de saúde ou resignação, sendo o grupo que mais afirma que "nada impede" a prática de exercícios (18%).
O que impulsiona os ativos?
Para a parcela da população que consegue vencer as estatísticas e se manter ativa, o esporte deixou de ser apenas um meio para queimar calorias. O estudo identifica que pessoas ativas possuem uma relação diferente com o próprio corpo, enxergando-o não de forma fragmentada, mas como a base de um cuidado integral.
Para 49% dos ativos, corpo e mente são inseparáveis, e o exercício é o ponto de partida para organizar todas as outras dimensões da vida.
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Esse grupo define rigorosamente suas prioridades a partir do movimento. Isso porque, 70% dos praticantes ativos trocariam um programa badalado numa sexta-feira por um treino no sábado, e 57% chegariam a recusar um aumento salarial se isso impossibilitasse sua rotina de treinos.
Além disso, o esporte se tornou um pilar de quem eles são, com 72% afirmando que a atividade que praticam faz parte de sua identidade. Além disso, o exercício virou um espaço de reconexão humana, a ponto de 50% dos praticantes preferirem conhecer novas pessoas em grupos esportivos do que por meio de aplicativos de relacionamento como o Tinder.
Para muitos, especialmente os de maior renda, o exercício também é sobre capital social. Na classe A, 55% têm como principal objetivo ganhar força física, demonstrando que um corpo forte e definido hoje comunica disciplina, acesso a recursos e posição social.
Como o estudo foi feito
Para mapear a complexa relação do brasileiro com o esporte, a metodologia da pesquisa foi dividida em três etapas integradas:
- Pesquisa em teses, livros e repertório acadêmico sobre esporte, corpo e prática física;
- Monitoramento de redes sociais (Instagram, X e TikTok) ao longo de 12 meses (de abril de 2025 a março de 2026), varrendo mais de 9 milhões de menções orgânicas sobre esportes e bem-estar;
- Aplicação de um survey online com 2.017 respondentes em todas as regiões do Brasil, englobando homens e mulheres de 18 a mais de 61 anos, e contemplando as classes A, B, C, D e E.
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