Após os 50, golfe pode ser alternativa por unir saúde, equilíbrio e socialização
Ricardo Barbosa Oliveira
São Paulo - Leonardo Cairo, de 69 anos, começou a jogar golfe já na fase madura. Ele escolheu o esporte depois de anos praticando karatê, tênis e corrida que, apesar de gostar, abandonou por conta do maior impacto sobre as articulações, ao sentir mais as lesões que acumulou ao longo da vida e o desgaste natural dos joelhos.
“O impacto constante acabou cobrando seu preço. No golfe, encontrei uma alternativa que me permitiu continuar ativo, competitivo e fisicamente saudável, sem agravar essas limitações”, contou ao VIVA. Para Leonardo, este é um esporte que permite evolução constante, independentemente da idade.
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Por que o golfe é considerado um esporte de baixo impacto?
Segundo o professor de golfe José Marcos Nascimento, o destaque do esporte é não exigir movimentos repetitivos de alta intensidade, saltos ou contato físico. “É uma atividade que preserva as articulações e permite que o praticante evolua no seu próprio ritmo".
Enquanto esportes como corrida e tênis submetem joelhos, quadris e tornozelos a impactos constantes, o golfe trabalha coordenação motora, equilíbrio, mobilidade e estabilidade corporal de maneira mais controlada, de acordo com o professor. Estes são aspectos importantes para a prevenção de quedas e manutenção da autonomia durante o envelhecimento.
Para Leonardo, essa característica foi decisiva para continuar ativo após os 60 anos: "é um esporte que desafia tanto a mente quanto o físico".
Mesmo assim, o golfe exige movimentação constante. Segundo o professor, em um percurso de 18 buracos, um jogador pode caminhar entre 8 e 12 quilômetros durante uma única partida.
Além disso, o movimento da tacada ativa grande parte da musculatura corporal. "O swing trabalha diversos grupos musculares, especialmente pernas, abdômen, costas e ombros, ou seja 92 músculos do seu corpo são ativados durante o movimento da tacada", disse o professor
Benefícios para o coração e para a saúde cardiovascular
O cardiologista Vinicius Marques Rodrigues explica que atividades de baixo impacto ajudam a proteger articulações desgastadas pelo envelhecimento, além de combater problemas comuns após os 50 anos, como a perda de massa muscular e osteoporose.
Segundo Rodrigues, o golfe proporciona uma atividade aeróbica de intensidade leve a moderada, capaz de gerar benefícios importantes para a saúde cardiovascular. "Queima calórica, distância percorrida, saúde metabólica ajudando a reduzir o colesterol LDL e a pressão arterial."
O especialista destaca ainda que a modalidade trabalha diferentes capacidades físicas simultaneamente, promovendo “força, flexibilidade, saúde cardiovascular e lazer ao ar livre".
Para Leonardo, os benefícios ultrapassam a prática esportiva. "O golfe exige movimentos que trabalham constantemente o equilíbrio, a postura e a coordenação corporal. Ao longo dos anos percebi uma melhora importante na mobilidade, na estabilidade corporal e na consciência dos movimentos."
Golfe garante socialização
Além dos benefícios físicos, especialistas apontam que o aspecto social é um dos fatores que mais atraem pessoas maduras para a modalidade. José Marcos Nascimento observa que muitos alunos procuram o esporte justamente pela combinação entre saúde e convivência.
Leonardo concorda e considera esse um dos principais ganhos da prática. "É um esporte que aproxima pessoas de diferentes profissões, gerações e experiências de vida. Ao longo dos anos construí amizades valiosas, ampliei meu networking e vivi momentos inesquecíveis dentro e fora dos campos."
Existe idade limite para começar?
Não existe idade limite para começar a jogar golfe. Segundo o professor José Marcos Nascimento, o esporte pode ser iniciado em qualquer fase da vida. "O importante é respeitar as condições físicas de cada pessoa e adaptar o ensino quando necessário.”.
Para quem pretende começar uma atividade física após os 50 anos, o cardiologista recomenda avaliação médica prévia. "Avaliação médica completa com um geriatra ou preferencialmente um cardiologista para liberar as atividades, o foco deve ser exercícios de baixo impacto, hidratação vigorosa e respeito aos limites do corpo".
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