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Associação divulga novas orientações sobre medicamentos contra a obesidade

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Última diretriz da Abeso havia sido publicada em 2016
Por Estadão Conteúdo

01/04/2026 | 08h03

São Paulo - A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) divulgou nesta terça-feira, 31, uma nova diretriz sobre o uso de medicamentos contra a obesidade, entre eles liraglutida, semaglutida e tirzepatida.

De acordo com o endocrinologista Fernando Gerchman, membro do Departamento Científico da Abeso e coordenador do documento, a última diretriz havia sido publicada em 2016 e não era focada especificamente no manejo da obesidade, embora incluísse recomendações de tratamento farmacológico.

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Além disso, nesse meio tempo, houve um aumento significativo na quantidade de dados científicos e estudos adequados sobre o tratamento da doença, o que motivou a atualização das recomendações.

Mudanças no estilo de vida

O material, elaborado por endocrinologistas, clínicos gerais e nutricionistas, reúne 32 recomendações e reforça que os medicamentos não devem ser usados de forma isolada.

A orientação é que o tratamento esteja sempre associado a mudanças no estilo de vida baseadas em três pilares: aconselhamento nutricional, atividade física e treinamento de força.

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Na alimentação, a prioridade são os alimentos in natura ou minimamente processados, com redução de ultraprocessados e bebidas açucaradas.

Para as atividades físicas, a recomendação é de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada ou 75 a 150 minutos de atividade intensa, combinados com exercícios resistidos e alongamentos.

Já o treinamento de força visa minimizar a perda de massa muscular durante o emagrecimento e é especialmente importante para idosos ou pessoas em risco de sarcopenia.

"Uma mudança importante é que, antigamente, recomendávamos a mudança no estilo de vida e só iniciávamos o tratamento farmacológico se a perda de peso não ocorresse", destaca Gerchman

Agora, o manejo farmacológico já é indicado logo no início do tratamento. Mas o tratamento vai variar de paciente para paciente.”

Essa é outra recomendação do material, o tratamento personalizado. A diretriz reforça que não existe um modelo único de intervenção: as orientações nutricionais e de exercícios devem ser adaptadas às preferências, condições clínicas e contexto socioeconômico de cada paciente.

Quem pode usar os medicamentos?

Outro destaque é a recomendação sobre quem deve usar os medicamentos. O tratamento é indicado para pessoas com índice de massa corporal (IMC) igual ou acima de 30 kg/m2, ou a partir de 27 kg/m2 quando há condições associadas, como hipertensão, diabetes, apneia do sono ou artrose, segundo Gerchman.

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Mesmo pacientes com IMC considerado normal ou com sobrepeso leve podem ser tratados se houver acúmulo de gordura abdominal acompanhado de complicações.

Isso porque o IMC é um indicador limitado: ele não mede onde a gordura está concentrada, e o excesso na região abdominal é, por si só, um fator de risco para doenças graves.

A diretriz também recomenda que o tratamento comece cedo, já que a obesidade e suas complicações tendem a se agravar com o tempo.

Escolha dos medicamentos

A diretriz indica que, sempre que possível, devem ser priorizados os medicamentos de maior potência, como semaglutida (Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro), por terem impacto clínico mais significativo.

Quando o uso dessas opções não for viável por custo, disponibilidade ou intolerância, a escolha deve recair sobre fármacos de menor potência, como liraglutida, sibutramina, naltrexona com bupropiona ou orlistate.

Se a resposta a um único medicamento for insuficiente, o médico pode combinar remédios com mecanismos de ação diferentes. O uso prolongado também é recomendado para manter o peso perdido, já que a interrupção frequentemente leva à recuperação dos quilos.

O tratamento farmacológico é contraindicado para mulheres grávidas, que estejam amamentando ou tentando engravidar. A diretriz completa, com as 32 recomendações, está disponível de forma gratuita no site da Abeso.

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