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Patente do Ozempic expira: Vai ter genérico? O preço vai cair? Entenda tudo

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A produção e comercialização de novas versões de Ozempic esbarram em um rigoroso processo técnico e regulatório conduzido pela Anvisa - Adobe Stock
A produção e comercialização de novas versões de Ozempic esbarram em um rigoroso processo técnico e regulatório conduzido pela Anvisa
Por Emanuele Almeida

20/03/2026 | 09h31

São Paulo - A patente da semaglutida, princípio ativo de medicamentos populares como o Ozempic, expira nesta sexta-feira, 20. Com o fim da exclusividade que a farmacêutica Novo Nordisk deteve por 20 anos, o mercado brasileiro abre as portas para o desenvolvimento de novas versões da caneta.

Mas como será o impacto no bolso do consumidor e nas prateleiras? Especialistas explicam os próximos passos desse marco na indústria farmacêutica.

Leia também: Rio inicia oferta de Ozempic no SUS; veja critérios para receber o remédio

Quem pode fabricar semaglutida?

Embora a quebra da patente libere a exploração jurídica da molécula principal por terceiros, a produção e comercialização esbarram em um rigoroso processo técnico e regulatório conduzido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo o advogado sócio do Coletta Rodrigues Advogados, Diogo Coletta, a fabricante original ainda protege segredos industriais fundamentais, como o design das canetas aplicadoras e fórmulas específicas. Ele explica diretamente o cenário:

Quem quiser entrar no jogo precisará desenvolver sua própria tecnologia e provar que sabe fazer o trabalho sem copiar o que ainda é protegido. É um mercado aberto, mas só para quem tem fôlego técnico."

Vai ter 'Ozempic genérico'?

Apesar da grande expectativa do público por versões significativamente mais baratas, o mercado não deverá ver um genérico da semaglutida no curto prazo. Isso acontece porque a substância é um peptídeo complexo, que fica na fronteira entre os medicamentos sintéticos e biológicos.

Ricardo Barroso, endocrinologista diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional de São Paulo (SBEM), esclarece que o termo genérico é tecnicamente reservado para produtos sintéticos (como a dipirona). Portanto, as novas versões da semaglutida se enquadrarão, na verdade, na categoria de biossimilares.

Para o bolso do consumidor, a ausência de um genérico nos moldes estabelecidos pela legislação faz diferença. Paulo Rafael de Lucena Ferreira, advogado e sócio do Serur Advogados, alerta que a complexidade tecnológica e o alto custo de produção impedem a criação imediata de cópias com o desconto padrão de 35% estabelecido por lei para medicamentos genéricos.

É de se esperar que cheguem novas opções ao mercado, mas não na condição de genérico e com descontos tão expressivos aos consumidores quanto alguns podem esperar."

Quando chega o Ozempic 'barato'?

A entrada efetiva de concorrentes deve levar algum tempo devido à complexidade da análise regulatória. No momento, há 15 pedidos de registro em análise na Anvisa, sendo que as propostas dos laboratórios farmacêuticos EMS e Ávita Care estão na fase mais avançada. A previsão mais otimista é de que ao menos uma nova caneta seja aprovada e chegue às farmácias até junho deste ano.

Leia também: Anvisa vai avaliar registros de versões brasileiras do Ozempic

Pensando em uma oferta mais farta, Ferreira projeta que as opções comerciais começarão a surgir aos poucos no segundo semestre de 2026, com uma expansão consolidada do mercado esperada apenas para o período entre 2027 e 2028.

O preço do Ozempic vai cair?

Atualmente, uma caneta de semaglutida custa, em média, cerca de R$ 1 mil no Brasil. A tendência é de queda nos preços, mas de maneira gradual, conforme a oferta e a demanda se equilibrem. Ferreira aponta indiretamente que, devido aos altos custos de produção e logística (como as próprias canetas aplicadoras), a redução nos valores não será abrupta nestes primeiros meses.

No entanto, Diogo Coletta estima que, a médio prazo, o mercado pode observar uma redução de cerca de 30% sobre o preço atual. Coletta também prevê que a própria Novo Nordisk possa reduzir seus preços para barrar a concorrência, fenômeno idêntico ao que ocorreu com a patente do Viagra (Sildenafil) no passado.

Ozempic vai ser distribuído pelo SUS?

O fim da patente reacendeu a esperança de pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), mas a incorporação das canetas na rede pública ainda não tem previsão para acontecer. Recentemente a Prefeitura do Rio de Janeiro fechou uma parceria com a Novo Nordisk para a distribuição do Ozempic no sistema público de saúde municipal. A ação é limitada à capital fluminense, ainda sem previsão de expansão. 

Leia também: 'Evolução para poucos', diz médica sobre medicamentos como Ozempic e Mounjaro

No ano passado, a comissão que avalia a entrada de novos tratamentos no SUS rejeitou o medicamento devido ao seu alto impacto financeiro, estimado em R$ 8 bilhões por ano. O Ministério da Saúde avalia que a entrada de novos concorrentes e o barateamento do produto podem mudar esse cenário futuramente, mas hoje não há qualquer definição de incorporação.

Para que chegue ao SUS, Coletta lembra que a medicação ainda precisará passar por uma demorada avaliação e inclusão nos protocolos clínicos de diretrizes do sistema público. 

Precisa de receita?

O diretor da SBEM afirma que ainda será necessário o controle da compra dos medicamentos à base de semaglutida através da retenção de receita. 

Em toda essa classe, não só a semaglutida, mas também a tirzepatida, a liraglutida; todos os análogos de GLP-1 vão continuar sendo necessitando de prescrição médica."

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