Bafo de Ozempic - por que canetas emagrecedoras causam mau hálito
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São Paulo - O uso de canetas emagrecedoras, como o Ozempic (semaglutida), tornou-se um fenômeno global. No entanto, o medicamento, que atua simulando os hormônios de saciedade do nosso corpo, traz consigo uma série de reações adversas que vão muito além da perda de peso.
Entre os sintomas que mais têm chamado a atenção recentemente está o temido "bafo de Ozempic", um quadro de mau hálito que tem gerado desconforto e dúvidas entre os pacientes.
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Primeiramente, é sempre importante lembrar que o Ozempic é indicado para uso em tratamento de diabetes tipo 2.
Para compreender como a medicação age no organismo e por que esses sintomas ocorrem é fundamental entender o mecanismo por trás do tratamento.
A médica endocrinologista, Patrícia Baines Gracitelli, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica os impactos da medicação no corpo humano.
"Bafo de Ozempic": por que acontece?
Embora não seja um efeito adverso relatado nos grandes estudos clínicos com a semaglutida, o mau hálito tem sido uma queixa frequente tanto por parte dos pacientes quanto das pessoas que convivem com eles.
Gracitelli esclarece que esse problema está intimamente ligado a três fatores principais:
- a boca seca (xerostomia)
- a lentidão da digestão
- o jejum prolongado.
Como o medicamento retarda o esvaziamento do estômago, os alimentos permanecem mais tempo no trato digestivo.
"A pessoa que aumenta a dose, inicia o medicamento ou aumenta a dose, pode ter uma sensação maior de que a comida está mais parada no estômago, principalmente carne, ovo, comida com muita gordura. E essa comida ali parada há muito tempo é que pode ser uma das principais causas do mau hálito", diz a endocrinologista.
Além disso, a especialista alerta que muitos pacientes, por não sentirem fome, acabam ficando horas sem se alimentar ou utilizam doses acima do ideal para o seu corpo, o que não é o objetivo do tratamento e contribui diretamente para o odor indesejado.
Nesses casos específicos, medidas tradicionais de higiene não são suficientes.
"Quando o mau hálito é por essas situações, passar fio dental, escovar o dente não vai resolver, precisa melhorar a digestão mesmo", afirma Gracitelli. A solução passa por não ficar muito tempo em jejum e adotar alimentos que facilitem o processo digestivo, como mamão ou gengibre, por exemplo.
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Outros efeitos no corpo
Os medicamentos à base de semaglutida são análogos do GLP-1, um hormônio natural que produzimos para sinalizar saciedade ao cérebro. Por manterem essa sensação de "barriga cheia" o tempo todo, eles alteram significativamente a capacida de movimento gastrointestinal.
Além do mau hálito, Gracitelli elenca e explica outros efeitos colaterais comuns:
- Sensação de empachamento e náuseas: são os sintomas mais clássicos. O paciente sente como se tivesse comido um grande banquete, mesmo tendo ingerido pequenas porções. Se a pessoa insistir em comer além do que deveria ou consumir pratos muito pesados e gordurosos (como feijoada, hambúrguer ou churrasco), essa sensação pode evoluir para enjoos fortes e até vômitos;
- Intestino Preso (constipação): com a saída mais lenta da comida do estômago, todo o trânsito e funcionamento intestinal também desacelera.
Para combater esses efeitos, a médica recomenda o aumento do consumo de água e fibras e, em alguns casos, o uso de medicamentos específicos para auxiliar o fluxo intestinal, sintoma que tende a melhorar com o tempo e com a adequação da dieta.
Acompanhamento médico é essencial
Os efeitos colaterais costumam ser mais intensos durante o início do tratamento ou nas fases de escalonamento (aumento) da dose. Por isso, o uso indiscriminado e sem orientação é altamente perigoso.
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A endocrinologista é categórica ao afirmar que o principal cuidado é ter acompanhamento médico contínuo. Ela adverte que o paciente nunca deve começar o uso ou aumentar a dose por conta própria, nem fazer essa progressão mais rápido do que o corpo suporta.
Para minimizar os desconfortos, a adaptação do estilo de vida é inegociável.
A especialista recomenda refeições leves, mastigação lenta e a exclusão de alimentos excessivamente gordurosos.
Até mesmo bebidas gaseificadas, como água com gás e refrigerantes, devem ser evitadas, pois enchem o estômago rapidamente e podem piorar a sensação de empachamento
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