Projeto de alunas brasileiras sobre câncer de mama será testado no espaço
Divulgação/International School (IS)
São Paulo - Um grupo de estudantes brasileiras teve o experimento escolhido para ser enviado à Estação Espacial Internacional (ISS) após vencer a edição do ISS Journey, programa promovido pela International School, em parceria com a The Michaelis Foundation. O projeto investiga como a microgravidade influencia a comunicação entre células relacionadas ao câncer de mama e pode contribuir para futuras pesquisas sobre a doença.
Mais de 70 equipes de escolas brasileiras participaram da competição, mas apenas dez chegaram à etapa final. Intitulado "Análise de células mesenquimais no secretoma e do ducto mamário", o projeto busca compreender como a ausência de gravidade altera o secretoma, conjunto de substâncias liberadas pelas células para se comunicar.
Os dados devem ampliar o conhecimento sobre o comportamento celular no espaço e ajudar nas pesquisas sobre câncer de mama. A comparação entre os resultados obtidos na Estação Espacial Internacional e na Terra permitirá avaliar os efeitos da microgravidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 2,3 milhões de mulheres são diagnosticadas com a doença todos os anos.
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Como a pesquisa surgiu
A escolha do tema foi motivada por uma situação vivida pelas próprias estudantes. O grupo decidiu concentrar a pesquisa na saúde feminina depois de acompanhar o tratamento contra o câncer de mama de uma professora da escola. Lavínia Carboni Berti, integrante da equipe vencedora, explica que a experiência tornou o tema ainda mais significativo.
Somos um grupo formado só por mulheres. A gente tem relação com o tema por causa de uma professora nossa com a doença. Foi um tema muito sensível por causa disso também”, afirma.
Durante o ISS Journey, as equipes receberam orientação de um comitê científico da International School para desenvolver os projetos. Na fase final, os trabalhos foram apresentados durante o Science Days, evento que reuniu especialistas da área e os estudantes classificados.
Além da elaboração da pesquisa, os participantes precisaram aplicar conhecimentos de biologia, metodologia científica e comunicação em inglês para apresentar as propostas a avaliadores internacionais.
Como parte da premiação, a equipe participou de uma imersão no Kennedy Space Center, nos Estados Unidos, no fim de junho. Durante a visita, as estudantes conheceram cientistas, astronautas e especialistas do setor aeroespacial.
Para a estudante Sara Lourenço Panico, o projeto amplia as oportunidades acadêmicas e incentiva outras meninas a seguir carreira na ciência. “É muito importante porque mostra que o Brasil é capaz de fazer ciência. Nós não somos apenas o País do futebol e do carnaval. Temos muito mais a mostrar, muito mais a oferecer”, disse.
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