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Projeto de alunas brasileiras sobre câncer de mama será testado no espaço

Divulgação/International School (IS)

Beatriz Marques Herculano (14 anos) , Giovanna Machado Tasso (14 anos), Lavínia Carboni Berti (14 anos) e Sara Lourenço Panico (15 anos) - Divulgação/International School (IS)
Beatriz Marques Herculano (14 anos) , Giovanna Machado Tasso (14 anos), Lavínia Carboni Berti (14 anos) e Sara Lourenço Panico (15 anos)
Por Alexandre Barreto

17/07/2026 | 13h37 ● Atualizado | 13h38

São Paulo - Um grupo de estudantes brasileiras teve o experimento escolhido para ser enviado à Estação Espacial Internacional (ISS) após vencer a edição do ISS Journey, programa promovido pela International School, em parceria com a The Michaelis Foundation. O projeto investiga como a microgravidade influencia a comunicação entre células relacionadas ao câncer de mama e pode contribuir para futuras pesquisas sobre a doença.

Mais de 70 equipes de escolas brasileiras participaram da competição, mas apenas dez chegaram à etapa final. Intitulado "Análise de células mesenquimais no secretoma e do ducto mamário", o projeto busca compreender como a ausência de gravidade altera o secretoma, conjunto de substâncias liberadas pelas células para se comunicar.

Os dados devem ampliar o conhecimento sobre o comportamento celular no espaço e ajudar nas pesquisas sobre câncer de mama. A comparação entre os resultados obtidos na Estação Espacial Internacional e na Terra permitirá avaliar os efeitos da microgravidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 2,3 milhões de mulheres são diagnosticadas com a doença todos os anos.

Como a pesquisa surgiu

A escolha do tema foi motivada por uma situação vivida pelas próprias estudantes. O grupo decidiu concentrar a pesquisa na saúde feminina depois de acompanhar o tratamento contra o câncer de mama de uma professora da escola. Lavínia Carboni Berti, integrante da equipe vencedora, explica que a experiência tornou o tema ainda mais significativo.

Somos um grupo formado só por mulheres. A gente tem relação com o tema por causa de uma professora nossa com a doença. Foi um tema muito sensível por causa disso também”, afirma.

Durante o ISS Journey, as equipes receberam orientação de um comitê científico da International School para desenvolver os projetos. Na fase final, os trabalhos foram apresentados durante o Science Days, evento que reuniu especialistas da área e os estudantes classificados.

mulher usando blusa com selo do câncer de mama
OMS aponta que 2,3 milhões de mulheres são diagnosticadas com câncer de mama todos os anos - Envato

Além da elaboração da pesquisa, os participantes precisaram aplicar conhecimentos de biologia, metodologia científica e comunicação em inglês para apresentar as propostas a avaliadores internacionais.

Como parte da premiação, a equipe participou de uma imersão no Kennedy Space Center, nos Estados Unidos, no fim de junho. Durante a visita, as estudantes conheceram cientistas, astronautas e especialistas do setor aeroespacial.

Para a estudante Sara Lourenço Panico, o projeto amplia as oportunidades acadêmicas e incentiva outras meninas a seguir carreira na ciência. “É muito importante porque mostra que o Brasil é capaz de fazer ciência. Nós não somos apenas o País do futebol e do carnaval. Temos muito mais a mostrar, muito mais a oferecer”, disse.

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