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Demora para marcar consulta é maior barreira à prevenção de câncer de mama

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O diagnóstico precoce aumenta as chances de cura do câncer de mama, segundo presidente da SBM - Pexels
O diagnóstico precoce aumenta as chances de cura do câncer de mama, segundo presidente da SBM
Por Bárbara Ferreira

08/07/2026 | 09h29

São Paulo - A demora para conseguir agenda com o médico ou para exames é a principal barreira enfrentada na prevenção do câncer de mama, de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos e a Novartis. No geral, 63% das mulheres ouvidas têm problema com agendamentos, porém no Sistema Único de Saúde (SUS), esse gargalo é ainda maior: 77%.

Os dados são alarmantes visto que o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Guilherme Novita.

Essa barreira na prevenção é seguida pelo custo dos exames e consultas, apontado por 28% das mulheres como problema; e ainda a falta de tempo de 21% delas, decorrente de obrigações de trabalho e família. A falta de um médico de confiança (19%), o medo de descobrir alguma doença (14%) e ainda a dificuldade de deslocamento até o local da consulta ou exame também são apontados como problemas.

Mesmo com as dificuldades apontadas, a pesquisa detectou que 75% das mulheres com 55 anos ou mais realiza exames preventivos, ainda que sem sintomas aparentes.

O problema está na faixa de mulheres de 41 anos ou mais, quando o Ministério da Saúde recomenda começar o rastreamento regular do câncer de mama. Segundo a pesquisa, uma em cada três entrevistadas desta faixa relata não realizar a mamografia regularmente; 12% afirmam nunca ter feito o exame.

Como está o acesso aos serviços de saúde no Brasil?

Segundo a pesquisa, quase metade das entrevistadas não possui plano de saúde e utiliza exclusivamente o SUS (48%) para prevenção e tratamento, enquanto o uso do sistema público combinado ao privado atinge 28% das mulheres. A Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Posto de Saúde é o principal local de atendimento para 46% das mulheres, seguido por clínicas de convênio, usadas por 21%, e os consultórios particulares usados por 15%.

Para o presidente da SBM, a ausência de acompanhamento contínuo pode comprometer desfechos ao longo do tempo, especialmente no sistema público de saúde. 

Os esforços das sociedades médicas brasileiras para contribuir com políticas públicas de prevenção e tratamento do câncer de mama, condizentes com a realidade das mulheres brasileiras, precisam ser permanentes", afirma Novita.

Sobre a pesquisa

A pesquisa inédita Ipsos/Novartis ouviu 400 mulheres acima de 35 anos das classes A, B e C, com objetivo de compreender as percepções, conhecimentos e barreiras relacionadas ao tratamento do câncer de mama. O período de campo foi de 24 a 30 de abril deste ano.

O perfil das entrevistadas espelha a realidade da população brasileira e concentra-se majoritariamente em mulheres na faixa etária de 55 anos ou mais (45%) e pertencentes a classe C1 (54%). Geograficamente, há uma forte concentração na região Sudeste (51%), seguida pelas regiões Sul (19%) e Nordeste (17%).

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