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Câncer de cabeça e pescoço é o 5º mais frequente no País; conheça sintomas

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Feridas e nódulos persistentes podem ser sinal de alerta - AdobeStock
Feridas e nódulos persistentes podem ser sinal de alerta
Por Bianca Bibiano

07/07/2026 | 16h23

São Paulo - A região da cabeça e do pescoço pode apresentar diferentes tipos de tumores que afetam desde a língua, gengivas e lábios até áreas como orofaringe, hipofaringe, nasofaringe, laringe, glândulas salivares, tireoide, cavidade nasal e seios paranasais.

Na medicina, eles fazem parte de um conjunto chamado câncer de cabeça e pescoço, considerado o quinto tipo mais comum no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Seus sinais, embora muitas vezes visíveis, nem sempre são relacionados à doença, o que atrasa a busca por tratamento na fase inicial. A seguir, especialistas explicam como identificar os sintomas e como reduzir fatores de risco.

Quais são os sinais de alerta para câncer de cabeça e pescoço?

Os tumores de cabeça e pescoço podem afetar diferentes estruturas da região e provocar sintomas que variam conforme a localização da doença.

Muitas vezes, os sinais iniciais são sutis e acabam sendo confundidos com inflamações, infecções ou outros problemas de menor gravidade. Por isso, a persistência dos sintomas é um dos principais fatores de alerta. 

  • Feridas na boca ou garganta que não cicatrizam.
  • Rouquidão persistente.
  • Dor ou dificuldade para engolir.
  • Sensação constante de algo preso na garganta.
  • Nódulos ou inchaços no pescoço.
  • Dor de ouvido sem causa aparente.
  • Alterações na voz.
  • Perda de peso sem motivo aparente.
  • Mau hálito persistente.
  • Manchas avermelhadas ou esbranquiçadas na boca.
  • Sangramentos recorrentes na boca ou no nariz.

A informação continua sendo uma das principais aliadas na luta contra a doença, explica Sandra Regina Mota Ortiz, professora de Medicina da Universidade São Judas, da Inspirali.

Muitas pessoas convivem durante semanas ou até meses com sintomas persistentes acreditando que se trata de problemas passageiros. Quando alterações permanecem por mais de duas semanas, é importante buscar avaliação médica. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de tratamento bem-sucedido.”

O que fazer ao notar os sintomas?

A recomendação é procurar avaliação médica sempre que esses sintomas persistirem por mais de duas semanas. A busca pode ser feita com médico clínico geral ou dentista, ou diretamente com um especialista.

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), Paulo Henrique Fernandes, o grande desafio é que muitos sintomas iniciais acabam sendo negligenciados, o que motivou a criação Julho Verde, mês de conscientização dedicado à doença.

Quando o paciente chega ao especialista, frequentemente a doença já está em estágio avançado. Por isso, informação e conscientização continuam sendo ferramentas fundamentais para mudar esse cenário."

Em nota, a SBCO cita um estudo nacional que analisou mais de 145 mil pacientes atendidos em hospitais brasileiros, revelando que cerca de 78% dos casos são descobertos quando a doença já atingiu estruturas vizinhas ou se espalhou para os linfonodos do pescoço.

Quais são os fatores de risco?

Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e a infecção pelo papilomavírus humano (HPV), associada principalmente a tumores da orofaringe. 

Além de evitar o cigarro e moderar o consumo de álcool, hábitos saudáveis também desempenham papel importante na prevenção. Manter uma boa higiene bucal, realizar consultas médicas e odontológicas regularmente, adotar uma alimentação equilibrada e manter a vacinação contra o HPV em dia são medidas que ajudam a reduzir os riscos. 

"Hoje sabemos que existe uma diferença importante entre os tumores relacionados ao tabaco e aqueles associados ao HPV. São doenças que compartilham a mesma região anatômica, mas possuem características epidemiológicas e biológicas distintas. Por isso, ampliar a cobertura vacinal é uma medida importante para reduzir a ocorrência desses tumores nas próximas décadas", afirma Fernandes.

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacinação em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de pessoas vivendo com HIV, transplantados de órgãos sólidos ou de medula óssea, pacientes oncológicos e outros grupos contemplados pelo Programa Nacional de Imunizações. Os demais podem se vacinar a qualquer idade na rede privada com pedido médico.

Por que tabaco e álcool agravam fatores de risco para câncer?

Cigarros convencionais, cigarros eletrônicos, dispositivos aquecidos, narguilés e outros produtos derivados do tabaco expõem o organismo a substâncias capazes de provocar alterações genéticas associadas ao surgimento do câncer.

O risco aumenta ainda mais quando o tabagismo está associado ao consumo de bebidas alcoólicas. "O risco não depende apenas da quantidade consumida, mas também do tempo de exposição. Além disso, quando tabaco e álcool estão associados, observamos um aumento importante do potencial carcinogênico", explica Fernandes.

Quais são os tratamento para câncer de cabeça e pescoço?

A cirurgia continua sendo uma das principais modalidades de tratamento para muitos cânceres de cabeça e pescoço, especialmente quando a doença é identificada em fases iniciais. Dependendo das características do tumor, a radioterapia, a quimioterapia, as terapias-alvo e a imunoterapia também podem fazer parte da estratégia terapêutica, afirma a SBCO.

Nos últimos anos, avanços tecnológicos permitiram procedimentos cirúrgicos mais precisos, técnicas reconstrutivas mais sofisticadas e tratamentos sistêmicos capazes de oferecer benefícios para grupos específicos de pacientes. Além de controlar a doença, os especialistas buscam preservar funções importantes relacionadas à fala, mastigação, deglutição e respiração, reduzindo o impacto do tratamento na vida cotidiana.

Dependendo do caso, o cuidado pode envolver cirurgião de cabeça e pescoço, cirurgião oncológico, oncologista clínico, radioterapeuta, patologista, radiologista, dentista, estomatologista, fonoaudiólogo, nutricionista, fisioterapeuta, enfermeiro, psicólogo, dentistas e assistente social.

O sucesso do tratamento não é medido apenas pela eliminação do câncer. Também precisamos preservar a funcionalidade, autonomia, autoestima e a qualidade de vida dos pacientes. Esse é um trabalho que depende da integração de diferentes especialidades", conclui Fernandes.

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