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Como diferenciar a 'virose da praia' da intoxicação alimentar e evitar riscos

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No calor intenso, a proliferação bacteriana em alimentos como maionese, queijos e frutos do mar é exponencial - Envato
No calor intenso, a proliferação bacteriana em alimentos como maionese, queijos e frutos do mar é exponencial
Por Bianca Bibiano

13/01/2026 | 08h40

São Paulo, 13/01/2026 - Com a incidência das altas temperaturas no verão e o aumento do fluxo de turistas nas cidades litorâneas, os prontos-socorros registram um cenário recorrente da estação: o crescimento dos casos de distúrbios gastrointestinais. Dentre os mais comuns estão a chamada 'virose da praia' e a intoxicação alimentar, que, embora tenham sintomas parecidos, têm causas distintas, assim como as formas de prevenção.

Náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal estão entre os sintomas mais comuns nos dois quadros, o que pode dificultar o diagnóstico inicial. A diferença está na origem do problema, explica o médico infectologista Klínger Soares Faíco Filho.

A intoxicação alimentar costuma ser causada por toxinas bacterianas presentes em alimentos mal conservados ou manipulados sem higiene adequada, como Salmonella e Staphylococcus. Nesses casos, os sintomas geralmente surgem pouco tempo após a ingestão do alimento contaminado.

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Já a chamada 'virose da praia' está relacionada ao contato com água contaminada ou à transmissão interpessoal, podendo vir acompanhada de febre baixa e dores no corpo, além dos sintomas gastrointestinais.

Crianças e idosos exigem atenção redobrada

O infectologista ressalta que crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis, por terem menor reserva hídrica e maior risco de desidratação e alerta para os perigos da automedicação. "A automedicação, especialmente o uso indiscriminado de antibióticos ou remédios que prendem o intestino, pode agravar o quadro ao impedir a expulsão do agente patogênico", alerta.

O médico explica ainda que a maioria dos casos classificados como virose da praia corresponde a quadros de gastroenterite aguda.

"O primeiro cuidado deve ser com a hidratação, mas não qualquer uma. O gelo utilizado em sucos e batidas na areia é um grande vilão. Se não for feito com água potável, ele carrega vírus e bactérias que sobrevivem a baixas temperaturas”, alerta.

O especialista também recomenda observar atentamente as condições do local antes de consumir alimentos ou entrar no mar, especialmente após períodos de chuva.

“No calor intenso, a proliferação bacteriana em alimentos como maionese, queijos e frutos do mar é exponencial. Se o quiosque não possui refrigeração visível ou se o manipulador de alimentos não higieniza as mãos, o risco de intoxicação alimentar é altíssimo. Outro ponto vital é o cuidado com a higiene: banhar-se em águas impróprias, especialmente após chuvas fortes, é um convite para infecções por norovírus.”

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De acordo com  o gastroenterologista dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, Jean Tafarel, muitos casos de intoxicação alimentar estão ligados ao armazenamento inadequado de alimentos, especialmente após a abertura das embalagens.

“A validade impressa no rótulo só vale enquanto o produto estiver fechado. Depois que a embalagem é aberta, o prazo muda completamente, e muita gente esquece disso.”

Ele diz ainda que deixar alimentos fora da geladeira por longos períodos e tentar refrigerá-los novamente aumenta o risco de contaminação. "Medidas simples seguem sendo fundamentais: lavar bem as mãos, higienizar os alimentos e mantê-los cobertos para evitar insetos", completa.

Quando procurar ajuda médica

Para quem passou por uma situação de 'virose da praia' ou 'intoxicação alimentar', a professora do curso de enfermagem da Faculdade Anhanguera, Ana Carolina, reforça que os sinais de alerta não devem ser ignorados. “A primeira medida é hidratar a pessoa com pequenas quantidades de água ou soro caseiro e evitar qualquer medicação sem orientação profissional".

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Se houver febre alta, sangue nas fezes, vômitos persistentes ou sinais de desidratação, é indispensável buscar atendimento médico, especialmente em crianças, idosos e pessoas com imunidade reduzida.

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